Aves foram descobertas e apreendidas pela Receita Federal; Polícia Federal foi acionada e levou suspeito à 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul. Homem assinou termo de compromisso e foi liberado, em seguida
Pelo menos 300 pássaros silvestres foram encontrados dentro das malas de um passageiro que tentava embarcar no Aeroporto Internacional de Brasília, no sábado (23). As aves, da espécie canário-da-terra, foram trazidas de Boa Vista, em Roraima, e seriam vendidas a intermediadores, por R$ 15 cada. O suspeito foi levado à 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul, e liberado, em seguida.
O homem, de 30 anos, foi detido, por volta das 16h, por servidores da Receita Federal que atuam no terminal. A descoberta ocorreu quando os agentes faziam a inspeção das bagagens, por meio dos equipamentos de Raio-X, e viram as aves, que estavam em gaiolas distribuídas em três malas.
A Polícia Federal foi acionada e conduziu o suspeito à delegacia. Segundo a Polícia Civil do DF (PCDF), o homem preferiu ficar em silêncio, assinou um termo de compromisso e, em seguida, foi liberado.
A pena para o crime de tráfico de animais silvestres é de detenção de seis meses a um ano, e multa. Os pássaros foram levados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que realiza os procedimentos para devolvê-los à natureza.
Canário-da-terra
Canário-da-terra — Foto: Leonardo Casadei
O canário-da-terra é uma espécie conhecida, principalmente, pelo canto forte e pela beleza das penas. O macho tem a cor amarelo vivo e exibe uma mancha alaranjada na frente da cabeça. Já a fêmea não carrega na plumagem um tom tão vívido.
A cor da plumagem da ave é tão marcante que deu à Seleção Brasileira de Futebol o apelido de “seleção canarinho”, segundo estudiosos. Geralmente, o pássaro tem 13,5 centímetros de comprimento e pesa cerca de 20 gramas.
O canário-da-terra vive em bandos que podem abrigar até mais de 30 indivíduos. O repertório vocal do macho inclui um canto territorial extenso, que é executado apenas durante a madrugada.
Por não ser uma ave arisca e por possuir um canto muito admirado, o canário costuma ser alvo do tráfico de animais silvestres. Não à toa, a ave já foi considerada uma espécie ameaçada de extinção em alguns estados.
Rondon, como foi batizado, chegou ao DF em junho deste ano, após resgate em Mato Grosso; ele vai fazer companhia a Xingu, macho adulto que está em Brasília desde 2017
Mais um animal está à disposição para visitação na Fundação Jardim Zoológico de Brasília (FJZB). É o Rondon, um cachorro-do-mato-vinagre que foi resgatado no estado de Mato Grosso em maio e chegou ao Distrito Federal em junho. Na última quarta-feira (6), começou o processo de aproximação dele com Xingu, outro macho adulto da espécie que está em Brasília desde 2017. Os dois bichos podem ser encontrados na Galeria América do zoo.
Rondon foi resgatado em Rondonópolis (MT) e transportado gratuitamente de Cuiabá (MT) para Brasília pela Latam Cargo, por meio do programa Avião Solidário. O animal estava sendo criado ilegalmente por uma família desde novo, então, devido à domesticação, não havia condições de retorno à natureza.
O zoo brasiliense fez o acolhimento após recomendação do programa de conservação da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O cachorro-do-mato-vinagre é uma espécie ameaçada de extinção e, atualmente, há menos de dez mil indivíduos na natureza.
O diretor de Mamíferos do Zoológico de Brasília, Filipe Reis, explica que a espécie é gregária, ou seja, vive em grupos, e que não houve problemas com a aproximação. “Os dois se adaptaram superbem. Colocamos eles juntos com uma barreira para se conhecerem, mas logo começaram a se cheirar e tiveram comportamentos positivos”, relembra o biólogo.
Agora, companheiros de recinto, os dois vivem uma rotina sincronizada e dinâmica, com alimentação três vezes ao dia e estímulos diários de comportamentos que teriam na natureza. “É o processo de enriquecimento ambiental, no qual a gente estimula tanto a parte psicológica, como a parte motora do animal para ele não cair no tédio”, explica Reis.
“Por exemplo, colocamos carne dentro de um coco seco e jogamos na água para que os animais tenham o trabalho de conseguir o alimento. A ideia é não só que eles sobrevivam, mas que prosperem no zoo”, informa o biólogo.
Rondon estava sendo criado ilegalmente por uma família desde novo, então, devido à domesticação, não havia condições de retorno à natur:eza – Foto: Paulo H Carvalho/Agência Brasília
Antes de ficar disponível para visitação, Rondon ficou em quarentena para a realização de exames clínicos e comportamentais. A espécie é monitorada por órgãos ambientais nacionais, além da coordenação do próprio zoo, para a estruturação de um programa de reprodução e distribuição de casais pelo Brasil.
“A ideia é que a gente consiga reproduzir essa espécie para que, no futuro, os filhos, netos ou bisnetos desses indivíduos retornem para a natureza”, diz Reis. Como há dois machos em Brasília, pode ser que, futuramente, um dos dois seja remanejado para outro zoo, para aumentar a população animal.
Experiência única
O analista de sistemas Jefferson Gonçalves, 28 anos, soube da chegada de Rondon no zoo pelas redes sociais e, assim que pôde, reuniu a família para passar a tarde no local. “É interessante por ser um animal diferente, eu mesmo nunca tinha ouvido falar”, alega ele, que mora no Valparaíso.
Jefferson diz ainda que o papel do zoo na preservação dos bichos é essencial e deve ser ampliado o máximo possível. “Muitas vezes o animal vive em maus tratos, em condições precárias. E, aqui, recebe cuidado, tratamento de saúde. É uma outra vida, como uma salvação mesmo para os bichos”, completa o morador do Valparaíso.
Dominique Castro se encantou com Rondon e Xingu – Foto: Paulo H Carvalho/Agência Brasília
Já o pequeno Dominique Castro, 4 anos, nunca tinha ido ao zoo antes e se encantou com Rondon e Xingu. Ele conta que os bichos preferidos foram a dupla de cachorros-do-mato-vinagre e os jacarés. “Parece um urso, achei lindo. Eu gosto de ver os animais”, diz ele, que veio do Rio de Janeiro a Brasília para visitar familiares.
A mãe de Dominique, Gabriele Castro, 23 anos, afirma que o envolvimento do filho com a vida animal é muito positivo, assim como a preservação prestada pela zoo. “Aqui, os bichos têm uma oportunidade nova de estarem protegidos. Não estão só sendo expostos, mas são cuidados”, completa a fluminense.
Aproveite!
O zoo de Brasília abriga diversos animais, nativos ou não da fauna brasileira. O funcionamento ocorre de terça a domingo e feriados, das 8h30 às 17h. Não há venda antecipada de ingressos, logo, as entradas são adquiridas apenas no dia da visita, na bilheteria do local. O ticket custa R$ 10, a inteira, e R$ 5, a meia (restrita a determinados grupos). Mais informações no site.
Animal, ameaçado de extinção, foi visto ferido, mas ainda com vida, no início da manhã desta segunda-feira (4). No entanto, morreu horas depois; corpo foi levado ao Hospital Veterinário da UnB
Uma anta morreu após ser encontrada ferida no início da manhã desta segunda-feira (4) na Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) Norte, próximo a uma área de proteção ambiental, perto da Granja do Torto.
O animal foi avistado por volta das 6h, ainda vivo, com um ferimento na parte traseira do corpo e uma das patas quebradas, o que o impedia de levantar. Horas depois, ele não resistiu aos machucados. A suspeita é de que anta tenha sido atropelada.
O corpo foi recolhido pelo Batalhão da Polícia Militar Ambiental e levado ao Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB), para realização de autópsia. A anta é o maior mamífero terrestre da América do Sul, e está ameaçado de extinção (veja detalhes abaixo).
Chamado e resgate
Após o aviso sobre a anta ferida, a PM Ambiental foi chamada ao local para fazer o resgate, assim como uma equipe técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que faz a gestão da área de proteção ambiental perto de onde aconteceu o acidente.
As equipes chegaram ao local por volta das 8h. De acordo com a PM, a anta pode ter sido atropelada ainda de madrugada.
Segundo a equipe do ICMBio, o movimento de abrir e fechar a boca do animal indicava que ele estava com uma hemorragia interna. Com o passar do tempo, o bicho passou a reagir cada vez menos e acabou falecendo.
Ameaça de extinção
Segundo informações do ICMBio, as antas chegam a pesar 300 quilos. O animal é um importante dispersor de sementes, por conta da dieta “generalista”, com consumo de diferentes partes das plantas, como folhas, frutos, ramos e até cascas das árvores.
No entanto, a espécie está ameaçada de extinção. A população do animal, no cerrado, sofreu declínio de 67% nos últimos 40 anos, sendo que 80% das antas neste bioma têm baixa probabilidade de sobrevivência a longo prazo.
A ameaça às antas se deve principalmente a queimadas, caça, perda de habitat, avanço de territorialidade agrícola e atropelamentos.
Com o mote Revitalização Já!, ocupação cultural do Parque Ambiental do Bosque reforça a necessidade de gestão e manejo em benefício da população e da conservação do espaço
O Movimento Cultural Supernova promove, no dia 10 de julho, a primeira edição de 2022 do Domingo no Parque. O evento, que é tradição na cidade desde 2010, tem como tema “Revitalização Já!”. A ideia é ocupar com ações culturais o Parque Distrital de São Sebastião, mais conhecido como Parque do Bosque, ao mesmo tempo em que chamam a atenção para os problemas de infraestrutura presentes no local.
Com uma programação diversificada, o Domingo no Parque reúne, neste primeiro evento de julho, shows de Ana Fogaça (MPB e sertanejo) e de André Lira (música Pop); apresentação teatral do Palhaço Pepino; poesia, artes plásticas, performance literária e lançamento do livro “Dengo”, unindo Rayza Rodrigues, Priscilla Sena, Nanda Fer Pimenta e Ricardo Caldeira Também haverá pintura de rosto para as crianças e uma feirinha de alimentação, de venda de livros e de produtos da economia criativa.
Revitalização do espaço
Entre as reivindicações do coletivo cultural Supernova e de moradores da região, estão a reforma dos pergolados, da oficina da natureza, do teatro de arena e a troca da areia dos campinhos de futebol, além de novos pontos de energia, de água e banheiros. “Em 2010, foi feito todo um trabalho no Parque e ficou muito lindo, mas a falta de fiscalização e de manutenção resultou em anos de descuido e degradação, que novamente trazem riscos para quem frequenta o local”, explica Nanah Farias, coordenadora executiva do evento.
De acordo com ela, o Domingo no Parque foi indispensável para a revitalização do espaço em 2010. A ação trouxe visibilidade para a unidade, que voltou a ser frequentada pela população como um ponto de lazer e esporte. “Durante muito tempo o Parque serviu como depósito de lixo e de entulhos e havia muita violência dentro dele e no entorno. Tudo isso se modificou com a revitalização naquela época e o evento tem sido fundamental nesse processo de trazer a comunidade para o espaço e criar uma cena cultural para os artistas locais”, justificou
O Domingo no Parque será realizado entre julho e novembro, sendo uma edição por mês, com exceção de julho, quando serão realizadas duas edições – 10 e 24/07. O evento conta com o apoio do Jornal Daqui DF, Atelier Nanah Farias, da Rádio Comunitária, do Espaço Sideral, da Biblioteca do Bosque, do Fórum de Meio Ambiente, do Movimenta São Sebastião, de Bartho Naiif e da Banca de Poetas.
Foto: Divulgação
Programação
14h30 – Ana Fogaça (Música MPB e Sertanejo) 15h30 – Rayza Rodrigues (Poesia e artes plásticas), Priscilla Sena (Poesia) e Nanda
Fer Pimenta (Poesia e lançamento do livro “Dengo”)
SERVIÇO: Domingo no Parque Quando: 10/07 (domingo), a partir das 14h30 Onde: Parque Distrital de São Sebastião (Parque do Bosque) – São Sebastião (próximo ao Terminal Rodoviário) Quanto: Entrada franca
Primeira etapa de estruturação do espaço de 280 hectares de área verde tem portaria e banheiros e recebeu investimentos de R$ 8,6 milhões
O Parque Ecológico Burle Marx, no Setor Noroeste, agora tem portaria, banheiros e uma infraestrutura planejada para a prática de esportes e lazer gratuitos. Com investimentos de R$ 8,6 milhões feitos pelo Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Terracap, o espaço com quadras e parquinhos construído em meio a uma das maiores manchas de cerrado de Brasília foi inaugurado nesta sexta-feira (1º) pelo governador Ibaneis Rocha.
Voltada às superquadras 107 e 108 da região, a Ilha Oeste tem uma quadra poliesportiva, duas quadras de areia para a prática de vôlei, futevôlei e beach tennis, duas quadras de tênis e um campo de futebol gramado. Dois parquinhos infantis também foram construídos, além de um ponto de encontro comunitário (PEC), um bicicletário, bancos e pergolados para o descanso dos frequentadores. A estrutura estará aberta para uso das 6h às 21h.
Já a Ilha Leste, com a mesma estrutura, mobiliários e equipamentos e mobiliários voltados à Asa Norte, está em fase de finalização, com previsão de entrega até o final de julho. Uma terceira estrutura semelhante está em fase de planejamento.
Na mesma manhã, o governador anunciou a assinatura de uma ordem de serviço para implantação de um sistema de iluminação no parque e lembrou das ações judiciais e queixas dos moradores que investiram em imóveis com a promessa de estruturação do Parque Burle Marx – o que só ocorreu nesta gestão, dez anos depois da criação do bairro.
“Assumi o compromisso de entregar o parque aos moradores assim como estava no papel. Com a confiança deles e o apoio dos empresários, isso foi possível. Tenho certeza que esse investimento de construir o parque e tirá-lo do nada vai ficar na história”, declarou Ibaneis Rocha. “É a consolidação do que foi prometido na inauguração do Noroeste muitos anos atrás”, completou o presidente da Terracap, Izidio Santos Junior.
Gerido pelo Brasília Ambiental, o Parque Ecológico Burle Marx está localizado em uma das maiores manchas de cerrado, entre o Setor Noroeste e a Asa Norte, com 280,67 hectares de área verde. Por se tratar de uma área de preservação ambiental, há regras de uso.
A presença de animais domésticos de pequeno porte com guias e de médio e grande porte com focinheiras é permitida, mas o trânsito de bicicletas, não. “Temos que compatibilizar os interesses: a preservação dos recursos naturais e o uso público”, afirmou o secretário-executivo do instituto, Thulio Moraes.
Willian Ferreira, 49 anos, é morador do Setor Noroeste e disse estar satisfeito com nova a infraestrutura de esporte e lazer do Burle Marx. Policial aposentado e jogador de hockey inline, ele já foi conferir o que agora tem bem perto de casa. “Isso aqui ficou sensacional. Tem tudo no mesmo lugar para modalidades variadas”, observa. Quem também gostou do que viu foi o servidor e professor de tênis Alexandre Luniere, 52 anos. “Um espaço como este, bem feito e planejado, é muito bom para a cidade.”
A solenidade de inauguração contou com a presença de outras autoridades políticas, como o vice-governador, Paco Brito; os secretários de Governo, José Humberto Pires, e de Esportes, Giselle Ferreira de Oliveira; e a deputada federal Celina Leão.
O Ezechias Heringer recebe mais de 10 mil visitantes por mês; frequentadores destacam boa infraestrutura do local
Administrado pelo Instituto Brasília Ambiental, o Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará, é apontado pelos usuários como um dos locais mais organizados e seguros para a prática de atividades físicas em meio à natureza. A unidade recebe, mensalmente, mais de 10 mil visitantes.
Um dos frequentadores assíduos do parque é o militar do Corpo de Bombeiros Valtemir Alves Ferreira, 76 anos. Ele descreve a unidade como bem-cuidada, segura, com boa infraestrutura, que inclui estacionamento, bebedouros e banheiros.
“Podemos deixar o carro estacionado e caminhar à vontade na pista, sem preocupações. O contato com a natureza é excelente; podemos fazer atividade física respirando ar sem poluição. É isso que me faz vir sempre a esse parque”, afirma.
A bancária Cibele Silva Oliveira, 38 anos, endossa a tranquilidade do Ezechias Heringer. “Gosto da natureza local, que é muito bem cuidada. Quando estou andando, respiro ar puro, e faço minha atividade física. O lugar é muito bacana e o ambiente familiar.”
O Parque Ezechias Heringer é formado por 350 hectares, ocupando as áreas 27 e 28 do Guará. A segunda área contém os equipamentos públicos citados pelos frequentadores e mais a sede administrativa, parquinho infantil, quadra de areia, quadras poliesportivas, 2.800 metros de trilha, pista de ciclismo, caminhada e cooper, praça de convivência, entre outros atrativos.
Foto: Brasília Ambiental
Preservação
Sabedores de que o parque é uma unidade de conservação (UC) lembram a importância de usá-la com consciência ambiental e acreditam que precisa haver mais compreensão dos frequentadores, porque ainda existem pessoas que jogam papel no chão e lixo dentro do parque.
Outras andam de bicicleta com muita velocidade, trazendo risco de atropelar quem está a pé. “Então, é necessário ter mais cuidado da parte de quem usa esse espaço tão especial. Mais conscientização, pois o parque é um lugar que precisa ser preservado”, enfatiza o militar Valtemir Ferreira.
A UC foi criada em 1960 com o objetivo de preservar as margens do córrego Guará, que abastece o Lago Paranoá. Mas sua criação legal só se deu em 1998, pela Lei nº 1.826. Seu nome é uma homenagem ao agrônomo pioneiro Ezechias Heringer, que dedicou sua vida a estudar a flora e a fauna do cerrado.
O parque possui cerrado típico, campos de murundus e densa mata de galeria. É dotado de grande biodiversidade, um lugar onde em meio à caminhada pode-se, por exemplo, deparar-se com uma lobelia brasiliensis, planta endêmica que representa bem a flora do parque.
Está aberto à visitação diariamente, das 6h às 22h.
Remodelado recentemente, espaço é um dos mais procurados pelos visitantes, recebendo uma média de 300 pessoas a cada fim de semana
Elas são as musas do vento, do ar e do tempo. Coloridas e aladas, as borboletas encantam pela simetria e delicadeza do voo flutuante e são destaque, claro, da nova estrutura do borboletário do Jardim Zoológico de Brasília. Inaugurado em outubro de 2006, o espaço é um dos preferidos pelos, recebendo uma média de 300 pessoas a cada fim de semana.
“O borboletário é um espaço de imersão do visitante em uma área que se assemelha ao ambiente natural das espécies, ajudando a desmistificar esses animais”, valoriza a bióloga e chefe do Núcleo de Répteis, Anfíbios e Artrópodes do Zoo de Brasília, Gabriela Carvalho.
Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília
O espaço, remodelado e aberto aos visitantes desde março, conta com nova cúpula e três ambientes divididos em floresta, brejo e uma área aberta. O objetivo é simular o habitat natural para diferentes espécies de borboletas. Tudo pensado para o bem-estar das quase 30 espécies que bailam pelo local e fazem a festa da garotada e de muitos adultos também. Todas são endêmicas do cerrado, ou seja, naturais da região.
“São os animais mais populosos do planeta e muito importantes para o ciclo de vida na terra. A diversidade deles é grande. Geralmente o pessoal gosta porque são coloridas, fofinhas e têm o ciclo de vida emblemático”, observa o biólogo e monitor de Educação Ambiental do Zoo de Brasília, Jean Victor, tentando decodificar o fascínio das pessoas pelo inseto.
“A pegada do borboletário, quando começou, era de visitação; agora que reabriu, estamos com visitas guiadas para levar informação ao público e fazer esse trabalho educativo”, explica Jean Victor.
O espaço é um dos mais queridos dos visitantes do Zoo, com média de 300 visitantes nos fins de semana – Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília
O borboletário também passa a contar com a Sala de Artrópodes, onde o público pode conhecer os hábitos e a vida de bichos como aranhas, escorpiões e formigas. As visitas podem ser feitas de quarta a domingo, sempre das 9h às 12h e das 13h30 às 16h30. É permitida a entrada de grupos de dez pessoas a cada 15 minutos.
O tour guiado didático, além de informar, ajuda a esclarecer alguns mitos. O mais comum deles, talvez, é com relação ao pó expelido pelas asas das borboletas. Já o famoso ciclo dos lepidópteros se divide em quatro fases: ovo, larva, casulo ou crisálida e a exuberante fase adulta, que representa sua maturidade sexual, podendo reproduzir.
“As asas das borboletas são compostas por um monte de escamas; e, quando a gente entra em contato, causa irritação, só isso. Não existe borboleta venenosa, elas são inofensivas”, esclarece Jean Victor. “As pessoas associam o ciclo da borboleta à questão de renascimento. Ela sai do ovo e vira uma lagarta, passando por um processo de metamorfose que para muita gente é simbólica, mexe com as pessoas”, analisa o biólogo.
No DF, existem aproximadamente 500 espécies de borboletas. Segundo Gabriela Carvalho, o número de espécies do borboletário varia ao longo do ano devido à oscilação natural. “Essa oscilação ocorre devido ao período de reprodução de cada espécie, onde cada uma pode ser mais abundante num mês ou numa estação”, explica.
Das espécies que circulam pelo borboletário do Jardim Zoológico de Brasília, a mais comum é a borboleta-coruja, popularmente identificada como bruxinha e com um “olho” estampado nas asas. As mais coloridas são da espécie monarca, que mistura esfuziante laranja com detalhes pretos, e a borboleta-seda, de um azul hipnotizante. Chama atenção também a elegante rosa-de-luto, toda de preto com detalhes rosa, bastante comum nesta época do ano.
Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília
Fascínio do público
Ainda segundo a profissional, cada espécie apresenta um papel ecológico. As borboletas, de forma geral. são importantes para a polinização de diversas espécies de plantas. “Também apresentam papel importante na cadeia alimentar, servindo como alimento para diversas outras espécies – o que funciona também como um controle populacional, tanto das presas quanto dos predadores”, detalha Gabriela.
Criado em ambiente rural, o personal trainer Hugo Alves, 33 anos, desde criança é fascinado pelas borboletas. Uma admiração que transferiu geneticamente para o filho Ezequiel, de 9 anos. “Gosto bastante, fico encantado pelas cores, o voo delas… Meu filho estava curioso em conhecer o borboletário, por isso o trouxemos”, relata. “É muito legal o jeito que ela voa”, conta o filho, tentando, em vão, pegá-las no ar.
Já a estudante Maria Eduarda Araújo, 16 anos, é fisgada pelas cores vibrantes das asas das borboletas. “Gosto de conhecer as diferentes espécies que existem. Pela beleza também, porque as cores são muito bonitas”, destaca a jovem, que já estava com saudade do espaço. “Venho aqui desde pequena; estava triste porque estava fechado, mas ficou muito melhor com a reforma”.
Equipamento feito pelo SLU em parceria com administração regional vai transformar resíduos orgânicos em adubo para horta comunitária do parque da região
O Sudoeste é a primeira região administrativa de Brasília a ter uma composteira pública urbana. Construído pelo Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da administração regional e do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), o equipamento vai transformar resíduos orgânicos em adubo e atender a produção da horta comunitária localizada na lateral do Parque Bosque do Sudoeste.
A composteira segue modelo construído no mês passado na Usina de Tratamento Mecânico Biológico do SLU no P Sul, em Ceilândia. No primeiro trimestre deste ano, o espaço foi responsável por produzir e doar a pequenos e médios produtores rurais cerca de 832 toneladas mensais de resíduos orgânicos de outras origens.
A proposta da composteira do Sudoeste é que, além da comunidade, restaurantes parceiros da região abasteçam a estrutura com resíduos orgânicos – como restos de alimentos não cozidos, casca de ovos e frutas, borra de café, saquinhos de chá.
“Isso dará a eles a chance de sair da condição de grandes geradores de lixo [quem produz 120 litros por dia] e, ao descartarem menos, poderem deixar de pagar taxa extra pela coleta”, ressaltou o diretor-presidente do SLU, Silvio Vieira.
Os resíduos orgânicos são responsáveis pela produção de 50% do lixo recolhido no DF. O governo tem investido na expansão da coleta seletiva – que gera renda para os catadores e já abrange quase 100% da área urbana –, estimulando a produção de composteiras em condomínios residenciais.
Além de ensinar como fazer a coleta (veja aqui), o órgão disponibiliza técnicos para orientar na construção e montagem da estrutura. A composteira do Sudoeste foi planejada pela engenheira ambiental do SLU Mayara Menezes. “Ao definirmos estratégias, conseguimos reduzir bastante o que é aterrado no aterro sanitário e que pode poluir o meio ambiente”, disse ela.
Ao custo aproximado de R$ 4 mil, a estrutura é própria para depósito e compostagem de materiais orgânicos que, em vez de serem descartados na natureza, são transformados em húmus. O adubo do solo com esse material rico em matéria orgânica deixa a terra mais porosa, mantendo a água à disposição das plantas por mais tempo.
Ao lado da composteira foi construída uma caixa para descarga do biofertilizante, líquido que, diferentemente do chorume, que não tem contato com o oxigênio e é poluente, é ainda mais rico em componentes orgânicos para adubação.
O administrador regional do Sudoeste, Júnior Vieira, garante que a proposta é seguir a orientação do governador Ibaneis Rocha de atender a população no que for preciso. “E a construção da composteira para a nossa horta comunitária, que produz alimentos, ervas medicinais e agora adubo, vai de encontro a isso”, ressalta.
As moradoras Ykuio Nakamura, 78 anos, e Anelise Pulschen, 59, são duas das responsáveis pelo cultivo de hortaliças, frutas e plantas medicinais na horta comunitária do Bosque do Sudoeste. Até então fazendo a compostagem de orgânicos em menor escala por meio de um minhocário, elas agora se sentem animadas com o novo equipamento.
“Já recebemos apoio do governo por meio da Emater, com ferramenta,s e estávamos batalhando por adubo. Agora, com a composteira, nem vamos mais precisar”, comemora Ykuio.
Frequentadores ressaltam a importância de preservar a unidade de conservação, que garante ar puro e qualidade de vida
Segurança, parquinho infantil, pista de cooper, ciclovia, viveiro de mudas nativas e medicinais, área de educação ambiental, nascentes, piscina natural, cerrado preservado e outras belezas naturais estão entre os atrativos disponíveis aos frequentadores do Parque Ecológico Riacho Fundo.
Frequentador do local desde criança, o músico Gabriel Ramon Monteiro Rodrigues, 31 anos, aponta a natureza local e a infraestrutura para a prática esportiva como principais motivações para ir à unidade de conservação gerida pelo Instituto Brasília Ambiental. “O lugar é cheio de nascentes e um dos poucos onde se pode ver a flora autêntica do cerrado”, diz. “Além de ser muito tranquilo, é meu local preferido para me exercitar”.
O pastor Claudenilson de Souza e Silva, 44, também frequenta o parque sempre que pode. “Procuro ter um pouco mais de qualidade de vida para amenizar o corre-corre diário com esse ar puro, essa tranquilidade, esse momento de paz”, afirma. “É um lugar muito tranquilo, cercado de segurança e verde. Essa tranquilidade aqui é o que nos atrai todos os dias”.
Usando a máxima popular “quem ama, cuida” os frequentadores lembram a importância de preservar a unidade de conservação. “Não depende só do pessoal que é responsável pelo parque”, aponta o pastor Silva. “Todos somos responsáveis. Então, se as famílias se conscientizarem, com certeza, a gente vai ter esse lugar por muitos e muitos anos”.
O Parque Ecológico Riacho Fundo foi criado pelo Decreto-lei nº 1.705/97 com o objetivo de garantir a diversidade biológica da fauna e flora locais, preservando o patrimônio genético e a qualidade dos recursos hídricos disponíveis. A unidade abrange uma área de 480 hectares e recebe uma média mensal de 6,4 mil visitantes, possuindo estrutura de educação ambiental com sala de aula, galpão coberto e trilha ecológica.
O parque conta hoje com viveiro de mais de 100 mudas de plantas nativas do cerrado, das quais 50 são medicinais, aromáticas e condimentares. A produção é resultado de um trabalho conjunto de voluntários da comunidade local com os agentes da unidade de conservação.
Orientações estão no Plano de Manejo definido para a unidade de conservação, que também estabelece zoneamento para a área
O Parque Ecológico do Tororó, localizado na região administrativa de Santa Maria, teve aprovado seu Plano de Manejo, documento técnico que inclui aspectos como o uso da área, manejo dos recursos naturais e implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade de conservação (UC).
O Instituto Brasília Ambiental publicou, no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) da última quarta-feira (8), a Instrução Normativa nº 13, que aprova o plano. A diretora de Implantação de Unidades de Conservação e Regularização Fundiária da autarquia, Carolina Lepsch, ressalta que o estudo é, acima de tudo, um instrumento de planejamento.
“O Plano de Manejo estabelece, a partir dos objetivos definidos no ato de criação do espaço ecológico, diretrizes e normas de uso mediante o zoneamento ambiental, que visa proteger seus recursos naturais”, explica a diretora.
Harmonia
O Parque Ecológico do Tororó, localizado no encontro entre a BR-251 e a DF-140, foi criado pelo Decreto nº 25.927, de 14 de junho de 2005. O local atrai praticantes de ecoturismo interessados em percorrer trilhas de média dificuldade, a pé ou de bicicleta, e praticar rapel.
Com uma área de 322,75 hectares, a unidade de conservação estimula o desenvolvimento de educação ambiental e das atividades de recreação e lazer em contato harmônico com a natureza, além de proteger paisagens naturais e incentivar atividades de pesquisa, estudos e monitoramento ambiental.