Categoria: Meio Ambiente

  • Após 10 anos, sistema Corumbá IV é inaugurado e vai fornecer água para 4 regiões do DF

    Após 10 anos, sistema Corumbá IV é inaugurado e vai fornecer água para 4 regiões do DF

    Segundo Caesb, ao todo, 1,3 milhão de pessoas em Brasília e em Goiás serão abastecidas pela estrutura. Obras, iniciadas em 2011, custaram cerca de R$ 500 milhões aos cofres públicos

    Após mais de 10 anos de obras, o sistema de abastecimento de água Corumbá IV foi inaugurado em cerimônia nesta quarta-feira (6). A expectativa é que a estrutura atenda cerca de 1,3 milhão de pessoas no Distrito Federal e Entorno. A construção, iniciada em 2011, custou R$ 500 milhões aos cofres públicos e foi marcada por paralisações e atrasos (veja detalhes abaixo).

    Foto: Renato Alves / Agência Brasília

    No DF, o sistema abastecerá as regiões de Gama, Santa Maria, Recanto das Emas e Riacho Fundo II. Já em Goiás, serão atendidos os municípios de Luziânia, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Novo Gama.

    O sistema é uma parceria entre a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e a Companhia Saneamento de Goiás (Saneago). Segundo o GDF, o objetivo é suprir a “necessidade de adoção de novos mananciais de abastecimento de água para o DF, diante do crescimento da população”.

    Cidades abastecidas pelo sistema Corumbá IV — Foto: Reprodução

    Caminho da água

    A cerimônia de inauguração contou com a presença dos governadores do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e de Goiás, Ronaldo Caiado.

    A água usada no sistema é captada no Lago Corumbá IV e passa pela estação elevatória de água bruta, na cidade de Luziânia. O volume captado segue, por meio de adutoras, até a estação de tratamento em Valparaíso.

    Depois de tratada, a água é encaminhada por meio de redes de distribuição para as casas das pessoas. Corumbá IV é conectada à rede básica do sistema interligado, que percorre aproximadamente 40 km até uma subestação em Santa Maria, no DF.

    Caminho da água que sai do sistema de abastecimento de Corumbá IV — Foto: Reprodução

    A adutora é composta por uma tubulação com capacidade de produção de 2,8 mil litros de água por segundo. Foram feitos 12,3 km de tubulação junto à capacitação de água, sob responsabilidade da Saneago, e 15,4 km até a estação de água em Corumbá, executados pela Caesb.

    A hidrelétrica de Corumbá IV banha os municípios goianos de Luziânia, Santo Antônio do Descoberto, Alexânia, Abadiânia, Silvânia, Novo Gama e Corumbá de Goiás.

    Obras

    Estação de tratamento em Valparaíso de Goiás — Foto: Reprodução

    O contrato para as obras de Corumbá IV foi assinado em 2009, na gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT). No entanto, as obras começaram apenas em 2011.

    Em 2014, os trabalhos foram paralisados pela primeira vez. A empresa responsável pela estação de tratamento de Valparaíso desistiu das obras. Uma nova licitação foi feita em 2014, mas a construção só foi retomada no ano seguinte.

    Em 2016, outro problema suspendeu a construção do sistema de abastecimento. Houve suspeita de irregularidades nas obras da Saneago, como direcionamento de licitação, aumento da quantidade de equipamentos comprados sem justificativa e com alto valor.

    As suspeitas levaram à suspensão do repasse de verbas para o estado. As obras de responsabilidade da Saneago só foram liberadas em 2017, após um acordo entre os órgãos fiscalizadores, empresas e governo para reduzir o valor das bombas que estavam com sobrepreço.

    Em setembro de 2020, a Caesb informou que as obras de responsabilidade da companhia estavam 97% concluídas. À época, era preciso realizar apenas testes operacionais e ajustes nos equipamentos para finalizar as etapas do DF.

    Fonte: G1

  • Reciclotech recicla quase 100% de lixo eletrônico do DF

    Reciclotech recicla quase 100% de lixo eletrônico do DF

    Programa do GDF recupera computadores, monitores e celulares sem uso e doa para escolas e bibliotecas

    Apenas 3% do lixo eletrônico produzido e descartado na América Latina têm destinação correta. Os 97% restantes são expostos à natureza, liberam substâncias tóxicas e podem causar danos ambientais irreparáveis. Na contramão desses riscos, o Governo do Distrito Federal (GDF) recupera quase 100% do lixo eletrônico coletado no DF e mantém em atividade a primeira usina de reciclarem desse tipo de resíduo na América Latina, o Reciclotech.

    Ações itinerantes de coleta de lixo eletrônico são feitas em todas as regiões administrativas com o Reciclotech Drive Thru, recolhendo materiais sem uso. Itens como computadores, monitores, aparelhos celulares e todo tipo de eletroeletrônico são reciclados e doados a escolas, bibliotecas e entidades, suprindo, assim, o déficit daqueles alunos que não têm como acessar os conteúdos de educação online que o governo tem disponibilizado. Uma forma de ampliar a inclusão digital e democratizar o acesso às tecnologias da informação.

    Em todo o Distrito Federal já foram instalados, até agora, 106 pontos de entrega voluntária em todas as regiões administrativas, realizadas 85 caravanas de coleta desses materiais e arrecadadas, aproximadamente, 100 mil toneladas de lixo eletrônico.

    Brasília segue acima da média nacional ao ter um ponto de coleta de lixo eletrônico para cada grupo de 15 mil moradores, o que demonstra a atenção do GDF ao desenvolver políticas públicas direcionadas ao tema.

    Referência na América Latina

    De acordo com o então secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF, Gilvan Máximo, que deixou o cargo recentemente para concorrer às próximas eleições, o Reciclotech é a única usina de reciclagem da América Latina e consegue recuperar 99,7% do lixo eletrônico que é encaminhado a ela, evitando que esses materiais tóxicos voltem à natureza, contaminem os lençóis freáticos e poluam o meio ambiente.

    “Isso é possível porque temos feito parcerias com empresas. Nosso programa é um sucesso, principalmente quando computadores já inutilizados são reformados e auxiliam alunos de baixa renda em seus trabalhos escolares”, diz Gilvan.

    Lucas Candeira é assessor especial na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). Antes de trabalhar na pasta, ele tinha conhecimento dos riscos de contaminação dos materiais eletrônicos na natureza. Agora, sua preocupação e seu cuidado são maiores ao ponto de ele virar referência dos amigos que precisam dispensar esses produtos sem uso e não sabem aonde levar. “Encaminho para um ponto de descarte perto da minha casa e lá o material é reaproveitado ou separado para reciclagem das peças”, conta.

    De acordo com ele, tudo que passa algum tipo de energia pode ser descartado como lixo eletrônico – de um fone de ouvido do celular a uma geladeira. E aí cabe à Organização da Sociedade Civil (OSC) Programando o Futuro dar o devido destino aos aparelhos e peças eletrônicos. “Esses materiais são tóxicos e, se não destinados de forma correta, contaminam o solo e a água”, alerta.

    No Setor de Indústrias do Gama, o Instituto Viver Rafaela recebeu dez computadores recuperados do lixo e que agora fazem parte de um laboratório de informática para adolescentes e adultos. Muitas pessoas em situação de vulnerabilidade estão, inclusive, sendo capacitadas para o mercado de trabalho.

    Cida Bezerra, 55 anos, é presidente da instituição e diz que o suporte oferecido por meio da sala de informática será capaz de mudar a realidade de quem precisa sair do desemprego, mas não tem noção alguma em informática. “Comprar computadores ficaria muito caro. Ter recebido essas máquinas recuperadas é muito importante para ajudar tanto as pessoas a conseguir um emprego quanto as que precisam de um suporte para estudar”, conclui.

    Ameaça

    Estudo promovido pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) – avaliando 13 países da América Latina – concluiu que os resíduos e materiais eletrônicos estão entre os tipos de lixo que crescem de forma mais rápida no mundo, ameaçando o desenvolvimento sustentável. De acordo com o texto, o descarte desse tipo de material cresceu 49% entre 2010 e 2019.

    O lixo eletrônico produzido nesses 13 países é composto por várias substâncias tóxicas e, segundo a Unido, têm 2,2 kg de mercúrio, 600 kg de cádmio, 4,4 mkg (quilograma-metro) de chumbo e 5,6 megatoneladas de gases de efeito estufa.

    Em 2010, foi instituída no Brasil a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A Lei nº 12.305/10 prevê um ponto de coleta de lixo eletrônico para cada grupo de 25 mil habitantes. É por meio dessa legislação que se organiza a forma com que o país lida com o lixo, exigindo dos setores públicos e privados transparência no gerenciamento de seus resíduos.