De 25 de abril a 12 de agosto, jovens e adultos com idade entre 15 e 60 anos poderão participar da segunda edição do Cultura In Movimento. Aulas são ministradas pela internet
Estão abertas as inscrições para a segunda edição do projeto Cultura In Movimento. Entre os dias 25 de abril e 12 de agosto, jovens e adultos, com idade entre 15 e 60 anos, poderão participar, de forma gratuita, das oficinas de capacitação em audiovisual. Serão 15 módulos semanais, com aulas on-line, sempre das 14 às 16h. Para se inscrever, basta acessar o endereço www.culturainmovimento.com.br.
Uma parceria da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa com o Instituto Cultural Meninos de Ceilândia, o Cultura In Movimento II tem como objetivo formar novos profissionais para atuar em um dos mercados que mais crescem, o do audiovisual. Em 2021, mais de mil estudantes participaram dos workshops, durante a primeira edição do projeto.
Para a produtora executiva da ação, Mônica Alves, a proposta tem como objetivo democratizar o acesso à capacitação profissional. “O projeto é 100% gratuito e a única exigência é que o aluno possua um dispositivo (celular, tablet ou computador) conectado à internet. Nossa meta é alcançar os jovens e adultos que precisam se qualificar, mas não têm condições de pagar por um curso particular”, explica.
Ainda de acordo com a responsável, outro atrativo do Cultura In Movimento é ser oferecido à distância. “Embora tenhamos alunos de todo o Distrito Federal, parte considerável dos inscritos vive em regiões mais carentes de Brasília. Pessoas que não teriam condições de custear passagens para se deslocar até o local das aulas. Isso democratiza os ensino e as oportunidades de um emprego”, pontua Mônica.
A primeira oficina será realizada entre os dias 25 e 29 de abril e terá como tema “Produção para cinema e audiovisual”. As vagas são limitadas a 60 alunos por turma. Ao término do projeto, os alunos da oficina de “Captação de imagem” participarão da produção de um documentário e terão a possibilidade de colocar em prática, o que aprenderam durante o workshop. Todos os alunos receberão certificados.
Serviço: Projeto Cultura In Movimento II Inscrições gratuitas pelo site: www.culturainmovimento.com.br Aulas: 25/04 a 12/08
BERNARDO ZAMIJOVSKY é curador de inovação do RIO2C. Na conferência/exposição/festival, ele fez
uma apresentação exatamente sobre uma questão filosófica que tem assaltado já há algum tempo
os pensadores modernos. Até quando se estenderá a vida humana como a conhecemos? Será
possível transferir nossa consciência para estruturas biônicas? Dito assim, de sopetão, parece uma
piada do estabanado cientista superdotado Sheldon Cooper, do seriado Big Bang, a Teoria. Mas, de
certa forma, A Guerra dos Mundos também não passava de uma imensa pegadinha do Orson
Welles, e, hoje, os preparativos para as viagens e a colonização do planeta vermelho estão a pleno
vapor. Qual o limite entre a ficção, o desejo e as reais potencialidades nesse campo?
O robô com a consciência do cientista Sheldon: sentidos humanos incorporados a estruturas cibernéticas – Foto: Divulgação
A apresentação de Bernardo começou baseada em teses de Ray Kurzweil, parceiro de Peter
Diamandis na fundação da Singularity University no final da primeira década do século 21. Essa
instituição se concentra em tecnologias “exponenciais” para fomentar o progresso científico.
Especialmente Kurzweil, que defende que a singularidade ou unicidade das novas tecnologias
emergentes como a nanotecnologia e a biotecnologia aumentarão de forma exponencial a
inteligência e a sobrevida humana nas próximas duas décadas. Tudo isso seria possível graças a um
conceito em que Diamandis acredita, de confluência de abundâncias: de recursos financeiros,
computacionais, de saúde, de tempo e outros. Segundo o cientista, estamos vivendo em um
momento superbacana, que só favorece o desenvolvimento exponencial que seu colega Kurzweil
prevê.
Algumas previsões de Kurzweil parecem tiradas diretamente de livros e filmes de ficção científica,
mas vêm sendo testadas em laboratório com sucesso promissor. Essas previsões tomam como base
a Lei de Moore, fundador da Intel, que previu, em 1965, que a capacidade computacional dobraria, e
que seu custo cairia pela metade a cada 18 meses. Considerame também o seu fim, decretado com
o aparecimento das IPU (Unidades de Processamento Inteligentes) e o engatinhar dos computadores
quânticos (ainda muito grandes e não confiáveis – Parece com o início dos computadores quase 80
anos atrás?). É o caso de partes do corpo feitas em impressoras 3D capazes de manipular e processar
matéria orgânica.
Lee Majors, o Homem de US$6 milhões – Foto: Divulgação
Ou de partes construídas com nanotecnologia para serem implantadas no corpo humano, restaurando ou aumentando os sentidos como a audição e a visão. Os mais velhos se lembrarão de seriados com homens e mulheres biônicas. Os mais novos pensarão diretamente na ciborgue Nébula (ou Nebulosa, na fraca tradução) da Saga do Infinito da Marvel. Indo mais longe,
depois de fazer individualmente todas as partes de um organismo humano, restaria realizar a transposição da consciência para um corpo todo formatado conforme seus desejos. Um humanoide perpétuo. Seria a imortalidade possível dessa forma?
Por outro lado, o mundo corporativo parte da sociedade como a conhecemos passa por
transformações reversas. É cada vez mais curto o ciclo de vida dos produtos e o tempo de vida das
empresas e das corporações. Não só os computadores caríssimos de hoje são suplantados por
outros mais baratos e mais poderosos amanhã. A obsolescência programada atinge todos os
produtos do mundo moderno. E grandes empresas vêm cedendo seus lugares no ranking das mais
valiosas do mundo a novatas recém-chegadas no mundo dos negócios. E essa dança das cadeiras
também está bastante acelerada. As previsões apontam que entre as 500 maiores empresas do
mundo, muitas terão desaparecido em cerca de 15 anos. Outro valor que vem se tornando cada vez
mais efêmero é o das relações. A era das relações instantâneas propiciada pelas redes sociais
chegou com força total. Os amigos conquistados hoje não te darão as curtidas desejadas amanhã,
tornando-se descartáveis. Já que falamos de relações combinadas, suas combinações nos levam a
questões éticas. Será que tudo isso acontecerá na forma que vem sendo prevista? Segundo a Teoria
do Caos, os movimentos nesse tabuleiro geram outros movimentos de difícil previsão, até para o Dr.
Estranho, pra falar de outro personagem Marvel. Exemplos disso estão presentes nas notícias todos
os dias. Escândalos financeiros e sexuais dentro das startups demonstram que sempre haverá
humanos com aquelas condições que todos desprezam em público, mas que alguns cultivam no
privado. Como punir desvios de comportamento em uma sociedade de homens perpétuos? Que
pena pode ser eficiente? Mais do que o mero castigo aos crimes, que tipo de educação pode evitar
que esses desvios de comportamento continuem impactando a sociedade? Como será a avaliação do
tempo nesse não tão admirável mundo novo? Faz lembrar uma faixa de um disco do grupo de rock
progressivo holandês FOCUS, de 1972: Answers?Questions!Questions?Answers! Quem quiser ouvir e
pensar no assunto, segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=jsqFEI_Ulhs
Christian de Castro esteve nesta sexta na RIO2C, para apresentar suas considerações obre as críticas
recebidas após o vazamento de despacho seu que recomendava aos servidores da Agência Nacional
de Cinema a suspensão de procedimentos de análise, aprovação e acompanhamento dos projetos
de responsabilidade da agência.
Questionado por Mauro Garcia da Brasil Audiovisual Independente – BRAVI, Castro começou sua explicação lamentando o vazamento de uma comunicação interna para a imprensa – segundo ele, seis minutos após ter sido assinada por ele.
Sem entrar em detalhes quanto à publicidade a que todos os atos de ofício na administração pública devem obedecer conforme previsto na Constituição Federal, Christian sustentou que, a bem da verdade, não tinha havido suspensão de nenhuma atividade. Apenas, no documento “vazado”, ele alertava seus colaboradores sobre os riscos individuais de atos efetivados por eles, devido ao acórdão do TCU que exige uma série de adequações da sistemática de prestação de contas da ANCINE ao tribunal que fiscaliza todas as contas do governo. Em seguida, detalhou que já está em andamento, desde o ano de 2018, quando recebeu ao primeiro acórdão referente à questão, um plano de ação enviado ao TCU e que gerou o sobrestamento das medidas que visavam paralisar a indústria do audiovisual. Segundo Castro, o plano de ação funciona em quatro eixos e pretende tratar individualmente dos projetos antigos, que geraram o passivo apontado pelo TCU, dos projetos em andamento, que também suscitarão algumas correções, e dos projetos futuros, que já terão que começar seguindo as novas diretrizes propostas.
Após repetir exposição de dados conhecidos sobre o crescimento da indústria desde antes de sua
indicação para gestor da agência, Christian afirmou que pretende continuar os entendimentos com o
TCU. Ressaltou que vai apresentar os recursos que forem necessários para impedir que a indústria
sofra com o desconhecimento das especificidades da atividade de produção pelo TCU, que tende a
considerar a indústria como a da construção, por exemplo, em que licitações e concorrências são
regidas por legislação específica. Pretende levar os técnicos do tribunal para conhecer o ambiente de
uma produção, que pode empregar temporariamente até 300 trabalhadores, e fazer uso de recursos
que não podem ser imobilizados pelas produtoras, sob risco de provocar sua insolvência. Lamentou
a carência de servidores que permitam acelerar a quitação do passivo de prestação e contas
apontado pelo TCU, mas defendeu a adoção do sistema ANCINE+simples, em que o próprio
realizador passa a se responsabilizar pelas informações lançadas diretamente em sistema
compartilhado com o Banco do Brasil. Essa é uma forma de evitar o surgimento de novos passivos
nas prestações de contas.
Pega de surpresa pela recomendação do Diretor Presidente da Agência Nacional do Cinema –
ANCINE, Christian de Castro, o Sindicatos da indústria do Audiovisual do Rio de Janeiro (SICAV) e o
Sindicato da indústria do Audiovisual do Estado de São Paulo (SICAESP) se manifestaram contrários
ao despacho de Castro, que, na prática, pode paralisar as atividades da indústria. O Audiovisual não
é apenas um “setor” da economia, mas sim uma indústria, uma vez que emprega diretamente mais
de 300 mil brasileiros, e registra mais de 34 mil empresas em toda a sua cadeia produtiva. O
Presidente do SICAV, Leonardo Edde, afirmou que todos os processos de aprovação dentro da
agência e também os processos já aprovados serão prejudicados, e atrasados em suas conclusões.
Causou estranheza a notícia do embargo ser divulgada logo após a seleção de quatro longa
metragens brasileiros para o Festival de Cannes, em França. Em entrevista coletiva concedida no
auditório do RIO2C, Leonardo afirmou que o principal objetivo da indústria é suspender a
paralisação e restaura a segurança jurídica para que a indústria possa seguir suas atividades.
Comentando o recolhimento da Contribuição para o Desenvolvimento do Cinema e do Audiovisual
(CONDECINE), paga por todas as produções brasileiras, Edde disse: “Não é possível que uma
atividade que gera seu próprio combustível seja prejudicada por uma disputa entre duas entidades
governamentais”, referindo-se a acórdão do TCU apontando irregularidades na prestação de contas
da ANCINE. Criticou também o fato de a paralisação só ficar conhecida do público graças a um
vazamento à imprensa. Inicialmente, a intenção era que o comunicado tivesse sua circulação restrita
ao âmbito interno da agência. A Presidente do SICAESP, Simone de Mendonça, reclama que a
ANCINE extrapola suas atribuições no despacho. Considera a ação contrária aos interesses da
produção nacional. “Vamos tomar todas as ações necessárias para impedir o colapso da indústria”.
Sharbat Gula, a “garota afegã” – Foto: Steve McCurry
O RIO2C abrigou o lançamento de um novo canal que vai integrar a grade da NET. É o canal do Instituto Smithsonian. A nova programação estreia em maio, no canal 590 da NET. Uma variedade de assuntos compõe a temática de não ficção: História, viagens, aviação e exploração espacial, Ciências, Natureza e cultura pop. O gerenciamento da operação no Brasil ficará a cargo do Grupo Bandeirantes de Comunicação, que também vai responder pelas áreas de vendas e assessoria em marketing. O Smithsonian foi fundado em 1846, estreou na televisão paga em 2007. Apesar de terem ouvido que chegaram tarde para a festa, dos 40 mil assinantes iniciais chegou a um total de 140 milhões de assinantes nos E.E.U.U. Eles esperam crescer da mesma forma no mercado brasileiro, que eles reconhecem ser um dos maiores do mundo, e esperam contar também com a parceria em novas produções. Um dos lemas do Smithsonian é “ir aonde nunca ninguém foi antes”. Aqui no Brasil, a primeira parceria de produção vai apresentar uma série sobre o Pantanal. Outras parcerias estão sendo analisadas. Mais uma opção com a marca de qualidade dos programas da SHOWTIME NETWORKS.
David Royle (Smithsonian) e Monica Monteiro (Cinegroup) – Foto: Divulgação
A direção executiva do canal é de Monica Monteiro, e o executivo da Smithsonian responsável pela entrada no Brasil é David Royle, diretor do documentário Em busca da garota afegã, de 2003, realizado quando a National Geographic decidiu reencontrar uma menina que fora capa de uma edição da revista em 1984 que ficou famosa por seu olhar meigo e perscrutador.
Num espaço patrocinado pela PETROBRAS, um painel apresentou experiências na área da Educação
que vêm apresentando resultados bastante consideráveis. Carlos Souza, diretor geral da Udacity no
Brasil registrou um momento de retração no negócio, consequência de ajustes promovidos pela
matriz, visando adequar os custos. A partir de julho deste ano, os cursos oferecidos na plataforma
em Português serão descontinuados. A Udacity começou com o conceito de nanocursos, que são
cursos de curta duração. Todos os programas versam sobre tecnologias de ponta, preparando os
trabalhadores do amanhã. Já desde o início, quando percebeu a carência de mão de obra na área da
alta tecnologia.
Na verdade, a empresa começou após a constatação da demanda pelo professor da
Universidade de Stanford Sebastian Thrun, que também está inserido nos projetos do Google Glass e
dos carros autônomos da Google. Thrun decidiu oferecer gratuitamente para seus alunos na
universidade um curso de Introdução à Inteligência Artificial em 2011. A notícia correu e o curso
granjeou 160 mil inscrições, vindas de mais de 190 países. Vendo a oportunidade latente, o
acadêmico buscou parcerias de mão dupla com grandes desenvolvedores de alta tecnologia. Não
apenas na formatação e montagem dos cursos, mas também visando o aproveitamento profissional
dos “nanograduados”. Entre essas empresas, a própria Google, a Amazon, Mercedes Benz, NVIDIA,
IBM, AT&T e muitas outras. Dos 160 mil inscritos inicialmente, cerca de 40 mil conseguiram terminar
o curso. Isso apontou o primeiro grande desafio da EaD. O abandono e/ou a evasão de alunos. Bruno
Sanovicz, Diretor Executivo, DNA Conteúdo Digital destacou que não é o caso na Udacity, mas que
ele tem assistido com frequência a mera transposição de cursos presenciais para plataformas
digitais. Segundo ele, a utilização da abordagem clássica e industrial da educação presencial em
iniciativas a distância são a principal causa da desistência de alunos. Mesmo depois do advento dos
ambientes de MOOCs (Massive Open Online Courses), alguns educadores não entenderam a
necessidade de desenvolver conteúdos especificamente para transmissão a distância online.
Carla Uller, Gerente Executiva de Educação, Inovação Social e Comunicação, Oi Futuro – Foto: Divulgação
A montagem do programa educacional também pode fomentar a permanência do aluno no curso. Em
uma experiência que é desenvolvida em Recife e no Rio de Janeiro, a Oi Futuro implantou o
programa Nave – Núcleo Avançado de Educação. Esse programa de Ensino Médio abandonou o
modelo industrial de educação utilitarista e apontou sua bússola para novas tecnologias. Em um país
com quase 50 milhões de alunos, mais de 2 milhões de professores, o desafio é não permitir que
existam, hoje, mais de 1 milhão de alunos fora do Ensino Médio. Quase 50% dos que estão
matriculados não terminarão seus estudos. E, entre os que permanecem, 93% saem da escola sem
um nível satisfatório em Matemática. Quase metade apresenta a mesma deficiência em Língua
Portuguesa. E somente 10% recebem alguma formação técnica durante o Ensino Médio. O NAVE, em
suas duas escolas, adotou um novo modelo, com a integração do aprendizado de novas tecnologias
e a integração de conteúdos, sem seguir a sequência linear das escolas tradicionais.
A incorporação do ensino de habilidades das novas economias, como programação, design, audiovisual e robótica
favorece a não dissociação desses novos conteúdos das disciplinas tradicionais, como a Matemática,
a História e a Língua Portuguesa, por exemplo. As oportunidades são infinitas. Um aluno pode
empregar seus conhecimentos de Biologia para construir seu próprio modelo de corpo humano
impresso em 3D. Outro pode estudar História Medieval em um processo gamificado, em um
tabuleiro ou área de trabalho criado por ele próprio. Esses alunos também dispõem é o
aproveitamento desses formandos por empresas. A própria Oi tem programa de aquisição desses
talentos. Outra instituição que favorece a integração do aluno ao mercado profissional é a Fábrica de
Startups do Rio de Janeiro, associada à Ecole 42, instituição criada em Paris, França. Essas duas
iniciativas têm sede no Novo Porto do Rio de Janeiro. Ocupando uma área de 3200 m 2 , ela oferece a
comunidades carentes (em especial a do Morro da Providência, considerada a primeira favela.
brasileira) 450 posições de cocriação que podem atender até 1350 jovens que querem aprender e aprender a empreender.
HECTOR GUSMÃO, Presidente e Cofundador, Fábrica de Startups Brasil e
da École 42, revelou que o Fábrica abriga um auditório aberto para exposição de conteúdos
inovadores. A novidade principal é que a ponte construída com a comunidade, permitiu trazer para a
Fábrica membros dessa comunidade, com um ensino colaborativo, sem cobrar dos alunos, e vão
permitindo aos estudantes começarem a levar dinheiro para casa em 6 meses. ”Não é preciso
esperar 4, 5 anos para começar a ganhar dinheiro por meio de seu trabalho”. PHP, HTML, e outros
novos conhecimentos vão permitindo aos alunos ingressarem em uma galáxia de atividades para
livre escolha. Seja cibersegurança ou desenvolvimento de aplicativos Android. Essas iniciativas
mostram como é possível discutir as relações entre o saber e a dominação. Com inovação e
criatividade, é totalmente viável oferecer à sociedade condições de aprendizado de um
conhecimento que não só lhe vai ser útil durante toda a vida, mas também lhe permitirá atuação
livre, de acordo com a ideia do destino completo da humanidade.
O segundo dia do RIO2C reservou uma experiência única para quem acordou cedo e chegou à
Cidade das Artes antes de 8h30. Uma conversa com Ted Sarandos, Chief Content Officer (CCO)
da Netflix, moderada pelo Wagner Moura, ator, diretor e produtor brasileiro, pioneiro na
investida da Netflix sobre o mercado brasileiro. Sarandos destacou a qualidade do trabalho de
Moura em Narcos, uma história que teve grande aceitação em outros países – inclusive nos
Estados Unidos, mesmo com a barreira do espanhol falado em toda a série, legendado em
inglês, coisa a que os americanos não estão acostumados. Sobre isso, Ted Sarandos destacou
que levou quase duas décadas para que a Netflix percebesse que uma história bem contada
pode ter apelo global. Obviamente, essa percepção passou pela necessidade de a empresa
realizar suas próprias produções. Depois de migrar de um serviço de entrega de DVDs pelos
correios para o modelo atual de streaming de entretenimento em diversos formatos, seus
primeiros fornecedores (grandes estúdios norte americanos) perceberam o papel de
concorrente diferenciado dos “novatos” e pararam de oferecer seus títulos para a nova
distribuidora. A solução foi começar a produzir suas próprias obras. Desde o lançamento de
House of Cards até Black Mirror, o sucesso atual, o caminho foi de aprendizado. Tanto que a
Netflix decidiu apostar fortemente no mercado brasileiro, não apenas como consumidor, mas
também como fornecedor privilegiado de histórias universais para inserção em outros
mercados. Essa é, inclusive, tática para enfrentar a antiga concorrência, que agora entra
também no mercado de streaming, o que é o caso da Disney, da Amazon, da Crackle, dos
streamings da HBO, Google e do iTunes e, no Brasil, da própria Rede Globo, com a plataforma
GloboPlay.
Wagner Moura e Ted Sarandos no RIO2C – Foto: Divulgação
A excelente notícia é que essa iniciativa tende a fortalecer cada vez mais nosso mercado
audiovisual. De cara, Ted Sarandos anunciou que há 30 produções programadas de histórias
brasileiras, entre longa metragens e minisséries. Isso não inclui o filme já rodado, em fase de
lançamento, em que Wagner Moura interpreta o papel principal de SÉRGIO. Não, não é uma
película sobre o Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. O longa conta a história do diplomata
brasileiro no Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2002 e 2003.
Sérgio Vieira de Mello foi morto em uma ataque a bomba à sede da Onu em Bagdá, no Iraque
em 2003.
A plateia lotada para ouvir Wagner Moura e Ted Sarandos – Foto: Divulgação
Wagner Moura falou também sobre a mudança de paradigma na análise da questão da
produção cinematográfica brasileira após sua estreia na direção do filme Marighella. Para ele,
esse olhar de direção, do lado de dentro da produção, permite ver as dificuldades que os
realizadores enfrentam em nosso país, especialmente nesse momento em que o Governo
ameaça interromper a liberação de recursos já aprovados para novas produções.
Começou em pleno feriado carioca de São Jorge a edição 2019 do Rio2C, versão ampliadíssima do
Rio Content Market, que começou em 2010. A ampliação se deveu à intensa participação, já desde o
ano passado, de players da área de games, de música e da indústria da propaganda, por meio de
seus atores no branded content. Esse crescimento transformou o mix de conferência, exposição e
festival no maior evento da indústria do audiovisual, da inovação e da comunicação da América
Latina. O nome acabou surgindo a partir de um trocadilho em inglês. A Rio Creative Conference
acabou virando RIO2C (em inglês pronuncia-se como Rio to see, que tem entre suas traduções
possíveis, “O que se ver no Rio”).
Contrariando a falsa impressão de que carioca leva a vida na praia, o evento começou
concorridíssimo, sem dar bola para o feriado que levou milhões às igrejas e aos terreiros para
festejar São Jorge. Claro que a organização sofreu com a fila enorme de participantes que
resolveram chegar meio em cima da hora das primeiras palestras. Isso acabou causando grande
atraso na entrega de passes e credenciais. Quem se preveniu e chegou mais cedo não teve
problemas. Também é óbvio que alguns espaços, como o Brain Space, da área de inovação, são mais
disputados, e quem não entrar em fila corre o risco de não conseguir lugar.
MARCIUS MELHEM – Foto: Divulgação
Uma das atrações do primeiro dia foi uma conversa aberta com Marcius Melhem, do elenco da Rede
Globo, onde também atua como roteirista e idealizador de programas e atrações. Uma grande
oportunidade para troca de experiências com um dos inovadores do mercado de comunicação.
Mostrando sua ousadia, marcante desde o início de sua carreira, Marcius recomendou aos jovens
presentes que nunca tenham medo de enfrentar os executivos. “Eles descobrem e apontam
problemas, mas cabe a vocês apresentar a solução”, disse Melhem.
ADAM MUNIZ, assessor internacional da ANCINE – Foto: Divulgação
Em espaço que leva o nome Brazilian Content, o representante da Ancine Adam Muniz deu boas
vindas às delegações internacionais que vieram para o RIO2C. O Brazilian Content é fruto de uma
parceria entre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), a Agência Brasileira de Promoção de
Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura
(SAv/MinC). Entre suas metas, está a promoção de novas oportunidades de coprodução e
exportação de conteúdo audiovisual para produtores brasileiros independentes. Em sua exposição,
o Assessor Internacional Adam Muniz apresentou para uma plateia multinacional números
impressionantes sobre os resultados obtidos com os mecanismos de fomento à produção no Brasil.
Os fundos administrados pela ANCINE e pelo Fundo Setorial do Audiovisual – FSA somaram, em
2018, mais de US$ 250 milhões, e a indústria já emprega 300 mil brasileiros e vem crescendo em
ritmo acelerado. A ANCINE tem registradas mais de 34 mil empresas em toda a cadeia do
audiovisual, sendo 7 mil produtoras de conteúdo audiovisual. De 2008 a 2014, um crescimento no
número de obras audiovisuais de 150% refletiu-se em mais de 3.400 obras brasileiras certificadas
por ano. O faturamento por setor vem notando uma migração para o Vídeo sob Demanda (Video On
Demand, ou VOD), a exemplo do que acontece no resto do mundo. Muito significativo é o
crescimento do número de filmes. De apenas 14 lançamentos em 1995, no ano passado,
ultrapassou-se a marca de 170 filmes. Outro número impressionante é o número de acordos de
coprodução que a Agência conseguiu estabelecer. São 23 países, sendo que alguns acordos bilaterais
e multilaterais ainda precisam ser ratificados.