Categoria: Brasil

  • Acidente no Rio Grande expõe perigo oculto nas águas do Paranoá e Corumbá IV: ASBRANAUT alerta autoridades

    Acidente no Rio Grande expõe perigo oculto nas águas do Paranoá e Corumbá IV: ASBRANAUT alerta autoridades

    Trapiches abandonados às margens do lago Paranoá ligam alerta, após acidente no Rio Grande (MG) com seis vítimas fatais – Foto- Bertolucci

    Uma tragédia que marcou o último fim de semana acendeu um sinal de alerta vermelho para a segurança da navegação em águas interiores brasileiras. Na noite de sábado, 21 de fevereiro, uma lancha que navegava no Rio Grande, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, nas imediações de Sacramento, colidiu contra um piér sem qualquer iluminação. O impacto foi devastador: seis pessoas morreram, incluindo a mãe e uma criança de apenas quatro anos de idade. Entre as vítimas estava o próprio piloto, que não possuía habilitação náutica (Arrais-Amador), conforme apurado pelas autoridades. O acidente ainda deixou vários passageiros feridos e chocou familiares e comunidades ribeirinhas que frequentam o rio nas horas de lazer.

    O episódio, além de uma dolorosa perda de vidas, evidencia um problema recorrente que não é exclusivo da região sul de Minas: a presença de obstáculos não sinalizados em vias navegáveis interiores e o uso imprudente de embarcações durante a noite. “A falta de iluminação e de autorização da Marinha para estruturas como pieres e trapiches expõe quem navega, seja para lazer ou trabalho, a perigos evitáveis e potencialmente fatais”, afirma o presidente da Associação Náutica, Esportiva e do Turismo de Brasília (Asbranaut), João Carlos Bertolucci, que vem alertando as autoridades marítimas sobre esses riscos.

    O passado sombrio de Brasília: quando o Lago Paranoá virou cena de um naufrágio

    O alerta traz à memória um dos episódios mais dramáticos da história recente de Brasília. No dia 22 de maio de 2011, uma embarcação de turismo denominada Imagination, com capacidade autorizada para transportar até 93 pessoas, navegava no Lago Paranoá durante a noite quando afundou e deixou pelo menos nove mortos, incluindo um bebê de seis meses. A embarcação virou a cerca de 1 km da margem, e dezenas de pessoas tiveram que ser resgatadas das águas escuras do lago. Os relatos da tragédia apontaram para a possibilidade de superlotação e para a falta de condições adequadas de operação e segurança, apesar de o lago ser um dos principais pontos de recreação aquática da capital federal.

    O alerta foi  feito pelo presidente da Associação Náutica, Esportiva e do Turismo de Brasília – Asbranaut -, João Carlos Bertolucci – foto – Divulgação.

    Esse episódio marcante, ocorrido a menos de uma década e meia, mostra que o perigo de acidentes graves em represas e lagos interiores não é mera hipótese. A tragédia de 2011 deixou claro que embarcações comerciais ou recreativas, mesmo quando aparentemente seguras, podem se tornar letais em condições inadequadas de navegação noturna, superlotação e falta de sinalização adequada no entorno dos obstáculos aquáticos.

    Perigo oculto no Lago Paranoá: estruturas abandonadas e pieres sem sinalização

    A realidade vivida em Brasília hoje pode estar caminhando para uma versão diferente, mas igualmente perigosa, do mesmo problema. Nos últimos anos, com a desobstrução da orla do Lago Paranoá e o recuo compulsório das construções às margens para garantir acesso público, muitos proprietários de trapiches retiraram apenas as tábuas de piso dos pieres, deixando as estruturas verticais submersas ou semi-submersas sem qualquer iluminação ou sinalização náutica. Essas estruturas abandonadas, agora se tornaram verdadeiras armadilhas para embarcações que navegam à noite nas proximidades das margens.

    Condições precárias dos pieres no ponto turístico Concha Acústica – foto: JCBertolucci 

           Segundo o presidente da Asbranaut, João Carlos Bertolucci, “a ausência de sinalização e iluminação em estruturas obsoletas ao longo do Paranoá representa um risco iminente de acidentes graves ou fatais, especialmente quando associada à navegação recreativa após o pôr do sol”. A entidade já oficializou alertas à Capitania Fluvial de Brasília,  instando por inspeções, remoção ou regularização dessas estruturas e pela implementação de um sistema de iluminação e marcação náutica que possa prevenir colisões, acidentes e perdas de vidas.

    Além disso, o Lago Paranoá concentra centenas de pieres pertencentes a clubes, hotéis e residências que devem ser fiscalizados pela autoridade marítima competente. Em muitos casos, alguns deles, sequer dispõem de iluminação de navegação, tornando quase invisíveis obstáculos potencialmente fatais quando acima do espelho d´água ou semi-submersos após o anoitecer.

    Risco similar em Corumbá IV: águas goianas também carecem de regulação

    Não é apenas Brasília que enfrenta esse cenário de riscos ocultos. No Lago de Corumbá IV, em Goiás, região que também recebe intensa navegação recreativa durante fins de semana e feriados, em decorrência das centenas de condomínios. A maioria deles construíram trapiches e pieres às margem da represa sem apresentar projetos à Capitania Fluvial do estado e sem garantir sinalização adequada para navegação noturna. Essas estruturas improvisadas multiplicaram potenciais pontos de impacto para embarcações que trafegam em velocidade ou com pouca visibilidade.

    A falta de regulamentação, fiscalização e iluminação dessas estruturas, combinada com a crescente ocupação náutica dos lagos interiores, cria um cenário propício para acidentes graves, alguns possivelmente com consequências tão trágicas quanto o ocorrido no Rio Grande ou até mesmo como os episódios históricos em Brasília”, ressalta Bertolucci. Ele reforça que, sem medidas urgentes de ordenamento e fiscalização, não apenas a segurança de lazer será comprometida, mas vidas poderão ser ceifadas em águas que deveriam ser de convivência e recreação.

    Ação e responsabilidade: um chamado à autoridade marítima

    Diante dos fatos, a Asbranaut tem intensificado seus esforços de comunicação com as Marinhas de Brasília e Goiás, exigindo que sejam tomadas providências como:

    • inspeção sistemática de todas as estruturas de apoio à navegação (pieres, trapiches e atracadouros);
    • obrigatoriedade de projetos aprovados e certificados pela autoridade marítima;
    • instalação de sistemas de iluminação e sinalização náutica conforme normas;
    • campanhas educativas para usuários de embarcações de recreio;
    • fiscalização intensificada da habilitação de condutores de embarcações recreativas.

    A tragédia no Rio Grande, a memória dolorosa do naufrágio de 2011 no Lago Paranoá, e o cenário hoje presente nos lagos do Centro-Oeste servem como um alerta urgente: sem medidas concretas de segurança, fiscalização e regulação rigorosa, a próxima grande tragédia pode estar apenas a uma noite de distância – entre o brilho de uma festa e as águas escuras que escondem perigos invisíveis, muitas vezes, improvisados.

  • O Lago Paranoá e o desenvolvimento econômico no DF

    O Lago Paranoá e o desenvolvimento econômico no DF

    Pôr do Sol, lago Paranoá de Brasília –  crédito – João Carlos Bertolucci

    Das 27 Unidades da Federação, o Rio de Janeiro é pioneiro na criação de uma estrutura governamental especificamente voltada para a “Economia do Mar”. O estado tem estrutura consolidada e explicitamente dedicada ao tema, por meio da Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (SEENEMAR) e da Comissão Estadual de Desenvolvimento da Economia do Mar (CEDEMAR), que funciona como um órgão consultivo ligado à secretaria e da qual participo no Grupo de Trabalho de Cultura e Turismo. Outros estados possuem órgãos com nomes e configurações diferentes que também se dedicam a setores-chave da Economia Azul. São Paulo tem o Fórum da Economia Azul Sustentável, que articula ações e debate políticas públicas para o setor. Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Santa Catarina, de forma mais tímida, normalmente por meio de secretarias de Pesca, de Desenvolvimento Econômico ou de instituições acadêmicas, começam a formular diretrizes para regular a economia azul, que inclui setores importantes como o de Petróleo e Gás, o de Transporte Marítimo, o de Pesca e Aquicultura, o de Turismo e o de Energias Renováveis. Todos eles impactam a vida das pessoas com grande peso econômico, afetando a geração de emprego e renda, pela produção de energia e alimentos de forma sustentável ou pela atração de turismo, essa indústria global maciça.

    Brasília não tem mar. Nem por isso pode esquecer do Lago Paranoá, corpo d’água artificial, como fonte de lazer náutico, esportivo e de turismo. É de fundamental importância que o poder público providencie o bom cuidado do lago. Sinalização adequada favorece a utilização das águas do Paranoá, inclusive como modal de transporte público. Outras intervenções incluem a construção de um atracadouro público flutuante com um Centro de Atendimento ao Turista na cabeceira norte da Ponte JK (lado dos restaurantes) e a retirada dos restos das estruturas de píeres deixadas pelos moradores no recuo das cercas com a desocupação da Orla – perigo iminente de acidentes com embarcações. Outras iniciativas benvindas serão a construção de uma marina pública –a primeira do Centro-Oeste e a realização de jornadas náuticas educativas atendendo alunos das redes pública e privada para fomentar o espírito de conservação ambiental e de utilização racional desse recurso hídrico que é símbolo da Capital Federal. Já passou da hora de se dar atenção à importância do Lago Paranoá como vetor de desenvolvimento econômico sustentável em Brasília.

     

     

  • Silas Malafaia: o pregador que perdeu o púlpito para o próprio eco

    Silas Malafaia: o pregador que perdeu o púlpito para o próprio eco

    Malafaia: Aparições públicas não é indignação política legítima, mas um espetáculo constrangedor de destempero emocional

    Uma das figuras mais barulhentas no processo eleitoral que levou Jair Bolsonaro ao Planalto foi o pastor Silas Malafaia. À época, vestiu-se de paladino da moral, dos bons costumes e da fé cristã. Curiosamente, trata-se do mesmo personagem que, em outros momentos da história recente, não teve qualquer constrangimento em apoiar Lula e o PT. Convicção ideológica nunca foi seu forte. Malafaia sempre se guiou pelo vento — e ele muda conforme a conveniência.

    Com a derrota de Bolsonaro para aquele que já foi seu aliado político, Malafaia parece não ter assimilado o veredicto das urnas. Desde então, mergulhou num estado permanente de exaltação, protagonizando uma sequência de falas agressivas, desconexas e histriônicas. Ataca tudo e todos, como quem dispara palavras sem alvo, numa metralhadora giratória de ressentimento e vaidade ferida.

    O ministro do STF Alexandre de Moraes tornou-se seu inimigo obsessivo, quase um antagonista de ficção. Mas o surto retórico não se limita ao Judiciário. Em dias alternados, sobram ataques aos filhos de Bolsonaro — ora o “01”, ora o “02” — e até à ex-primeira-dama Michelle, numa escalada que mistura rancor, oportunismo e evidente perda de rumo. Coerência, há tempos, deixou de frequentar seus discursos.

    O que se vê em suas aparições públicas não é indignação política legítima, mas um espetáculo constrangedor de destempero emocional. O púlpito virou palanque, o sermão virou chilique e a fé foi empurrada para o rodapé. A figura do líder espiritual deu lugar à caricatura de um homem que fala alto, grita muito e convence cada vez menos.

    Não surpreende que parte do rebanho esteja se afastando. Fiéis que buscavam orientação espiritual agora assistem a ataques raivosos e teorias conspiratórias. Quando a fé cansa, o templo esvazia. E quando o templo esvazia, o poder simbólico desmorona.

    A ironia final é cruel: Silas Malafaia, que se vendeu como voz de milhões, hoje parece falar apenas para o próprio eco. Diante dos mesmos fiéis que um dia o enxergaram como guia espiritual, o que se projeta agora é a imagem de um líder derrotado — não apenas nas urnas, mas no altar da própria credibilidade.

  • O “imbróglio” politico de Arruda

    O “imbróglio” politico de Arruda

    José Roberto Arruda permanece inelegível, mas está nas ruas pavimentando uma possível candidatura, que dependerá de uma reviravolta política (Crédito: João Carlos Bertolucci)

    O ex-governador José Roberto Arruda, cassado em 2009 na esteira da Operação Caixa de Pandora, filiou-se nessa segunda feira (15), ao PSD e anunciou intenção de disputar novamente o Governo do Distrito Federal. A operação Pandora mostrou esquema de corrupção que levou à sua queda e a condenações por improbidade administrativa em processos conexos. Apesar da filiação com a presença de mais de 5 mil pessoas e do apoio público a seu nome, Arruda continua formalmente com restrições judiciais: o Superior Tribunal de Justiça manteve entendimento que o torna, por ora, inelegível em razão de condenações ligadas à Caixa de Pandora. Isso significa que sua efetiva candidatura dependerá de reviravoltas jurídicas ou de decisões que revertam ou atenuem essas sentenças. A filiação ao PSD foi marcada por manifestações de lideranças nacionais da sigla, e o movimento reacendeu articulações políticas locais, inclusive com menções ao empresário Paulo Octávio (presidente regional) e à aliança histórica entre ambos. No entanto, há sinais de cautela e dissenso interno sobre apoiar a postulação de Arruda neste momento.

    Em outubro de 2025, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisou recurso da defesa e, por unanimidade, manteve a condenação por improbidade administrativa no caso Caixa de Pandora, rejeitando os argumentos que buscavam anular parte das provas, como a gravação ambiental utilizada no processo.

    Que recursos foram cabíveis?
    A defesa tentou reverter a condenação no STJ sustentando haver um “fato superveniente” (anulação de uma escuta pela Justiça Eleitoral) que poderia comprometer a sentença. O STJ entendeu, porém, que a condenação se apoiou também em provas documentais e testemunhais e, assim, rejeitou o recurso.

    Status atual da elegibilidade
    Oficialmente, Arruda permanece inelegível por causa da condenação por improbidade administrativa mantida pelo STJ, que acarreta suspensão dos direitos políticos e o torna impedido de disputar eleições – pelo menos em termos legais diretos.

    Possibilidades jurídicas para ele concorrer
    Embora a condenação esteja mantida, há debate jurídico em torno de mudanças recentes nas regras de inelegibilidade, que podem estabelecer prazos (como 8 a 12 anos) contados da condenação por órgão colegiado — e cuja aplicação a casos antigos ainda será interpretada pelas instâncias eleitorais. Alguns advogados defendem que, sob essa perspectiva, Arruda poderia ser elegível em 2026, dependendo de como a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF) interpretarem as normas e eventuais efeitos retroativos.

  • Que país é esse…?

    A pergunta “Que país é esse?” não é nova, tampouco pertence exclusivamente a um autor ou a um momento específico da história brasileira. Imortalizada na canção da Legião Urbana, escrita por Renato Russo em 1978 e lançada em 1987, a indagação atravessou décadas como um grito de inconformismo diante das desigualdades, dos abusos de poder e das contradições do Brasil. Mais tarde, Cazuza também ecoaria esse questionamento em sua música “Brasil”, inspirada na mesma inquietação, retratando o abismo entre pobres e ricos e a sensação de abandono social.

    Passados tantos anos, a pergunta segue atual e perturbadora. Analistas da grande imprensa, em diferentes veículos, demonstram indignação ao observar um país em que a punição a golpistas convive com parte do eleitorado disposta a relativizar a democracia; em que comportamentos autoritários são naturalizados; e em que cenas simbólicas, como pessoas ajoelhadas rezando para um pneu, revelam um cenário de perplexidade coletiva. Os números reforçam esse quadro alarmante: quase 45 mil assassinatos por ano, cerca de 35 mil mortes no trânsito, cidades brasileiras entre as mais violentas do mundo e o crescimento acelerado das favelas, que hoje abrigam milhões de cidadãos.

    Diante desse retrato, o autor amplia o questionamento e o transforma em uma sequência de indagações que escancaram a brutalidade cotidiana. Que país é esse em que operações policiais resultam em dezenas de mortos em um único dia, com policiais também vitimados, enquanto outros são flagrados cometendo crimes? Que país é esse que figura entre as maiores economias do planeta, mas mantém milhões de pessoas na miséria, quase cem milhões sobrevivendo com um dos menores salários mínimos da América do Sul e dezenas de milhões sem perspectivas claras de trabalho?

    A lista segue com episódios de extrema violência e desumanização: crimes bárbaros contra crianças, feminicídios em números alarmantes, tragédias familiares provocadas por ódio e intolerância, além de escândalos envolvendo grandes sonegadores que escapam impunes. Soma-se a isso a presença de líderes religiosos que ameaçam os mais vulneráveis e figuras expulsas das Forças Armadas que, paradoxalmente, ascendem como referências políticas.

    Ao repetir insistentemente a pergunta “Que país é esse?”, o texto não busca uma resposta simples, mas provoca reflexão. Trata-se de um grito de indignação, um convite à consciência crítica e um alerta: enquanto essas contradições persistirem, a pergunta continuará ecoando — incômoda, urgente e necessária.

  • Uma ponte de R$ 709 milhões sobre um lago sem trapiches

    Uma ponte de R$ 709 milhões sobre um lago sem trapiches

    Sem estrutura náutica adequada para a navegação e com pontos turísticos às suas margens completamente abandonados, o GDF deixa o setor náutico de lado, mais uma vez.

    O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER), deu início a um dos maiores investimentos dos últimos anos. Em novembro, foi publicado o Edital de Concorrência Eletrônica nº 90028/2025, que trata da contratação de empresa especializada para a implantação da nova ponte da Barragem do Paranoá e do sistema viário associado sobre a Estrada Parque Contorno (DF-001).

    rata-se, sem dúvida, de uma obra relevante para a mobilidade da capital federal, especialmente diante da realidade crítica do trânsito naquela região, com potencial para melhorar significativamente a circulação dos ônibus do transporte público, que hoje levam horas para cumprir percursos relativamente curtos entre as cidades naquela região. É de conhecimento geral que o transporte público no Distrito Federal é deficiente e incapaz de atender, de forma satisfatória, uma população que já ultrapassa 3 milhões de habitantes, distribuídos em 35 regiões administrativas e com uma extensa zona rural. Em uma capital onde cerca de 80% dos deslocamentos dependem desse modal, o caminho adotado tem sido o investimento em vias, pontes e viadutos. Ainda assim, o projeto escancara um velho paradoxo brasiliense: o avanço do concreto e do asfalto sobre um lago que permanece abandonado, sem políticas efetivas de integração urbana, ambiental e turística.

    O turismo náutico no DF, transporta cerca de 20 mil passageiros por mês, entre passeios, festas e serviços de charter, conforme o presidente da Asbranaut, João Carlos Bertolucci (foto – Divulgação)

    A nova ponte representa mais um agregado viário sobre o Lago Paranoá, que há décadas sofre com a ausência de infraestrutura adequada para o uso turístico, recreativo e náutico. Embora o governador demonstre intenção de valorizar o potencial do lago — que abriga hoje a quarta maior frota náutica do Brasil — a inércia de secretarias diretamente ligadas ao turismo impede que projetos estruturantes avancem.

     

    Governador Ibaneis Rocha e o presidente da Asbranaut, João Carlos Bertolucci – crédito – Asbranaut

    Em 2022, a Secretaria de Projetos Especiais publicou o Edital PMI nº 003/2022 com o objetivo de viabilizar a construção de uma Marina Pública no Lago Paranoá. O projeto foi vencido pela Associação Náutica, Esportiva e do Turismo de Brasília (Asbranaut), mas, passados mais de três anos, o resultado oficial sequer foi publicado no Diário Oficial do DF. O travamento do processo levanta questionamentos sobre interesses internos e ajuda a explicar por que nada avança no setor náutico do lago.

    Hoje, o turismo náutico do Distrito Federal transporta cerca de 20 mil passageiros por mês, entre passeios, festas e serviços de charter. Ainda assim, não existe um único local tecnicamente adequado para embarque e desembarque de passageiros. O único ponto utilizado para essa finalidade é o muro de arrimo do Pontão do Lago Sul, estrutura improvisada, insegura e completamente inadequada para essa função.

    Projeto vitorioso da Marina Pública do DF, realizado pela Asbranaut em 2022, PMI 003. (Travado na Secretaria de Projetos Especiais)

    A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estabelece critérios claros para a construção de píeres e trapiches destinados ao embarque e desembarque de passageiros. As normas exigem segurança estrutural, guarda-corpos, corrimãos, pisos antiderrapantes, iluminação, sinalização e, sobretudo, acessibilidade plena, com rampas adequadas, plataformas niveladas e proteção para crianças, idosos e pessoas com deficiência.

    A Marinha do Brasil, por meio das Normas da Autoridade Marítima (NORMAM) e da fiscalização da Capitania Fluvial de Brasília, também define regras rigorosas para a implantação e operação dessas estruturas, incluindo aprovação prévia de projetos, balizamento náutico, luzes de navegação e condições seguras para o transporte coletivo de passageiros. Nada disso é observado atualmente no Lago Paranoá.

    Trapiches abandonados e estrutura precária nas margens do Lago Paranoá (foto – Asbranaut)

    O abandono se estende à Orla JK, na cabeceira norte da Ponte JK — hoje reconhecida como Monumento Turístico da Capital Federal. O local, de grande beleza cênica, apresenta um cenário de desordem, com dezenas de ambulantes sem padronização, ausência de fiscalização sanitária e manipulação precária de alimentos, expondo moradores e turistas a riscos.

    A segurança da navegação é outro ponto crítico. Com mais de 40 embarcações de transporte de passageiros em operação — algumas com capacidade superior a 200 pessoas — o tema deveria ser prioridade absoluta. Tragédias como o naufrágio do barco Imagination, em 2011, que deixou nove mortos, não podem ser tratadas como um capítulo encerrado da história.

    Em todo o espelho d’água do lago, inexiste sinalização adequada por boias de demarcação, essenciais para separar áreas de banhistas, esportes náuticos e navegação. Também faltam sinalização e luzes de navegação em trapiches de marinas e clubes, e muitas rampas, em desacordo com as normas da Marinha.

    Na região da Concha Acústica, os trapiches estão destruídos, a orla tomada por barracas improvisadas e o espaço passou a ser utilizado como doca informal para construção de embarcações. Soma-se a isso a ocupação irregular por motorhomes abandonados, formando um cenário que lembra um ferro-velho a céu aberto em um dos principais cartões-postais da cidade.

    Nesse contexto, ninguém ganha. O comerciante trabalha de forma precária, o usuário se expõe a riscos, o turista se decepciona e leva uma imagem negativa de Brasília para o Brasil e o mundo — um contrassenso para uma cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

    Enquanto isso, o governo se prepara para investir R$ 709 milhões em mais um agregado viário sobre o lago. Bastaria uma meros 10% desse valor para estruturar o setor náutico, com trapiches seguros, marinas públicas, sinalização adequada e ordenamento turístico. Resta saber se, além do concreto, o Lago Paranoá receberá o respeito e o planejamento que sua importância exige.

  • Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    A política deveria ser um pilar de representação popular e serviço público. No entanto, enfrenta uma grave crise de identidade. A linha entre o interesse coletivo e o negócio privado torna-se perigosamente tênue, como exemplificado pelo caso do senador Flavio Bolsonaro. Após anunciar uma pré-candidatura independente, ele declarou que essa candidatura “tem um preço”. Esse episódio não se resume a uma manobra política; é um doloroso testemunho da mercantilização da democracia.

    Colocar à venda e botar preço em uma “candidatura imaginária” — sem o apoio de qualquer partido político de direita — transformam um potencial mandato público em uma fonte de lucro pessoal, negociável no mercado de influência. Tal prática é eticamente catastrófica, pois mina a lógica da representação, sugerindo que as alavancas do poder não emanam do povo, mas podem ser adquiridas pelo maior lance, por aqueles que detêm capital financeiro ou político. Isso pode corroer a integridade do processo eleitoral, tratando a soberania popular como um item de leilão e o cargo público como um produto, não como uma responsabilidade.

    Se não fosse pela natureza absolutamente pessoal do negócio proposto no cenário nacional — que visa livrar seu pai de uma condenação em processo legal, com direito a ampla defesa, publicidade dos atos processuais e decisões fundamentadas —, poder-se-ia também questionar a moralidade de tentar vender um mandato que não lhe pertence, e que nem se sabe se será disputado por ele. Essa candidatura imaginária se assemelha aos meios utilizados para adquirir sua luxuosa residência.

    Uma vez que o pré-candidato se apresenta afirmando ter um preço para desistir da candidatura, uma conclusão se torna evidente: não há um programa de governo. Cuida-se, apenas, um negócio, com lucro pessoal como prioridade. Essa ação cínica corrói a confiança do público e despreza os princípios democráticos. Independentemente do que ocorra, nada é mais urgente do que uma reflexão coletiva sobre os limites morais na política, para que a representação popular não seja entregue a quem a enxerga, apenas, como mais uma mercadoria, uma ferramenta para auferir vantagens

  • A pergunta de sempre

    A pergunta de sempre

    O caso do banco Master vem povoar a história de maus feitos de gente graúda. Desde o último ano do século 20, com o Banco Marka, passando pela maquiagem de balanços do Banco Panamericano, as fraudes no Opportunity de Daniel Dantas e de Naji Nahas, os escândalos do Mensalão, da Lava Jato, o grupo X de Eike Batista, o time de vôlei de ex-governadores do RJ presos por corrupção, os muitos casos de desvios no INSS, todos eles têm muita coisa em comum. As operações da Polícia Federal que revelam fraudes e golpes contra o Erário, e, em última análise, contra a própria sociedade civil tem mais semelhanças que suas denominações engraçadas – ou, no mínimo, curiosas (Papel Furado, Roleta Russa, Papa Léguas, Sem Desconto, Deus Tá Vendo, Psicose e muitas outras). Expedem-se mandados de prisão, os responsáveis ficam presos (uns por mais tempo, outros por menos), mas ao fim e ao cabo, as prisões são confortáveis e nenhum dos envolvidos cumpre a pena integralmente. Isso quando chegam a julgamento. Advogados hábeis descobrem falhas no processo investigativo e terminam por conseguir a anulação dos processos graças àquilo que muitos chamam de filigranas jurídicas.

    Ibaneis Rocha, Governador do Distrito Federal, assegura que os 17 deputados que votaram a favor da venda do BRB para o Master, que são seus aliados na CLDF, votaram por convicção – crédito ilustração

    Mas, voltando ao que interessa mais do que uma prisão dos bandidos por vingança, a pergunta que nunca cala é: Quem vai reparar o s danos causados pela gestão temerária no Master e pelas apostas duvidosas das autoridades que jogaram dinheiro público nessa ciranda financeira? É pouquíssimo provável que os responsáveis pelos bilhões jogados na pirâmide pelo governo do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e de dezenas de prefeituras não soubessem que estavam fazendo um investimento de altíssimo risco. De que maneira será garantida a aposentadoria de milhões de pensionistas? Até aqui, tudo indica que será mais uma fatura espetada nas costas de todos nós. Todos, não, porque os banqueiros devem manter seus patrimônios acumulados com seus esquemas bilionários.

  • Capital Moto Week 2025 encerra edição histórica

    Capital Moto Week 2025 encerra edição histórica

     Detonautas, com 27 anos de estrada, entregaram ao público um show carregado de memória, peso e emoção. A turnê “Elétrico” – crédito: divulgação CMW)

    O Capital Moto Week 2025 (CMW), o maior festival de motos e rock da América Latina, chegou ao fim em Brasília deixando marcas positivas e um legado de experiências inesquecíveis para motociclistas, visitantes e amantes da cultura sobre duas rodas. Durante os 10 dias de evento, realizados entre 24 de julho e 2 de agosto no Parque de Exposições da Granja do Torto, a chamada Cidade da Moto pulsou com mais de 800 mil visitantes, 300 mil motocicletas e quase 1,8 mil motoclubes de todo o Brasil e do mundo – números que reforçam a dimensão do encontro e consolidam o festival como um dos mais importantes do calendário cultural e turístico nacional. A atmosfera que se viu nos quatro dias em que nossa equipe de reportagem esteve presente foi de intensa vitalidade: milhares de motociclistas circulando entre lojas de produtos temáticos, espaços gastronômicos, ativações de marcas nacionais e internacionais, além de atrações radicais como roda gigante, tirolesa, booste e cinema ao ar livre – aspectos que reforçam a diversidade de experiências pensadas para o público do festival.

    Os números falam por si: 856 mil pessoas, 300 mil motos e 1,8 mil motoclubes cruzaram a Cidade da Moto edição 2025 (crédito: CMW)

    No centro da programação, mais de 100 shows completaram a ambientação musical, com grandes nomes do rock nacional e internacional, provas de que o CMW não é apenas um encontro de motos, mas um verdadeiro festival cultural. Bandas consagradas como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Samuel Rosa, Angra, Cidade Negra, Magic!, além de performances marcantes de artistas como Detonautas e Marcão Britto & Thiago Castanho – Charlie Brown Jr., embalaram noites de emoção e celebração, unindo diferentes gerações de fãs.

    Além do entretenimento, o evento consolidou-se como um importante vetor econômico para a capital federal. Segundo a Secretaria de Turismo do Distrito Federal, o CMW injetou cerca de R$ 60 milhões na economia local, gerou milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, além de atrair turistas de diversos estados e países e impulsionar a hotelaria, o comércio e o setor de serviços da região.

    Entretanto, a magnitude e a grandiosidade do festival também trouxeram à tona algumas questões operacionais que podem ser aperfeiçoadas já na próxima edição, agendada para 23 de julho a 1º de agosto de 2026. Um dos principais pontos refere-se à mobilidade dos pedestres no interior do evento. Com milhares de visitantes e, principalmente motos, é claro! transitando pela Cidade da Moto, ficou evidente a necessidade de corredores amplos, sinalizados e seguros para caminhada, especialmente para pessoas com dificuldade de locomoção (PDF), idosos e famílias com carrinhos de bebê. Essas adequações podem garantir maior conforto e fluidez nos deslocamentos entre os palcos, áreas comerciais, praças de alimentação e estacionamentos, promovendo assim uma experiência ainda mais acolhedora e inclusiva para todos os públicos.

    Outro aspecto que merece atenção diz respeito à estrutura da sala de imprensa. Jornalistas e equipes de cobertura que passam horas caminhando pelo vasto complexo enfrentaram limitações estruturais, como a falta de computadores disponíveis para redação de reportagens in loco, exigindo que repórteres carregassem notebooks em mochilas enquanto faziam a cobertura. A oferta de pelo menos uma estação de trabalho com computador, bem como vouchers de alimentação para a imprensa credenciada, representaria um avanço significativo no apoio aos profissionais que contribuem para ampliar a visibilidade do evento – um investimento que certamente retornaria em maior qualidade e agilidade nas mídias produzidas.

    Em meio às sugestões e desafios, o balanço geral do CMW 2025 é marcadamente positivo: trata-se de uma edição que reafirmou a força cultural do motociclismo, promoveu encontros memoráveis, impulsionou a economia local e consolidou Brasília como referência internacional em eventos de life style e música, reforçando o papel do Capital Moto Week como um dos grandes festivais do Brasil e do mundo.

  • 35 contêineres públicos no combate ao lixo urbano em Arniqueira

    35 contêineres públicos no combate ao lixo urbano em Arniqueira

              A Administração Regional de Arniqueira recebeu, no mês de novembro 35 contêineres de 500 litros cada, entregues pelo Governo do Distrito Federal por meio do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Esses equipamentos serão instalados em pontos estratégicos da cidade, especialmente nos locais onde há maior incidência de descarte irregular de resíduos.

    Telma Rufino, administradora regional de Arniqueira e Everaldo Araújo, diretor operacional do SLU, em visita às ruas da região (crédito: JcBertolucci).

    A iniciativa integra uma campanha de combate ao descarte inadequado do lixo, prática que, ao longo dos anos, tem contribuído para a degradação visual da região e para o agravamento de problemas sanitários. Os pontos que receberão os contêineres foram identificados pela Administração Regional, levando em conta áreas onde os veículos de coleta do SLU têm dificuldade de manobrar devido à configuração urbana, marcada por vias estreitas — muitas delas resultantes do processo histórico de ocupação da região.

    Lixo descartado irregularmente é um dos principais desafios da RA33 (Crédito: JcBertolucci)

    A administradora regional solicitou à Diretoria de Meio Ambiente um estudo detalhado para mapear os locais que apresentam maior volume de descarte irregular. Segundo ela, alguns desses pontos receberão atenção especial do SLU, com ações intensificadas de limpeza e campanhas de conscientização sobre o descarte adequado dos resíduos.

    Telma Rufino, ao centro, “defende um macro projeto de conscientização sobre o descarte do lixo em Arniqueira” (crédito: JcBertolucci).

    “Arniqueira é uma cidade em processo de regularização fundiária; surgiu sem
    planejamento urbano e, por consequência, possui muitas vias extremamente
    estreitas, quase vielas, o que dificulta a circulação dos caminhões de coleta.
    Em alguns desses locais, a instalação dos contêineres será fundamental para
    mitigar esse grave problema do descarte irregular”, destaca a administradora.

    A implantação dos equipamentos seguirá um modelo de parceria: cada contêiner será “apadrinhado” por uma empresa ou condomínio da região, que ficará responsável pelo monitoramento e bom uso, em articulação com a Administração Regional. O objetivo é somar esforços entre poder público e comunidade para criar uma rede de corresponsabilidade na monitoramento do contêiner.

    Equipamentos serão disponibilizados em locais com alto volume de descarte irregular do lixo, onde os veículos do SLU não tem acesso (crédito: JcBertolucci)

    O diretor operacional do SLU, Everaldo Araújo, afirma que o órgão está estudando uma nova estratégia de coleta para Arniqueira, incluindo a adoção de veículos menores, capazes de acessar áreas onde os caminhões tradicionais não conseguem entrar. “Estamos em constante diálogo com a Administração Regional para buscar alternativas que tornem a coleta mais capilar e eficiente. Isso requer novos equipamentos e um modelo de operação alinhado às características urbanas peculiares da cidade”, explica.

    As consequências do descarte irregular do lixo em Arniqueira

    O descarte irregular de resíduos sólidos é um dos principais fatores que comprometem a qualidade de vida em Arniqueira. Embora a sujeira espalhada por ruas, becos, áreas verdes e margens de córregos seja o aspecto mais visível, seus impactos vão muito além da estética urbana. Trata-se de um problema que atinge a saúde pública, o meio ambiente e a própria percepção de organização e cuidado com a cidade.

    A primeira consequência evidente é a proliferação de vetores de doenças. O lixo descartado em locais inadequados cria ambientes ideais para o acúmulo de água parada e para a reprodução de insetos e animais peçonhentos. Entre esses vetores, destaca-se o Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. Seu ciclo reprodutivo é diretamente favorecido pela presença de recipientes expostos às chuvas, como baldes, restos de móveis, plásticos e sucatas abandonadas. Ratos, baratas e escorpiões também encontram nesses pontos condições ideais de abrigo e alimentação, ampliando riscos sanitários, especialmente para crianças e idosos. Telma Rufino reforça, em suas apresentações públicas, a importância do descarte consciente do lixo, enfatizando a necessidade de maior responsabilidade e colaboração por parte da população. “Estamos trabalhando incansavelmente para deixar a cidade mais limpa. Mas, se a população não colaborar, não vamos avançar. A prática do descarte irregular traz enormes problemas para todos nós. Cada um deve fazer a sua parte. Estou sempre pedindo o apoio de todos; só assim conseguiremos manter nossa cidade mais limpa e evitar graves problemas de saúde”, destaca a administradora regional de Arniqueira.

    O impacto ambiental é igualmente severo. Resíduos depositados inadequadamente em áreas verdes ou próximos a corpos d’água podem causar contaminação do solo, obstrução de bocas de lobo e enchentes durante o período chuvoso. Materiais como plásticos e metais se degradam lentamente e permanecem no ambiente por décadas, prejudicando a fauna local e deteriorando a paisagem da cidade. Em uma região com características residenciais e áreas de preservação ambiental, como Arniqueira, esses danos são ainda mais sensíveis.

    No âmbito social, o descarte irregular gera sensação de abandono e desordem. Ambientes limpos e organizados estimulam o cuidado coletivo, enquanto espaços degradados tendem a reforçar comportamentos inadequados. A ausência de consciência ambiental e a falta de práticas corretas de separação e destinação dos resíduos alimentam um ciclo contínuo de deterioração urbana.

    Combater o descarte irregular do lixo em Arniqueira é, portanto, muito mais do que uma tarefa de limpeza: é uma ação integrada de saúde pública, preservação ambiental e fortalecimento do senso comunitário. A junção de medidas estruturais, como a chegada dos contêineres, com ações educativas, fiscalização eficaz e participação da população, é o caminho essencial para transformar essa realidade e construir uma cidade mais limpa, saudável e acolhedora.

    SLU lançou o aplicativo SLU Coleta DF, disponível para Android e iOS, que permite aos cidadãos acompanhar a rota dos caminhões de lixo em tempo real, consultar dias e horários da coleta (convencional e seletiva) e receber alertas sobre a chegada do caminhão. O app também oferece informações sobre como separar o lixo, os locais de descarte de resíduos especiais e conteúdos educativos sobre gestão de resíduos.