Categoria: Política

  • Que país é esse…?

    A pergunta “Que país é esse?” não é nova, tampouco pertence exclusivamente a um autor ou a um momento específico da história brasileira. Imortalizada na canção da Legião Urbana, escrita por Renato Russo em 1978 e lançada em 1987, a indagação atravessou décadas como um grito de inconformismo diante das desigualdades, dos abusos de poder e das contradições do Brasil. Mais tarde, Cazuza também ecoaria esse questionamento em sua música “Brasil”, inspirada na mesma inquietação, retratando o abismo entre pobres e ricos e a sensação de abandono social.

    Passados tantos anos, a pergunta segue atual e perturbadora. Analistas da grande imprensa, em diferentes veículos, demonstram indignação ao observar um país em que a punição a golpistas convive com parte do eleitorado disposta a relativizar a democracia; em que comportamentos autoritários são naturalizados; e em que cenas simbólicas, como pessoas ajoelhadas rezando para um pneu, revelam um cenário de perplexidade coletiva. Os números reforçam esse quadro alarmante: quase 45 mil assassinatos por ano, cerca de 35 mil mortes no trânsito, cidades brasileiras entre as mais violentas do mundo e o crescimento acelerado das favelas, que hoje abrigam milhões de cidadãos.

    Diante desse retrato, o autor amplia o questionamento e o transforma em uma sequência de indagações que escancaram a brutalidade cotidiana. Que país é esse em que operações policiais resultam em dezenas de mortos em um único dia, com policiais também vitimados, enquanto outros são flagrados cometendo crimes? Que país é esse que figura entre as maiores economias do planeta, mas mantém milhões de pessoas na miséria, quase cem milhões sobrevivendo com um dos menores salários mínimos da América do Sul e dezenas de milhões sem perspectivas claras de trabalho?

    A lista segue com episódios de extrema violência e desumanização: crimes bárbaros contra crianças, feminicídios em números alarmantes, tragédias familiares provocadas por ódio e intolerância, além de escândalos envolvendo grandes sonegadores que escapam impunes. Soma-se a isso a presença de líderes religiosos que ameaçam os mais vulneráveis e figuras expulsas das Forças Armadas que, paradoxalmente, ascendem como referências políticas.

    Ao repetir insistentemente a pergunta “Que país é esse?”, o texto não busca uma resposta simples, mas provoca reflexão. Trata-se de um grito de indignação, um convite à consciência crítica e um alerta: enquanto essas contradições persistirem, a pergunta continuará ecoando — incômoda, urgente e necessária.

  • Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    A política deveria ser um pilar de representação popular e serviço público. No entanto, enfrenta uma grave crise de identidade. A linha entre o interesse coletivo e o negócio privado torna-se perigosamente tênue, como exemplificado pelo caso do senador Flavio Bolsonaro. Após anunciar uma pré-candidatura independente, ele declarou que essa candidatura “tem um preço”. Esse episódio não se resume a uma manobra política; é um doloroso testemunho da mercantilização da democracia.

    Colocar à venda e botar preço em uma “candidatura imaginária” — sem o apoio de qualquer partido político de direita — transformam um potencial mandato público em uma fonte de lucro pessoal, negociável no mercado de influência. Tal prática é eticamente catastrófica, pois mina a lógica da representação, sugerindo que as alavancas do poder não emanam do povo, mas podem ser adquiridas pelo maior lance, por aqueles que detêm capital financeiro ou político. Isso pode corroer a integridade do processo eleitoral, tratando a soberania popular como um item de leilão e o cargo público como um produto, não como uma responsabilidade.

    Se não fosse pela natureza absolutamente pessoal do negócio proposto no cenário nacional — que visa livrar seu pai de uma condenação em processo legal, com direito a ampla defesa, publicidade dos atos processuais e decisões fundamentadas —, poder-se-ia também questionar a moralidade de tentar vender um mandato que não lhe pertence, e que nem se sabe se será disputado por ele. Essa candidatura imaginária se assemelha aos meios utilizados para adquirir sua luxuosa residência.

    Uma vez que o pré-candidato se apresenta afirmando ter um preço para desistir da candidatura, uma conclusão se torna evidente: não há um programa de governo. Cuida-se, apenas, um negócio, com lucro pessoal como prioridade. Essa ação cínica corrói a confiança do público e despreza os princípios democráticos. Independentemente do que ocorra, nada é mais urgente do que uma reflexão coletiva sobre os limites morais na política, para que a representação popular não seja entregue a quem a enxerga, apenas, como mais uma mercadoria, uma ferramenta para auferir vantagens

  • A pergunta de sempre

    A pergunta de sempre

    O caso do banco Master vem povoar a história de maus feitos de gente graúda. Desde o último ano do século 20, com o Banco Marka, passando pela maquiagem de balanços do Banco Panamericano, as fraudes no Opportunity de Daniel Dantas e de Naji Nahas, os escândalos do Mensalão, da Lava Jato, o grupo X de Eike Batista, o time de vôlei de ex-governadores do RJ presos por corrupção, os muitos casos de desvios no INSS, todos eles têm muita coisa em comum. As operações da Polícia Federal que revelam fraudes e golpes contra o Erário, e, em última análise, contra a própria sociedade civil tem mais semelhanças que suas denominações engraçadas – ou, no mínimo, curiosas (Papel Furado, Roleta Russa, Papa Léguas, Sem Desconto, Deus Tá Vendo, Psicose e muitas outras). Expedem-se mandados de prisão, os responsáveis ficam presos (uns por mais tempo, outros por menos), mas ao fim e ao cabo, as prisões são confortáveis e nenhum dos envolvidos cumpre a pena integralmente. Isso quando chegam a julgamento. Advogados hábeis descobrem falhas no processo investigativo e terminam por conseguir a anulação dos processos graças àquilo que muitos chamam de filigranas jurídicas.

    Ibaneis Rocha, Governador do Distrito Federal, assegura que os 17 deputados que votaram a favor da venda do BRB para o Master, que são seus aliados na CLDF, votaram por convicção – crédito ilustração

    Mas, voltando ao que interessa mais do que uma prisão dos bandidos por vingança, a pergunta que nunca cala é: Quem vai reparar o s danos causados pela gestão temerária no Master e pelas apostas duvidosas das autoridades que jogaram dinheiro público nessa ciranda financeira? É pouquíssimo provável que os responsáveis pelos bilhões jogados na pirâmide pelo governo do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e de dezenas de prefeituras não soubessem que estavam fazendo um investimento de altíssimo risco. De que maneira será garantida a aposentadoria de milhões de pensionistas? Até aqui, tudo indica que será mais uma fatura espetada nas costas de todos nós. Todos, não, porque os banqueiros devem manter seus patrimônios acumulados com seus esquemas bilionários.

  • Por que o BRB não foi liquidado junto com o Banco Master

    Por que o BRB não foi liquidado junto com o Banco Master

    Por João Carlos Bertolucci

    A crise desencadeada pela operação “Compliance Zero” – conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal – atingiu de modo profundo não apenas o Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC), mas também o Banco de Brasília (BRB), implicado na compra de carteiras de crédito de aproximadamente R$ 12,2 bilhões. Segundo as investigações, o Master teria vendido créditos inexistentes e apresentado documentos falsos para justificar as transações junto ao regulador, configurando risco sistêmico e falhas graves de governança. O BC, ao identificar tais práticas, optou pela liquidação do Master para proteger terceiros e preservar a integridade do sistema financeiro. Em contraste, o BRB, embora envolvido diretamente nos negócios questionados, não foi liquidado. Em vez disso, passou por medidas prudenciais, sob avaliação intensificada das autoridades supervisoras.

    A justificativa para o BRB continuar em funcionamento reside em fatores operacionais e institucionais significativos. Como banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal, o BRB possui receitas estáveis advindas do processamento da folha de pagamento do funcionalismo local. Esse fluxo recorrente contribui para manter liquidez e previsibilidade financeira, o que reduz a propensão de saques em massa e fortalece sua capacidade operacional. Tal característica confere ao regulador uma margem de manobra para aplicar medidas corretivas menos drásticas do que a liquidação, apostando na reestruturação administrativa e financeira da instituição.

    Governador do Distrito Federal troca comando do BRB envolvido em operação de R$ 12,2 bilhões com o banco Master (foto divulgação)

    Entretanto, a situação do BRB se agravou politicamente. Em reação à repercussão da operação, o governador do Distrito Federal já afastou o presidente do banco e parte da diretoria, assumindo compromisso público, e indicou um novo nome para a chefia da instituição. Essa mudança de liderança sinaliza não apenas uma tentativa de recompor a governança interna, mas também uma estratégia para restaurar a credibilidade junto à sociedade, aos mercados e às autoridades regulatórias. Ao trocar a diretoria, o governo busca demonstrar proatividade frente à crise, sinalizando que não tolerará práticas irregulares e que está disposto a assumir responsabilidade institucional, em sintonia com as exigências do BC e dos investigadores.

    Ainda assim, a base de servidores públicos como clientes do BRB — referenciada em sua folha de pagamento —, embora seja um pilar de segurança financeira, não elimina todos os riscos. Se for comprovado que ativos adquiridos eram fraudulentos ou de qualidade duvidosa, esse passivo pode corroer reservas e capital regulatório, exigindo provisões elevadas para perdas, o que impactaria a solvência. A substituição da diretoria é um passo importante, mas depende de ações concretas para reestruturação do balanço: o BRB precisará desfazer operações danosas, recompor capital social e reforçar controles internos.

    Banco de Brasília continua a operar mesmo após varredura da Polícia Federal no caso do banco Master (crédito: divulgação)

    Sob esse “efeito sombra” regulatório, o BC pode impor novas restrições — como limitações a dividendos, exigência de reorganização de carteiras de crédito, bloqueio de ativos e possíveis aportes. Se a situação se deteriorar, intervenção ou até liquidação podem ser consideradas, embora, até o momento, autoridades reguladoras optem por manter a operação do banco, dado seu papel social e institucional. Para os clientes (servidores e demais depositantes), não há risco imediato de perda de depósitos, mas é recomendável manter atenção às comunicações do BRB e do BC.

    Em suma, a exoneração da diretoria do BRB pelo governador do DF e a indicação de nova liderança constituem parte de uma estratégia institucional para demonstrar compromisso com a governança e a transparência. A base de clientes estável e previsível — composta em grande parte por servidores públicos — oferece um amortecedor financeiro importante, mas não substitui a necessidade de uma reestruturação profunda. O BRB, no momento, vive uma fase delicada: sob fiscalização reforçada e com risco elevado de sanções, mas ainda operando com base em seus pontos fortes. Cabe acompanhar os desdobramentos regulatórios, judiciais e financeiros para avaliar se a recomposição será bem-sucedida ou se medidas mais drásticas serão necessárias.

    Deputados da distritais querem CPI do BRB/Master

    Comissão na Câmara Legislativa do Distrito Federal pretende apurar tentativa de compra de R$ 2 bilhões, suspeitas de gestão fraudulenta, uso indevido de recursos públicos, além de irregularidades apontadas na Operação Compliance Zero. A CPI deve analisar todo o processo, desde a aprovação da compra pelo conselho do banco público até o veto do negócio pelo BC (Banco Central) e a liquidação extrajudicial do Master.

    O documento cita possíveis práticas de gestão fraudulenta e temerária, mencionadas pela PF (Polícia Federal) na Operação Compliance Zero, que levou à prisão do controlador do Master, Daniel Vorcaro, e ao afastamento judicial da diretoria do BRB.

    O texto ainda pontua que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), defendeu publicamente a operação, justificando que iria “salvar” as operações do Master e que “fortaleceria o BRB, ampliaria sua competitividade e geraria dividendos revertidos em obras e políticas”.

    Por que só o Master foi liquidado?

    Segundo os especialistas, a principal diferença reside na condição financeira. O BC concluiu que o Master não tinha mais condições seguras de operar, enquanto o BRB — que é um banco público — segue apresentando resultados positivos.

    “O Banco Central aplica soluções diferentes para cada situação. A liquidação ocorre quando o problema é considerado irrecuperável. Já medidas corretivas e sancionatórias graduais são adotadas quando ainda é possível preservar a instituição”, afirma Vanderlei Garcia Jr., doutor em Direito Civil pela USP, especialista em Direito Contratual e Societário e sócio do Ferreira & Garcia Advogados.

    Segundo ele, o BC já havia identificado no Master uma grave crise de liquidez, forte deterioração econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O BRB, contudo, não apresenta quadro equivalente de insolvência ou risco sistêmico — “ao menos com as informações públicas disponíveis até agora”.

  • Governo do DF nega prejuízo aos cofres públicos após liquidação do Master

    Governo do DF nega prejuízo aos cofres públicos após liquidação do Master

    Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025  • WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

    A Secretaria de Economia do Governo do Distrito Federal informou à CNN Brasil que a Operação Compliance Zero não vai afetar os cofres públicos do DF. O Governo é acionista majoritário do BRB (Banco de Brasília), que foi alvo de investigação. A operação foi deflagrada pela Polícia Federal para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional). Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.

    “Não há impacto sobre o Tesouro do GDF. A relação findou-se entre dois entes privados: BRB e Banco Master”, diz o Executivo distrital em nota enviada à CNN Brasil.

    Em março, o BRB anunciou a intenção de comprar 58% das ações do Master pelo valor de R$ 2 bilhões. O processo de aquisição foi negado pelo Banco Central.

    Nesta terça-feira (18), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master menos de um dia após o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição financeira.

    Após a Operação Compliance Zero, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o então diretor executivo financeiro da instituição, Dario Oswaldo Garcia Junior, foram afastados do cargo por 60 dias. Celso Eloi de Souza foi indicado pelo GDF à presidência do banco depois do caso.

    Em nota, o GDF informou que o BRB mantém sua capacidade plena de operação, com total segurança administrativa e financeira, sem qualquer impacto estrutural na liquidez, na solvência ou na continuidade operacional da instituição.
    Segundo o governo, todas as rotinas bancárias, sistemas internos, serviços aos clientes, contratos vigentes, operações de crédito e compromissos institucionais seguem em funcionamento regular.

    “O Governo do Distrito Federal informa, ainda, que medidas internas adicionais serão adotadas para reforçar os mecanismos de governança, compliance e controle interno. A administração pública distrital acompanhará de forma permanente as apurações e colaborará com todas as instâncias regulatórias e fiscalizatórias”, disse o GDF em nota. 

    Deputados distritais protocolaram o pedido de criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

    O requerimento, assinado por Fábio Felix (PSOL) e Chico Vigilante (PT), mira as negociações que previam a compra de 58% do Master pelo BRB por cerca de R$ 2 bilhões.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • Após operação do Banco Master, oposição a Ibaneis tenta criar CPI do BRB na Câmara do DF

    Após operação do Banco Master, oposição a Ibaneis tenta criar CPI do BRB na Câmara do DF

    Presidente do Banco Master

    Parlamentares de oposição no Distrito Federal se movimentam para que seja instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa para investigar a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

    A comissão teria prazo de 180 dias e seria composta por cinco distritais. O objetivo é investigar a transação que foi barrada pelo Banco Central em setembro.

    O pedido pela CPI ocorre após operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (18) mirar dirigentes das duas instituições financeiras.

    Plenário da Câmara Legislativa do DF durante sessão ordinária. — Foto: Carolina Curi/Agência CLDF

    Um dos requerimentos é assinado pela deputada Paula Belmonte (Cidadania) e endereçado ao presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB).

    Outro documento é assinado pelo bloco PSOL-PT na Casa. Seis parlamentares assinam o documento também endereçado a Wellington Luiz. São eles:

    • Chico Vigilante (PT)
    • Fábio Felix (PSOL)
    • Dayse Amarílio (PSB)
    • Gabriel Magno (PT)
    • Max Maciel (PSOL)
    • Ricardo do Vale (PT)

    Os requerimentos precisam recolher ao menos oito assinaturas, número equivalente a um terço da Casa, para que sejam apresentados formalmente à Mesa Diretora da CLDF.

    O presidente da CLDF, deputado Weillington Luiz (MDB) — Foto: Divulgação/Weillington Luiz

    Operação da PF

    Operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira (18) mirou dirigentes dos bancos BRB e Master. A chamada Operação Compliance Zero, mira a venda de títulos de crédito falsos.

    Até a manhã desta terça:

    • Foram cumpridos seis mandados de prisão (quatro preventivas e duas temporárias);
    • Bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas dos investigados;
    • Apreensão de carros de luxoobras de arte e relógios;
    • Apreensão de R$ 1,6 milhões em espécie.

    O Banco Master emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. Esse retorno, contudo, era irreal. Segundo a PF, o esquema pode ter movimentado R$ 12 bilhões.

    Presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, comenta planejamento para migração de serviços do Detran — Foto: Carolina Cruz/G1

    A operação prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros quatro diretores da instituição.

    Já o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo após decisão judicial. O diretor-executivo de finanças e controladoria do banco, Dario Oswaldo Garcia Junior, também foi afastado do posto.

    Banco BRB

    Banco BRB — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

    O Banco de Brasília S.A. (BRB) foi criado em dezembro de 1964 com o objetivo de ser um agente financeiro para captar os recursos necessários para o desenvolvimento do Distrito Federal.
    Em 1991, passou a ser um banco com as carteiras: comercial, câmbio, desenvolvimento e imobiliária.
    A empresa é uma sociedade de economia mista, de capital aberto, e o acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal (71,92%).
    O BRB é uma instituição financeira com atuação no Distrito Federal e com agências no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraíba.

  • Banco Master: Diretor da PF diz que fraudes financeiras podem chegar a R$ 12 bilhões

    Banco Master: Diretor da PF diz que fraudes financeiras podem chegar a R$ 12 bilhões

    O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

    O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (18) que o esquema de fraudes financeiras que resultou na prisão do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de quatro diretores da instituição, pode chegar a R$ 12 bilhões. A declaração foi dada durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga organizações criminosas.

    “Estamos fazendo uma operação importante, com o Banco Central e Coaf atuando em conjunto, em um crime contra o sistema financeiro. Fala-se em R$ 12 bilhões envolvendo esse crime em investigação, com várias prisões. Nessa operação desta terça, a fraude é de R$ 12 bilhões”, afirmou

    Vorcaro e os diretores foram alvo de uma operação que mira a venda de títulos de crédito falsos. Há indícios de que o esquema teria a participação de dirigentes do Banco de Brasília (BRB) – que é um banco público do DF. Em março, o BRB chegou a fechar um acordo para comprar o Banco Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central.

    O que dizem as investigações, segundo um documento do Ministério Público Federal, obtido pela TV Globo:

    • O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs, um tipo de título financeiro) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro.
    • Nesse tipo de aplicação financeira, o cliente que compra os títulos empresta o dinheiro ao banco, que vai decidir em que vai investir, e recebe juros em troca.
    • Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.
    • O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB – que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para “socorrer” o caixa do Banco Master.
    • Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master – e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF.
    • Há indícios de que “o BRB buscou amparar o Banco Master em sua crise de liquidez”. Segundo o documento, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025. Desses, pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações em que há fortes indícios de fraude.

    Agente da PF conta dinheiro encontrado na casa de um dos dirigentes do Banco Master — Foto: Divulgação/PF

    Prisão de presidente do Banco Master

    Na noite desta segunda-feira (17), a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos (SP), durante a Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, ele estava em um jatinho com destino a Malta, tentando deixar o Brasil.

    Sete mandados de prisão foram cumpridos, incluindo o de Vorcaro, além de 25 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

    Após a prisão, Daniel Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo. A defesa de Vorcaro nega que ele estivesse fugindo do país.

    A prisão de Vorcaro aconteceu horas após o consórcio liderado pelo grupo de investimento Fictor Holding Financeira anunciar a compra do Banco Master — e cerca de dois meses após o Banco Central ter rejeitado a aquisição pelo BRB.

     

    No entanto, ainda nesta terça, o BC determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Na prática, a instituição avaliou que o banco não tem mais condições de funcionar e que as suas operações sejam encerradas. Isso também significa que a compra em curso é automaticamente interrompida.

    O Banco Master já enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e a investimentos considerados arriscados. Mas os negócios acabaram envolvidos em questionamentos, pressões políticas e falta de transparência.São investigados crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.

    • Liquidação do Banco Master: como ficam correntistas e investidores?

    Agentes da PF encontram joias durante operação sobre fraudes do Banco Master — Foto: Divulgação/PF

    Presidente do BRB afastado

     

    Também nesta terça, Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília (BRB), foi afastado do cargo por decisão judicial no âmbito da operação. O afastamento é pelo prazo de 60 dias, segundo o banco.

    Paulo Henrique Costa está nos Estados Unidos, segundo informou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

    Além de Paulo Henrique Costa, o diretor-executivo de finanças e controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, também foi afastado do cargo.

    Em nota, o BRB informou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”.

     

     

     

     

     

     

  • Plenária do PSD-DF reúne filiações, lançamento de pré-candidatos e cria PSD 60+

    Plenária do PSD-DF reúne filiações, lançamento de pré-candidatos e cria PSD 60+

    Brasília, 20 de setembro – Em uma plenária marcada por grande entusiasmo e participação, o PSD do Distrito Federal realizou neste sábado (20) a filiação de novos membros, anunciou pré-candidatos para as próximas eleições e lançou oficialmente o PSD 60+, segmento dedicado a valorizar e estimular a participação política de cidadãos com 60 anos ou mais. A iniciativa, idealizada pelo membro da executiva do partido, Fábio de Carvalho, e apoiada pelo presidente regional do partido, Paulo Octávio, destacou a importância de resgatar a experiência dos mais velhos no debate público e na construção de políticas inclusivas.

    Walter Bertulucci ao lado do presidente do PSD, Paulo Octávio, Fábio Carvalho à direita e João Carlos Bertolucci (primeiro à esquerda)

    Homenagem a Walter Bertulucci, pioneiro de Brasília

    O evento teve um momento de emoção especial com a filiação de honra de Walter Bertolucci, pioneiro de Brasília, de 89 anos, que chegou à cidade em julho de 1958 vindo de Uberaba, Minas Gerais. Instalado inicialmente na Cidade Livre — hoje Núcleo Bandeirante —, Walter se consolidou como empresário, dono de oficina mecânica, onde nasceram suas primeiras filhas, Marilda e Marilza Bertulucci.

    Walter Bertulucci é abraçado por Paulo Octávio (Presidente PSD – DF – Foto Divulgação)

    Em 1961, mudou-se para Taguatinga, fundou a WB Peças Usadas e expandiu sua família com mais seis filhos ao lado da esposa Maria Aparecida Cavalari Bertulucci, com quem é casado há 60 anos. Além dos oito filhos, Walter é avô de 14 netos e bisavô de três meninas. Entre seus empreendimentos, destacam-se o Prédio Bertolucci & Rios (no Pistão Sul de Taguatinga) e o legado Residencial Bertolucci, em Águas Claras, patrimônio que construiu com muito trabalho e dedicação.

    Walter Bertulucci é um apaixonado pelas conquistas do ex-presidente Juscelino Kubitschek (Foto: Divulgação)

    Acompanhando o pai no evento, João Carlos Bertolucci reforçou o legado familiar e político. Conhecido no meio político e profissional apenas como Bertolucci, ele já esteve como presidente interino do Partido Verde do Distrito Federal, foi candidato a deputado distrital em 2002 e 2006 pelo PFL, a deputado federal pelo Partido Verde e, em 2008, a vereador pelo Democratas. Vale ressaltar que Bertolucci deixou um recall político expressivo quando disputou a eleição de deputado distrital em 2006, mas reforça seu distanciamento de futuras candidaturas.

    “Fui procurado, no início do ano, para ser candidato a deputado distrital novamente, mas não tenho mais entusiasmo. Compreendi que o meu tempo passou, mesmo diante da insistência de alguns grupos. A política precisa ser construída de forma plural, com apoio popular. Ainda que seja de uma base restrita, é fundamental ter um grupo unido e engajado e isto eu ainda preservo. Mas, acho que o meu tempo se foi˜, afirmou Bertolucci.

    Bertolucci, Paulo Octávio e Walter (foto: Divulgação)

    PSD 60+ e incentivo à participação política dos idosos

    Com o PSD 60+, o partido reforça seu compromisso de ampliar a cidadania e incentivar a participação ativa dos idosos na política, reconhecendo a experiência como um patrimônio essencial para a sociedade. A criação do segmento também fortalece o diálogo intergeracional e valoriza aqueles que ajudaram a construir Brasília, como Walter Bertulucci.

    ⸻Paulo Octávio e o legado histórico do PSD de Juscelino Kubitschek

    O presidente regional do PSD-DF, Paulo Octávio, político conhecido no Distrito Federal, coordenou o evento e destacou o papel estratégico do partido no cenário nacional. O PSD, sob a presidência nacional de Gilberto Kassab, tem entre seus maiores filiados históricos o ex-político mineiro Juscelino Kubitschek, que foi pela legenda deputado federal e presidente da República, além de criador e fundador de Brasília (na época chamada de Nova Capital), reforçando a tradição do partido de valorizar a experiência e a contribuição de seus integrantes para o desenvolvimento do país.

    Juscelino Kubitschek é lembrado como o estadista do “desenvolvimentismo”. Seu lema “50 anos em 5” simbolizou a aceleração da modernização do país, com forte incentivo à industrialização, abertura para multinacionais e construção de grandes rodovias. Sua obra mais marcante foi a fundação de Brasília, transferindo a capital para o Planalto Central e promovendo a integração nacional. JK deixou um legado de otimismo e progresso, tornando-se um dos líderes mais populares e visionários da história do Brasil, mesmo enfrentando críticas pelo aumento da dívida externa e da inflação.

    Ana Cristina Kubitscheck de Oliveira, esposa de Paulo Octávio e neta do ex-presidente JK, ao lado de Walter Bertulucci (foto divulgação)

  • Nova iluminação transforma o Parque Ecológico do Areal

    Nova iluminação transforma o Parque Ecológico do Areal

                                          Iluminação de led em todo a extensão do Parque Ecológico do Areal  (foto: Adm. Arniqueira)

             Após intensa articulação da administradora regional de Arniqueira, Telma Rufino, junto à Companhia Energética de Brasília (CEB Ipes), o Parque Ecológico do Areal recebeu um importante investimento na revitalização da sua iluminação pública. A substituição das antigas lâmpadas por novas luminárias de LED de alta potência foi concluída na tarde da última sexta-feira (13), e as luzes foram acesas no início da noite, proporcionando um verdadeiro espetáculo visual em toda a extensão do parque.

             A melhoria vai além da estética: representa um avanço significativo na segurança e no bem-estar dos frequentadores, especialmente daqueles que utilizam a área para atividades noturnas. Com a pista de caminhada totalmente iluminada, os moradores podem realizar suas caminhadas e exercícios físicos com mais tranquilidade e conforto, mesmo após o pôr do sol. A nova iluminação também beneficia os praticantes de esportes, que agora contam com quadras e campos bem iluminados, favorecendo jogos de futebol, vôlei e outras atividades recreativas à noite.

              A ação reforça o compromisso da Administração Regional em valorizar os espaços públicos, incentivando hábitos saudáveis e a convivência comunitária. Segundo Telma Rufino, a iluminação é um fator essencial para devolver vida ao parque durante o período noturno.
    “A população do Areal merece espaços públicos iluminados, seguros e acolhedores. Com essa nova iluminação, damos um passo importante para que mais famílias aproveitem o parque também à noite, seja para se exercitar, brincar ou simplesmente caminhar com tranquilidade,” afirmou a administradora.

              Com a intervenção, o Parque Ecológico do Areal se consolida como um dos principais pontos de lazer da Região Administrativa de Arniqueira, atendendo moradores do Areal, Veredão, ADE e bairros vizinhos.

    Informações: Ascom Administração de Arniqueira

  • Governador Ibaneis Rocha anuncia construção de duas novas pontes no Lago Sul

    Governador Ibaneis Rocha anuncia construção de duas novas pontes no Lago Sul

    Fala ocorreu durante a entrega da escritura do Clube de Golfe nesta sexta-feira (13); estruturas vão desafogar o trânsito na região, para beneficiar moradores de áreas como Altiplano Leste, Tororó, Jardim Botânico, Paranoá, Itapoã e São Sebastião, entre outras

    O governador Ibaneis Rocha anunciou, nesta sexta-feira (13), a construção de duas novas pontes no Lago Sul. As estruturas se somarão às três já existentes, e têm o objetivo de melhorar o trânsito de veículos após o crescimento urbano da região. A fala ocorreu durante a cerimônia de entrega da escritura do Clube de Golfe. As novas pontes vão beneficiar moradores e quem trafega por Altiplano Leste, Tororó, Jardim Botânico, Jardins Mangueiral, São Sebastião, Paranoá, Itapoã e outras áreas. 

    Ponte da barragem ainda tem estrutura improvisada, razão pela qual não comporta o tráfego de caminhões | Foto: Arquivo/Agência Brasília

    “A barragem hoje funciona como uma ponte improvisada e, por isso, não pode receber o tráfego de caminhões”, afirmou o governador. “Estamos construindo duas novas pontes para resolver essa situação. Uma sairá ali por trás, entrando na saída do Altiplano. A outra vai absorver o tráfego que vem do Jardim Botânico, saindo pela QL 28 e atravessando para esta região, desembocando aqui próximo ao Clube de Golfe.”

    A execução dos projetos está sob responsabilidade da Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF) e da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap). Os estudos preliminares e de viabilidade técnica devem ser concluídos até o final deste ano, assim como o lançamento da licitação das duas estruturas. 

    “Nós tivemos reunião esta semana para poder discutir esse traçado, e continuamos discutindo alguns detalhes para que a gente possa viabilizar a entrega do projeto e, havendo viabilidade, licitar até o fim do ano”, relatou o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro.

    Fluxo

    O governador Ibaneis Rocha reforçou: “Nós estamos pensando Brasília para 20, 30, 40, 50 anos. O desenvolvimento da nossa cidade tem que ser pensado assim” | Foto: Renato Alves/Agência Brasília 

    Uma das pontes deverá ligar a QL 28 do Lago Sul às proximidades da antiga Academia de Tênis, no Setor de Clubes Sul. A segunda será erguida cerca de 300 metros depois da Barragem do Descoberto. O investimento previsto para as duas obras é de R$ 1,7 bilhão, com recursos garantidos via financiamento junto a bancos credenciados e também da Terracap.

    “A ponte da barragem vai  ligar toda essa região”, ressaltou o presidente da Terracap, Izidio Santos. “Os carros que hoje passam por cima da barragem — que, na verdade, não foi feita para funcionar como ponte — vão ser redistribuídos, o que vai aliviar o trânsito ali. Com essa nova estrutura, a gente cria uma ligação entre essa área e a região do Altiplano Leste, Jardim Botânico. E todo o sistema viário vai ser integrado: tanto a ponte da barragem quanto a ponte da QL 28 vão se complementar, melhorando o trânsito em toda essa região.”

    O governador Ibaneis lembrou: “A cidade está crescendo muito, principalmente para essa região do Jardim Botânico e Tororó. São muitos condomínios, e é uma região que tem um potencial habitacional muito grande, mas que precisa de infraestrutura. Nós entregamos o primeiro viaduto do Jardim Botânico, vamos iniciar agora em julho a construção do segundo viaduto, que é o da DF-463, e já estamos com o projeto da ponte bem-encaminhado. Ontem mesmo me foi apresentado um esboço inicial do traçado e das ligações que serão feitas”.

    A licitação deve ser lançada no segundo semestre deste ano, com previsão de início das obras em 2026. “O que eu sempre digo — e foi um dos grandes problemas quando nós assumimos o governo — é que Brasília não era pensada para o futuro, ela era pensada olhando para trás, criando problemas para as pessoas”, arrematou o governador. “E nós estamos pensando Brasília para 20, 30, 40, 50 anos. O desenvolvimento da nossa cidade tem que ser pensado assim”.