Categoria: Fernando Kerr

  • Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    A política deveria ser um pilar de representação popular e serviço público. No entanto, enfrenta uma grave crise de identidade. A linha entre o interesse coletivo e o negócio privado torna-se perigosamente tênue, como exemplificado pelo caso do senador Flavio Bolsonaro. Após anunciar uma pré-candidatura independente, ele declarou que essa candidatura “tem um preço”. Esse episódio não se resume a uma manobra política; é um doloroso testemunho da mercantilização da democracia.

    Colocar à venda e botar preço em uma “candidatura imaginária” — sem o apoio de qualquer partido político de direita — transformam um potencial mandato público em uma fonte de lucro pessoal, negociável no mercado de influência. Tal prática é eticamente catastrófica, pois mina a lógica da representação, sugerindo que as alavancas do poder não emanam do povo, mas podem ser adquiridas pelo maior lance, por aqueles que detêm capital financeiro ou político. Isso pode corroer a integridade do processo eleitoral, tratando a soberania popular como um item de leilão e o cargo público como um produto, não como uma responsabilidade.

    Se não fosse pela natureza absolutamente pessoal do negócio proposto no cenário nacional — que visa livrar seu pai de uma condenação em processo legal, com direito a ampla defesa, publicidade dos atos processuais e decisões fundamentadas —, poder-se-ia também questionar a moralidade de tentar vender um mandato que não lhe pertence, e que nem se sabe se será disputado por ele. Essa candidatura imaginária se assemelha aos meios utilizados para adquirir sua luxuosa residência.

    Uma vez que o pré-candidato se apresenta afirmando ter um preço para desistir da candidatura, uma conclusão se torna evidente: não há um programa de governo. Cuida-se, apenas, um negócio, com lucro pessoal como prioridade. Essa ação cínica corrói a confiança do público e despreza os princípios democráticos. Independentemente do que ocorra, nada é mais urgente do que uma reflexão coletiva sobre os limites morais na política, para que a representação popular não seja entregue a quem a enxerga, apenas, como mais uma mercadoria, uma ferramenta para auferir vantagens

  • A pergunta de sempre

    A pergunta de sempre

    O caso do banco Master vem povoar a história de maus feitos de gente graúda. Desde o último ano do século 20, com o Banco Marka, passando pela maquiagem de balanços do Banco Panamericano, as fraudes no Opportunity de Daniel Dantas e de Naji Nahas, os escândalos do Mensalão, da Lava Jato, o grupo X de Eike Batista, o time de vôlei de ex-governadores do RJ presos por corrupção, os muitos casos de desvios no INSS, todos eles têm muita coisa em comum. As operações da Polícia Federal que revelam fraudes e golpes contra o Erário, e, em última análise, contra a própria sociedade civil tem mais semelhanças que suas denominações engraçadas – ou, no mínimo, curiosas (Papel Furado, Roleta Russa, Papa Léguas, Sem Desconto, Deus Tá Vendo, Psicose e muitas outras). Expedem-se mandados de prisão, os responsáveis ficam presos (uns por mais tempo, outros por menos), mas ao fim e ao cabo, as prisões são confortáveis e nenhum dos envolvidos cumpre a pena integralmente. Isso quando chegam a julgamento. Advogados hábeis descobrem falhas no processo investigativo e terminam por conseguir a anulação dos processos graças àquilo que muitos chamam de filigranas jurídicas.

    Ibaneis Rocha, Governador do Distrito Federal, assegura que os 17 deputados que votaram a favor da venda do BRB para o Master, que são seus aliados na CLDF, votaram por convicção – crédito ilustração

    Mas, voltando ao que interessa mais do que uma prisão dos bandidos por vingança, a pergunta que nunca cala é: Quem vai reparar o s danos causados pela gestão temerária no Master e pelas apostas duvidosas das autoridades que jogaram dinheiro público nessa ciranda financeira? É pouquíssimo provável que os responsáveis pelos bilhões jogados na pirâmide pelo governo do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e de dezenas de prefeituras não soubessem que estavam fazendo um investimento de altíssimo risco. De que maneira será garantida a aposentadoria de milhões de pensionistas? Até aqui, tudo indica que será mais uma fatura espetada nas costas de todos nós. Todos, não, porque os banqueiros devem manter seus patrimônios acumulados com seus esquemas bilionários.

  • Os Melhores do Mundo no Rio de Janeiro

    Os Melhores do Mundo no Rio de Janeiro

    Os Melhores do Mundo fazem Jubileu de Pérola com show inédito no Rio de Janeiro

    Tive a graça de conhecer o grupo bem no começo, ou um pouco antes, por várias recomendações ali entre 1994 e 95. Adriana, Adriano, Jovane, Vitor, Welder e Pipo, em abril último, começaram o trigésimo ano de atuação, que se completará ano que vem. Pude assistir à estreia no Rio de Janeiro do espetáculo TELA PLANA, que comprova a vitalidade e a criatividade da companhia, exemplo raro de continuidade em um trabalho de comédia.

    Casa Grande lotada e atenta nos Melhores do Mundo

    As apresentações estão sendo no Teatro Casa Grande, também exemplo de sobrevivência em um cenário cultural que esteve ameaçado durante o último governo. Os quadros apresentados não poupam nada nem ninguém, com verdadeiras pérolas de humor, para combinar com os 30 anos da trupe. Moradores do Leblon – onde fica o Casa Grande – e de outros bairros do Rio, o prefeito da Cidade Maravilhosa e outros políticos locais e nacionais, o clima de segurança – ou insegurança – pública, ninguém escapa.

    Interação construída em 30 anos de bom humor

    O espetáculo começou, inclusive com uma participação especial do Sargento-Tenente-Major Peçanha, personagem criado por Antonio Tabet, uma sátira à atuação de maus policiais fluminenses. Todos os esquetes interpretam situações relacionadas de alguma forma ao dia-a-dia moderno e à quantidade de telas que fazem parte de nosso cotidiano. É muito mais do que louvável ver o grupo nascido em Brasília (acho que a primeira vez que os vi foi no palco do teatro da Caixa) se firmar nacionalmente com um histórico de muito riso, com sucesso permanente. A plateia estava lotada. Além deste fim de semana, eles também se apresentam no sábado 15 e no domingo 16. Quem estiver em terras cariocas pode aproveitar a oportunidade e ver TELA PLANA.

  • NETFLIX rejeita algoritmos e apresenta novidades

    NETFLIX rejeita algoritmos e apresenta novidades

    No Summit BITS (encontro do business com a tecnologia estreando este ano no RIO2C) na terça feira, 04 de junho, a NETFLIX afirmou que todas suas movimentações têm foco nos fãs, ou fandom, negando a preponderância de algoritmos na tomada de decisões dentro da empresa, desde a escolha de que títulos incluir no catálogo até o próprio lançamento de cada produto. A empresa se situa entre as maiores do mundo a trabalhar no alinhamento entre tecnologia e conteúdo. Um parêntese: nesta edição do RIO2C, sobram expressões em Inglês. Fosse criação da geração Z, poderia achar meio sus, mas acho que é só marketing mesmo.

    Foto: Divulgação

    Na palestra mediada pelo presidente do SICAV, Leo Edde, compareceram Elizabetta Zenatti, vice presidente de conteúdo, Jana Borges,  diretora sênior de marketing e Julio Neves, diretor de produto e promoção de conteúdo da NETFLIX BRASIL. Em exposição sobre a forma de decidir que produtos são desenvolvidos para a plataforma, Elizabetta salientou que os milhões de usuários da operadora de streaming são únicos e precisam ser tratados e ouvidos como indivíduos. Essa abordagem permite aos consumidores ter imenso poder de escolha e controle sobre os produtos consumidos. Isso levou à adoção de uma fórmula que mistura alcance expressivo, variedade e qualidade de programação, recomendações diferenciadas e engajamento dos fãs. O alcance supera o meio bilhão de pessoas no mundo. Haja histórias de qualidade para entreter tantas cabeças diferentes.  Gêneros e formatos compõem um leque amplo para seduzir o público, tão exigente quanto os mais exigentes públicos. Por isso, o foco nos fãs. Zenatti arrisca dizer que não se baseia em algoritmos construídos a partir de dados. Há espaço para intuição. Também há espaço para o fracasso, pouco comum, mas presente numa operação desse tamanho. Julio Neves esclareceu que as sugestões de programas a serem assistidos são imaginadas desde a tela inicial do usuário, seja na tela da smart TV, do tablet ou do celular. A promoção do conteúdo começa antes mesmo do lançamento. Somados os esforços, chegam a 6 bilhões de impressões por mês em todas as redes sociais em que se fala sobre a operadora. Jana Borges falou sobre a criatividade utilizada no marketing para construir todo esse engajamento. Basicamente, as ações miram na criação de uma propaganda boca a boca entre o fandom da programação. Segundo ela, não existe verba capaz de atingir 270 milhões de residências com consumidores únicos, com mensagens únicas. A construção do engajamento dos fãs é a saída encontrada.  É um conceito que chamam de “efeito Netflix”, responsável por 115 milhões de seguidores no ecossistema só no Brasil.

    Foto: Piu Gomes

    Tudo isso pode ser visto na apresentação das novidades apresentadas para o ano, resumidas no slogan “Só na Netflix”. Num clima festa de lançamento, Christian Malheiros e Juliana Paes falaram sobre os principais projetos que vem por aí nas telas em breve. Sintonia, do personagem Nando de Christian Malheiros, terá´NO AR sua quinta e última temporada. Juliana Paes mostrou um micro taster de Pedaço de Mim, “novela que não é novela”, prometida para o início do segundo semestre.

    Foto: Piu Gomes

    A atriz chamou uma breve entrevista com Paulo Coelho falando sobre o Diário de um Mago, que está virando filme com a bênção do escritor. Os dois também chamaram ao palco Luiz Lomenha, showrunner de Candelária, série sobre a chacina dos meninos no centro do Rio, em fase de finalização, outro prometido para este ano. Um documentário com Vini Jr. também está no forno. Outra produção que promete ter grande repercussão é Pssica, ambientada nos rios paraenses, de Belém até a Guiana, discorrendo sobre temas como sequestro e tráfico sexual de mulheres e a atuação dos ratos d’água (ladrões que atacam embarcações nos rios da Amazônia). Produção da O2 com direção de Fernando e Quico Meirelles. Também estará na tela inicial da plataforma uma ficção sobre Ayrton Senna, diferente da abordagem documental empreendida pela Rede Globo. Não dá para não falar numa aventura que está sendo produzida sobre um cachorro caramelo, primeira investida no gênero aqui no país.

    Foto: Divulgação

    É emocionante ver a presença marcante de produções brasileiras nas telas de um player internacional.

  • Mudanças no ambiente educacional

    Mudanças no ambiente educacional

    A palestra sobre Educomunicação apresentada no RIO2C sobre Educomunicação contou com a participação de Maria Rehder, oficial de projeto da UNESCO e dos professores Rafaela Lima, Noslem Borges e PoxaLulu, nome artístico da professora de redação Ana Luíza             Ramos.  A mesa redonda transcorreu sobre a forma em que se consome conhecimento e aprendizado atualmente. Todos querem conquistar um lugar diferenciado nessa movimentação. Começando a partir de experiências com propósitos semelhantes, cada um dos educomunicadores construiu uma base sólida de seguidores com participação sólida no grupo de alunos com resultados positivos em suas jornadas pela aquisição de conhecimento.

    Foto: Divulgação

    Essa nova forma de ensinar se apropria de uma busca por entretenimento que é subjacente à navegação pela internet. Busca-se não só aprendizado, mas uma forma amena de adquirir o conhecimento. Assim é que as plataformas de cada educador se transformaram em recursos paradidáticos para complementar a instrução recebida em programas disciplinares padrão adotados em escolas. Já há experiências bem-sucedidas em casos de educação empresarial ou corporativa utilizando a plataforma YouTube como suporte para suas explicações.

    Transformando-se em uma forma nova de auferir receita por parte de educadores, não foi apresentada uma alternativa para um sistema de avaliação, questão pedagógica que costuma assombrar iniciativas de ensino a distância. Claro resta que uma avaliação somativa não parece ser a mais indicada para o processo de EaD. Como os palestrantes se ocupam de uma atividade de ensino quase paradidática, não foi tratado de que forma uma avaliação formativa poderia ser incorporada aos métodos empregados. Restam como atestados de eficiência a contagem de cases de sucesso de pessoas que adotaram ou seguiram o método de cada educador. Esses métodos vêm se espalhando pela internet nos últimos dez anos, e vem se transformando, inclusive em receita para seus criadores, com a monetização de seus conteúdos.5

  • RIO2C 2024 – Questões atuais e futuras abrem evento

    RIO2C 2024 – Questões atuais e futuras abrem evento

    O RIO2C começou na terça feira 04 de junho com uma abordagem voltada para o lado negocial do audiovisual e dos games

    Com palestras sobre modelos de gestão, sobre conquista de liderança em nível empresarial e também individual (caso de gestores e de creators – influenciadores e  toda a galera que domina comunidades no oceano das redes sociais). Nesse campo especificamente, há mais dúvidas do que certezas. Em um momento em que ainda não se sabe de forma assertiva como a propaganda e o marketing vai lidar com essa nova forma de comunicação, questões éticas sobre o que e como oferecer produtos e serviços nas redes sociais ainda vão suscitar debates mais aprofundados.

    Anunciar rifas e casas de apostas, por exemplo, parece dividir os influenciadores. O mesmo se dá com produtos como bebidas alcoólicas (que trazem seu próprio código de ética da propaganda tradicional) e produtos cosméticos que podem cativar e ser utilizados sem supervisão por crianças e adolescentes. Por outro lado, nota-se  a preocupação de administradores de marcas quanto a quais creators utilizar em suas ações de marketing.

    Em um tempo em que há influenciadores que são investigados, denunciados, presos e mesmo condenados por contravenções e crimes que depõem contra sua idoneidade, apostar as fichas em algum comunicador apenas pelo núemro de seguidores que ele ostenta em suas métricas pode trazer prejuízos de difícil superação à imagem da marca.

  • Qual o destino da humanidade como a conhecemos?

    Qual o destino da humanidade como a conhecemos?

    BERNARDO ZAMIJOVSKY é curador de inovação do RIO2C. Na conferência/exposição/festival, ele fez
    uma apresentação exatamente sobre uma questão filosófica que tem assaltado já há algum tempo
    os pensadores modernos. Até quando se estenderá a vida humana como a conhecemos? Será
    possível transferir nossa consciência para estruturas biônicas? Dito assim, de sopetão, parece uma
    piada do estabanado cientista superdotado Sheldon Cooper, do seriado Big Bang, a Teoria. Mas, de
    certa forma, A Guerra dos Mundos também não passava de uma imensa pegadinha do Orson
    Welles, e, hoje, os preparativos para as viagens e a colonização do planeta vermelho estão a pleno
    vapor. Qual o limite entre a ficção, o desejo e as reais potencialidades nesse campo?

    O robô com a consciência do cientista Sheldon: sentidos humanos incorporados a estruturas cibernéticas – Foto: Divulgação

    A apresentação de Bernardo começou baseada em teses de Ray Kurzweil, parceiro de Peter
    Diamandis na fundação da Singularity University no final da primeira década do século 21. Essa
    instituição se concentra em tecnologias “exponenciais” para fomentar o progresso científico.
    Especialmente Kurzweil, que defende que a singularidade ou unicidade das novas tecnologias
    emergentes como a nanotecnologia e a biotecnologia aumentarão de forma exponencial a
    inteligência e a sobrevida humana nas próximas duas décadas. Tudo isso seria possível graças a um
    conceito em que Diamandis acredita, de confluência de abundâncias: de recursos financeiros,
    computacionais, de saúde, de tempo e outros. Segundo o cientista, estamos vivendo em um
    momento superbacana, que só favorece o desenvolvimento exponencial que seu colega Kurzweil
    prevê.

    Algumas previsões de Kurzweil parecem tiradas diretamente de livros e filmes de ficção científica,
    mas vêm sendo testadas em laboratório com sucesso promissor. Essas previsões tomam como base
    a Lei de Moore, fundador da Intel, que previu, em 1965, que a capacidade computacional dobraria, e
    que seu custo cairia pela metade a cada 18 meses. Considerame também o seu fim, decretado com
    o aparecimento das IPU (Unidades de Processamento Inteligentes) e o engatinhar dos computadores
    quânticos (ainda muito grandes e não confiáveis – Parece com o início dos computadores quase 80
    anos atrás?). É o caso de partes do corpo feitas em impressoras 3D capazes de manipular e processar
    matéria orgânica.

    Lee Majors, o Homem de US$6 milhões – Foto: Divulgação

    Ou de partes construídas com nanotecnologia para serem implantadas no corpo humano, restaurando ou aumentando os sentidos como a audição e a visão. Os mais velhos se lembrarão de seriados com homens e mulheres biônicas. Os mais novos pensarão diretamente na ciborgue Nébula (ou Nebulosa, na fraca tradução) da Saga do Infinito da Marvel. Indo mais longe,
    depois de fazer individualmente todas as partes de um organismo humano, restaria realizar a transposição da consciência para um corpo todo formatado conforme seus desejos. Um humanoide perpétuo. Seria a imortalidade possível dessa forma?

    Por outro lado, o mundo corporativo parte da sociedade como a conhecemos passa por
    transformações reversas. É cada vez mais curto o ciclo de vida dos produtos e o tempo de vida das
    empresas e das corporações. Não só os computadores caríssimos de hoje são suplantados por
    outros mais baratos e mais poderosos amanhã. A obsolescência programada atinge todos os
    produtos do mundo moderno. E grandes empresas vêm cedendo seus lugares no ranking das mais
    valiosas do mundo a novatas recém-chegadas no mundo dos negócios. E essa dança das cadeiras
    também está bastante acelerada. As previsões apontam que entre as 500 maiores empresas do
    mundo, muitas terão desaparecido em cerca de 15 anos. Outro valor que vem se tornando cada vez
    mais efêmero é o das relações. A era das relações instantâneas propiciada pelas redes sociais
    chegou com força total. Os amigos conquistados hoje não te darão as curtidas desejadas amanhã,
    tornando-se descartáveis. Já que falamos de relações combinadas, suas combinações nos levam a
    questões éticas. Será que tudo isso acontecerá na forma que vem sendo prevista? Segundo a Teoria
    do Caos, os movimentos nesse tabuleiro geram outros movimentos de difícil previsão, até para o Dr.
    Estranho, pra falar de outro personagem Marvel. Exemplos disso estão presentes nas notícias todos
    os dias. Escândalos financeiros e sexuais dentro das startups demonstram que sempre haverá
    humanos com aquelas condições que todos desprezam em público, mas que alguns cultivam no
    privado. Como punir desvios de comportamento em uma sociedade de homens perpétuos? Que
    pena pode ser eficiente? Mais do que o mero castigo aos crimes, que tipo de educação pode evitar
    que esses desvios de comportamento continuem impactando a sociedade? Como será a avaliação do
    tempo nesse não tão admirável mundo novo? Faz lembrar uma faixa de um disco do grupo de rock
    progressivo holandês FOCUS, de 1972: Answers?Questions!Questions?Answers! Quem quiser ouvir e
    pensar no assunto, segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=jsqFEI_Ulhs

  • Presidente da ANCINE se defende de acusações de paralisação

    Presidente da ANCINE se defende de acusações de paralisação

    Christian de Castro esteve nesta sexta na RIO2C, para apresentar suas considerações obre as críticas
    recebidas após o vazamento de despacho seu que recomendava aos servidores da Agência Nacional
    de Cinema a suspensão de procedimentos de análise, aprovação e acompanhamento dos projetos
    de responsabilidade da agência.

    Mauro Garcia (BRAVI) questiona Castro – Foto: Divulgação

    Questionado por Mauro Garcia da Brasil Audiovisual Independente – BRAVI, Castro começou sua explicação lamentando o vazamento de uma comunicação interna para a imprensa – segundo ele, seis minutos após ter sido assinada por ele.
    Sem entrar em detalhes quanto à publicidade a que todos os atos de ofício na administração pública devem obedecer conforme previsto na Constituição Federal, Christian sustentou que, a bem da verdade, não tinha havido suspensão de nenhuma atividade. Apenas, no documento “vazado”, ele alertava seus colaboradores sobre os riscos individuais de atos efetivados por eles, devido ao acórdão do TCU que exige uma série de adequações da sistemática de prestação de contas da ANCINE ao tribunal que fiscaliza todas as contas do governo. Em seguida, detalhou que já está em andamento, desde o ano de 2018, quando recebeu ao primeiro acórdão referente à questão, um plano de ação enviado ao TCU e que gerou o sobrestamento das medidas que visavam paralisar a indústria do audiovisual. Segundo Castro, o plano de ação funciona em quatro eixos e pretende tratar individualmente dos projetos antigos, que geraram o passivo apontado pelo TCU, dos projetos em andamento, que também suscitarão algumas correções, e dos projetos futuros, que já terão que começar seguindo as novas diretrizes propostas.

    Após repetir exposição de dados conhecidos sobre o crescimento da indústria desde antes de sua
    indicação para gestor da agência, Christian afirmou que pretende continuar os entendimentos com o
    TCU. Ressaltou que vai apresentar os recursos que forem necessários para impedir que a indústria
    sofra com o desconhecimento das especificidades da atividade de produção pelo TCU, que tende a
    considerar a indústria como a da construção, por exemplo, em que licitações e concorrências são
    regidas por legislação específica. Pretende levar os técnicos do tribunal para conhecer o ambiente de
    uma produção, que pode empregar temporariamente até 300 trabalhadores, e fazer uso de recursos
    que não podem ser imobilizados pelas produtoras, sob risco de provocar sua insolvência. Lamentou
    a carência de servidores que permitam acelerar a quitação do passivo de prestação e contas
    apontado pelo TCU, mas defendeu a adoção do sistema ANCINE+simples, em que o próprio
    realizador passa a se responsabilizar pelas informações lançadas diretamente em sistema
    compartilhado com o Banco do Brasil. Essa é uma forma de evitar o surgimento de novos passivos
    nas prestações de contas.

  • Indústria do audiovisual luta contra suspensão de atividades

    Indústria do audiovisual luta contra suspensão de atividades

    Pega de surpresa pela recomendação do Diretor Presidente da Agência Nacional do Cinema –
    ANCINE, Christian de Castro, o Sindicatos da indústria do Audiovisual do Rio de Janeiro (SICAV) e o
    Sindicato da indústria do Audiovisual do Estado de São Paulo (SICAESP) se manifestaram contrários
    ao despacho de Castro, que, na prática, pode paralisar as atividades da indústria. O Audiovisual não
    é apenas um “setor” da economia, mas sim uma indústria, uma vez que emprega diretamente mais
    de 300 mil brasileiros, e registra mais de 34 mil empresas em toda a sua cadeia produtiva. O
    Presidente do SICAV, Leonardo Edde, afirmou que todos os processos de aprovação dentro da
    agência e também os processos já aprovados serão prejudicados, e atrasados em suas conclusões.

    Causou estranheza a notícia do embargo ser divulgada logo após a seleção de quatro longa
    metragens brasileiros para o Festival de Cannes, em França. Em entrevista coletiva concedida no
    auditório do RIO2C, Leonardo afirmou que o principal objetivo da indústria é suspender a
    paralisação e restaura a segurança jurídica para que a indústria possa seguir suas atividades.
    Comentando o recolhimento da Contribuição para o Desenvolvimento do Cinema e do Audiovisual
    (CONDECINE), paga por todas as produções brasileiras, Edde disse: “Não é possível que uma
    atividade que gera seu próprio combustível seja prejudicada por uma disputa entre duas entidades
    governamentais”, referindo-se a acórdão do TCU apontando irregularidades na prestação de contas
    da ANCINE. Criticou também o fato de a paralisação só ficar conhecida do público graças a um
    vazamento à imprensa. Inicialmente, a intenção era que o comunicado tivesse sua circulação restrita
    ao âmbito interno da agência. A Presidente do SICAESP, Simone de Mendonça, reclama que a
    ANCINE extrapola suas atribuições no despacho. Considera a ação contrária aos interesses da
    produção nacional. “Vamos tomar todas as ações necessárias para impedir o colapso da indústria”.

  • SMITHSONIAN INSTITUTION lança canal por assinatura no RIO2C

    SMITHSONIAN INSTITUTION lança canal por assinatura no RIO2C

    Sharbat Gula, a “garota afegã” – Foto: Steve McCurry

    O RIO2C abrigou o lançamento de um novo canal que vai integrar a grade da NET. É o canal do Instituto Smithsonian. A nova  programação estreia em maio, no canal 590 da NET. Uma variedade de assuntos compõe a temática de não ficção: História, viagens, aviação e exploração espacial, Ciências, Natureza e cultura pop. O gerenciamento da operação no Brasil ficará a cargo do Grupo Bandeirantes de Comunicação, que também vai responder pelas áreas de vendas e assessoria em marketing.  O Smithsonian foi fundado em 1846, estreou na televisão paga em 2007. Apesar de terem ouvido que chegaram tarde para a festa, dos 40 mil assinantes iniciais chegou a um total de 140 milhões de assinantes nos E.E.U.U. Eles esperam crescer da mesma forma no mercado brasileiro, que eles reconhecem ser um dos maiores do mundo, e esperam contar também com a parceria em novas produções. Um dos lemas do Smithsonian é “ir aonde nunca ninguém foi antes”. Aqui no Brasil, a primeira parceria de produção vai apresentar uma série sobre o Pantanal. Outras parcerias estão sendo analisadas. Mais uma opção com a marca de qualidade dos programas da SHOWTIME NETWORKS.

    David Royle (Smithsonian) e Monica Monteiro (Cinegroup) – Foto: Divulgação

    A direção executiva do canal é de Monica Monteiro, e o executivo da Smithsonian responsável pela entrada no Brasil é David Royle, diretor do documentário Em busca da garota afegã, de 2003, realizado quando a National Geographic decidiu reencontrar uma menina que fora capa de uma edição da revista em 1984 que ficou famosa por seu olhar meigo e perscrutador.