Categoria: Colunistas

  • A pergunta de sempre

    A pergunta de sempre

    O caso do banco Master vem povoar a história de maus feitos de gente graúda. Desde o último ano do século 20, com o Banco Marka, passando pela maquiagem de balanços do Banco Panamericano, as fraudes no Opportunity de Daniel Dantas e de Naji Nahas, os escândalos do Mensalão, da Lava Jato, o grupo X de Eike Batista, o time de vôlei de ex-governadores do RJ presos por corrupção, os muitos casos de desvios no INSS, todos eles têm muita coisa em comum. As operações da Polícia Federal que revelam fraudes e golpes contra o Erário, e, em última análise, contra a própria sociedade civil tem mais semelhanças que suas denominações engraçadas – ou, no mínimo, curiosas (Papel Furado, Roleta Russa, Papa Léguas, Sem Desconto, Deus Tá Vendo, Psicose e muitas outras). Expedem-se mandados de prisão, os responsáveis ficam presos (uns por mais tempo, outros por menos), mas ao fim e ao cabo, as prisões são confortáveis e nenhum dos envolvidos cumpre a pena integralmente. Isso quando chegam a julgamento. Advogados hábeis descobrem falhas no processo investigativo e terminam por conseguir a anulação dos processos graças àquilo que muitos chamam de filigranas jurídicas.

    Ibaneis Rocha, Governador do Distrito Federal, assegura que os 17 deputados que votaram a favor da venda do BRB para o Master, que são seus aliados na CLDF, votaram por convicção – crédito ilustração

    Mas, voltando ao que interessa mais do que uma prisão dos bandidos por vingança, a pergunta que nunca cala é: Quem vai reparar o s danos causados pela gestão temerária no Master e pelas apostas duvidosas das autoridades que jogaram dinheiro público nessa ciranda financeira? É pouquíssimo provável que os responsáveis pelos bilhões jogados na pirâmide pelo governo do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e de dezenas de prefeituras não soubessem que estavam fazendo um investimento de altíssimo risco. De que maneira será garantida a aposentadoria de milhões de pensionistas? Até aqui, tudo indica que será mais uma fatura espetada nas costas de todos nós. Todos, não, porque os banqueiros devem manter seus patrimônios acumulados com seus esquemas bilionários.

  • Capital Moto Week 2025 encerra edição histórica

    Capital Moto Week 2025 encerra edição histórica

     Detonautas, com 27 anos de estrada, entregaram ao público um show carregado de memória, peso e emoção. A turnê “Elétrico” – crédito: divulgação CMW)

    O Capital Moto Week 2025 (CMW), o maior festival de motos e rock da América Latina, chegou ao fim em Brasília deixando marcas positivas e um legado de experiências inesquecíveis para motociclistas, visitantes e amantes da cultura sobre duas rodas. Durante os 10 dias de evento, realizados entre 24 de julho e 2 de agosto no Parque de Exposições da Granja do Torto, a chamada Cidade da Moto pulsou com mais de 800 mil visitantes, 300 mil motocicletas e quase 1,8 mil motoclubes de todo o Brasil e do mundo – números que reforçam a dimensão do encontro e consolidam o festival como um dos mais importantes do calendário cultural e turístico nacional. A atmosfera que se viu nos quatro dias em que nossa equipe de reportagem esteve presente foi de intensa vitalidade: milhares de motociclistas circulando entre lojas de produtos temáticos, espaços gastronômicos, ativações de marcas nacionais e internacionais, além de atrações radicais como roda gigante, tirolesa, booste e cinema ao ar livre – aspectos que reforçam a diversidade de experiências pensadas para o público do festival.

    Os números falam por si: 856 mil pessoas, 300 mil motos e 1,8 mil motoclubes cruzaram a Cidade da Moto edição 2025 (crédito: CMW)

    No centro da programação, mais de 100 shows completaram a ambientação musical, com grandes nomes do rock nacional e internacional, provas de que o CMW não é apenas um encontro de motos, mas um verdadeiro festival cultural. Bandas consagradas como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Samuel Rosa, Angra, Cidade Negra, Magic!, além de performances marcantes de artistas como Detonautas e Marcão Britto & Thiago Castanho – Charlie Brown Jr., embalaram noites de emoção e celebração, unindo diferentes gerações de fãs.

    Além do entretenimento, o evento consolidou-se como um importante vetor econômico para a capital federal. Segundo a Secretaria de Turismo do Distrito Federal, o CMW injetou cerca de R$ 60 milhões na economia local, gerou milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, além de atrair turistas de diversos estados e países e impulsionar a hotelaria, o comércio e o setor de serviços da região.

    Entretanto, a magnitude e a grandiosidade do festival também trouxeram à tona algumas questões operacionais que podem ser aperfeiçoadas já na próxima edição, agendada para 23 de julho a 1º de agosto de 2026. Um dos principais pontos refere-se à mobilidade dos pedestres no interior do evento. Com milhares de visitantes e, principalmente motos, é claro! transitando pela Cidade da Moto, ficou evidente a necessidade de corredores amplos, sinalizados e seguros para caminhada, especialmente para pessoas com dificuldade de locomoção (PDF), idosos e famílias com carrinhos de bebê. Essas adequações podem garantir maior conforto e fluidez nos deslocamentos entre os palcos, áreas comerciais, praças de alimentação e estacionamentos, promovendo assim uma experiência ainda mais acolhedora e inclusiva para todos os públicos.

    Outro aspecto que merece atenção diz respeito à estrutura da sala de imprensa. Jornalistas e equipes de cobertura que passam horas caminhando pelo vasto complexo enfrentaram limitações estruturais, como a falta de computadores disponíveis para redação de reportagens in loco, exigindo que repórteres carregassem notebooks em mochilas enquanto faziam a cobertura. A oferta de pelo menos uma estação de trabalho com computador, bem como vouchers de alimentação para a imprensa credenciada, representaria um avanço significativo no apoio aos profissionais que contribuem para ampliar a visibilidade do evento – um investimento que certamente retornaria em maior qualidade e agilidade nas mídias produzidas.

    Em meio às sugestões e desafios, o balanço geral do CMW 2025 é marcadamente positivo: trata-se de uma edição que reafirmou a força cultural do motociclismo, promoveu encontros memoráveis, impulsionou a economia local e consolidou Brasília como referência internacional em eventos de life style e música, reforçando o papel do Capital Moto Week como um dos grandes festivais do Brasil e do mundo.

  • GDF autoriza a construção de uma UBS em Arniqueira ao custo de R$ 12 milhões

    GDF autoriza a construção de uma UBS em Arniqueira ao custo de R$ 12 milhões

    A comunidade de Arniqueira está prestes a receber um dos equipamentos públicos mais esperados desde a criação da 33ª Região Administrativa: a sua primeira Unidade Básica de Saúde (UBS). O Governo do Distrito Federal anunciou oficialmente a construção da UBS Tipo II, um modelo mais completo e estruturado, capaz de ampliar o atendimento à população e fortalecer a atenção primária em saúde.

    UBS de Arniqueira terá recursos da Terracap para sua construção (foto:Ilustrativa)

    A obra será executada pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), com investimento de aproximadamente R$ 12 milhões, valor disponibilizado por meio de recursos da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). O convênio que autoriza o início das etapas de contratação foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nesta segunda-feira (1º de dezembro), selando o compromisso do GDF com a expansão dos serviços públicos em Arniqueira.
    A UBS terá 1,4 mil m² de área construída e será implantada em um terreno de 5,8 mil m², localizado na área da Administração Regional de Arniqueira.

    Telma Rufino, administradora regional da cidade, destacou que a construção da UBS representa uma das maiores conquistas de sua gestão. “O Papai Noel chegou mais cedo este ano e trouxe um presente gigantesco para toda a nossa comunidade. Esta unidade básica de saúde vai atender a todos, sem distinção, e melhorar profundamente a vida das famílias de Arniqueira. Investir em saúde é investir no dia a dia do cidadão. Iniciamos o mês natalino com um presente de grandeza ímpar. Agradeço imensamente ao governador Ibaneis Rocha por tornar esse sonho possível”, ressaltou Telma.

    UBS Tipo II: mais estrutura, mais profissionais, mais serviços

    A futura UBS de Arniqueira será do tipo II, considerada uma categoria intermediária e adequada a regiões com grande densidade populacional. Essa tipologia oferece estrutura mais ampla, permitindo abrigar duas ou mais equipes de Saúde da Família, além de equipes multiprofissionais com atuação nas áreas de enfermagem, assistência social, odontologia, nutrição, psicologia, farmácia e outras especialidades ligadas à atenção primária.
    Veja no link alguns serviços oferecidos pelas UBS no Distrito Federal : link

    O presidente da Novacap, Fernando Leite, destacou a importância da nova unidade de saúde para Arniqueira e o valor histórico dessa entrega para a cidade.
    “A implantação da UBS Tipo II em Arniqueira representa um avanço significativo para a região e conta com a participação da Novacap, em convênio com a Terracap e a Secretaria de Saúde. Por ser uma unidade de porte Tipo II, poderá operar com duas equipes de Atenção Básica, ampliando a capacidade de atendimento à população. Ficamos muito felizes em contribuir com esse projeto, que aproxima os serviços de saúde da comunidade e fortalece uma rede mais eficiente e humanizada no Distrito Federal “ ressalta Fernando Leite.

    A nova unidade contará com dezenas de consultórios, salas de procedimentos, sala de observação, farmácia, espaços administrativos, área de acolhimento e salas destinadas ao atendimento continuado. Trata-se de uma estrutura pensada para atender de maneira integral as necessidades dos moradores, garantindo qualidade, resolutividade e prevenção.

    Localização e início das obras

    A UBS terá cerca 1,4 mil m² de área coberta e ficará instalada em parte do terreno onde funcionava a antiga sede da Administração Regional de Arniqueira com área total de 5,8 mil m2. A escolha do local se deu pela sua acessibilidade e pela capacidade de atender, com eficiência, a população distribuída entre o Areal, ADE, SHA e condomínios adjacentes.
    A Novacap é a empresa do GDF responsável por conduzir a licitação para a construção da UBS de Arniqueira (Projeto Novacap)

    O próximo passo será a abertura do processo licitatório conduzido pela Novacap, que definirá a empresa responsável pela construção. A previsão é que as obras tenham início já no primeiro semestre de 2026. O prazo estimado para conclusão é de 24 meses, permitindo que a unidade seja inaugurada no início de 2028, caso não haja imprevistos.

    Um avanço histórico para a região

    A construção da UBS representa um marco histórico para Arniqueira, que há anos demanda uma estrutura pública de saúde adequada ao seu crescimento populacional. Atualmente, grande parte dos moradores precisa se deslocar para outras regiões administrativas para receber atendimento básico, o que sobrecarrega outras unidades e aumenta o tempo de espera por serviços essenciais.

    Com a chegada da UBS Tipo II, Arniqueira passará a contar com um equipamento moderno, confortável e acessível – oferecendo condições dignas para atendimento de crianças, adultos, idosos e famílias que dependem diretamente da rede pública. A nova unidade também será fundamental para ações preventivas, vacinação, acompanhamento de gestantes e vários tipos de programas, além de cuidados continuados e atividades de promoção da saúde.

    A iniciativa reforça o compromisso do Governo do Distrito Federal com o fortalecimento da atenção primária e com a melhoria contínua da infraestrutura pública, garantindo que Arniqueira avance em qualidade de vida com saúde, proteção social e mais dignidade e conforte para seus moradores.

     

     

     

  • 35 contêineres públicos no combate ao lixo urbano em Arniqueira

    35 contêineres públicos no combate ao lixo urbano em Arniqueira

              A Administração Regional de Arniqueira recebeu, no mês de novembro 35 contêineres de 500 litros cada, entregues pelo Governo do Distrito Federal por meio do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Esses equipamentos serão instalados em pontos estratégicos da cidade, especialmente nos locais onde há maior incidência de descarte irregular de resíduos.

    Telma Rufino, administradora regional de Arniqueira e Everaldo Araújo, diretor operacional do SLU, em visita às ruas da região (crédito: JcBertolucci).

    A iniciativa integra uma campanha de combate ao descarte inadequado do lixo, prática que, ao longo dos anos, tem contribuído para a degradação visual da região e para o agravamento de problemas sanitários. Os pontos que receberão os contêineres foram identificados pela Administração Regional, levando em conta áreas onde os veículos de coleta do SLU têm dificuldade de manobrar devido à configuração urbana, marcada por vias estreitas — muitas delas resultantes do processo histórico de ocupação da região.

    Lixo descartado irregularmente é um dos principais desafios da RA33 (Crédito: JcBertolucci)

    A administradora regional solicitou à Diretoria de Meio Ambiente um estudo detalhado para mapear os locais que apresentam maior volume de descarte irregular. Segundo ela, alguns desses pontos receberão atenção especial do SLU, com ações intensificadas de limpeza e campanhas de conscientização sobre o descarte adequado dos resíduos.

    Telma Rufino, ao centro, “defende um macro projeto de conscientização sobre o descarte do lixo em Arniqueira” (crédito: JcBertolucci).

    “Arniqueira é uma cidade em processo de regularização fundiária; surgiu sem
    planejamento urbano e, por consequência, possui muitas vias extremamente
    estreitas, quase vielas, o que dificulta a circulação dos caminhões de coleta.
    Em alguns desses locais, a instalação dos contêineres será fundamental para
    mitigar esse grave problema do descarte irregular”, destaca a administradora.

    A implantação dos equipamentos seguirá um modelo de parceria: cada contêiner será “apadrinhado” por uma empresa ou condomínio da região, que ficará responsável pelo monitoramento e bom uso, em articulação com a Administração Regional. O objetivo é somar esforços entre poder público e comunidade para criar uma rede de corresponsabilidade na monitoramento do contêiner.

    Equipamentos serão disponibilizados em locais com alto volume de descarte irregular do lixo, onde os veículos do SLU não tem acesso (crédito: JcBertolucci)

    O diretor operacional do SLU, Everaldo Araújo, afirma que o órgão está estudando uma nova estratégia de coleta para Arniqueira, incluindo a adoção de veículos menores, capazes de acessar áreas onde os caminhões tradicionais não conseguem entrar. “Estamos em constante diálogo com a Administração Regional para buscar alternativas que tornem a coleta mais capilar e eficiente. Isso requer novos equipamentos e um modelo de operação alinhado às características urbanas peculiares da cidade”, explica.

    As consequências do descarte irregular do lixo em Arniqueira

    O descarte irregular de resíduos sólidos é um dos principais fatores que comprometem a qualidade de vida em Arniqueira. Embora a sujeira espalhada por ruas, becos, áreas verdes e margens de córregos seja o aspecto mais visível, seus impactos vão muito além da estética urbana. Trata-se de um problema que atinge a saúde pública, o meio ambiente e a própria percepção de organização e cuidado com a cidade.

    A primeira consequência evidente é a proliferação de vetores de doenças. O lixo descartado em locais inadequados cria ambientes ideais para o acúmulo de água parada e para a reprodução de insetos e animais peçonhentos. Entre esses vetores, destaca-se o Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. Seu ciclo reprodutivo é diretamente favorecido pela presença de recipientes expostos às chuvas, como baldes, restos de móveis, plásticos e sucatas abandonadas. Ratos, baratas e escorpiões também encontram nesses pontos condições ideais de abrigo e alimentação, ampliando riscos sanitários, especialmente para crianças e idosos. Telma Rufino reforça, em suas apresentações públicas, a importância do descarte consciente do lixo, enfatizando a necessidade de maior responsabilidade e colaboração por parte da população. “Estamos trabalhando incansavelmente para deixar a cidade mais limpa. Mas, se a população não colaborar, não vamos avançar. A prática do descarte irregular traz enormes problemas para todos nós. Cada um deve fazer a sua parte. Estou sempre pedindo o apoio de todos; só assim conseguiremos manter nossa cidade mais limpa e evitar graves problemas de saúde”, destaca a administradora regional de Arniqueira.

    O impacto ambiental é igualmente severo. Resíduos depositados inadequadamente em áreas verdes ou próximos a corpos d’água podem causar contaminação do solo, obstrução de bocas de lobo e enchentes durante o período chuvoso. Materiais como plásticos e metais se degradam lentamente e permanecem no ambiente por décadas, prejudicando a fauna local e deteriorando a paisagem da cidade. Em uma região com características residenciais e áreas de preservação ambiental, como Arniqueira, esses danos são ainda mais sensíveis.

    No âmbito social, o descarte irregular gera sensação de abandono e desordem. Ambientes limpos e organizados estimulam o cuidado coletivo, enquanto espaços degradados tendem a reforçar comportamentos inadequados. A ausência de consciência ambiental e a falta de práticas corretas de separação e destinação dos resíduos alimentam um ciclo contínuo de deterioração urbana.

    Combater o descarte irregular do lixo em Arniqueira é, portanto, muito mais do que uma tarefa de limpeza: é uma ação integrada de saúde pública, preservação ambiental e fortalecimento do senso comunitário. A junção de medidas estruturais, como a chegada dos contêineres, com ações educativas, fiscalização eficaz e participação da população, é o caminho essencial para transformar essa realidade e construir uma cidade mais limpa, saudável e acolhedora.

    SLU lançou o aplicativo SLU Coleta DF, disponível para Android e iOS, que permite aos cidadãos acompanhar a rota dos caminhões de lixo em tempo real, consultar dias e horários da coleta (convencional e seletiva) e receber alertas sobre a chegada do caminhão. O app também oferece informações sobre como separar o lixo, os locais de descarte de resíduos especiais e conteúdos educativos sobre gestão de resíduos.

  • A queda do master e o perigo de atingir o GDF

    A queda do master e o perigo de atingir o GDF

    *Paulo César Timm – economista, professor aposentado Universidade de Brasília (UNB) servidor aposentado do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA)

    Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal (crédito: Agência Brasília)

    Há muita confusão conceitual sobre a origem e natureza do sistema capitalista. Para mim, o capitalismo nasce nos primeiros bancos da Itália, século XV, quando o dinheiro se converte, de meio de troca em meio de vida – e enriquecimento – aos que o controlam. No começo, dadas as restrições morais da Igreja à usura, foram os judeus que, paulatinamente foram expandindo as redes bancárias mundo afora. Oportuno lembrar que tais restrições têm raízes muito antes de Cristo, como no Código de Hamurabi. Mas os tempos mudaram, a introdução do papel moeda flexibilizou as restrições à usura e os bancos se multiplicaram. Cresceram tanto que, já ao final do século passado, e sobretudo, depois da liberação à movimentação eletrônica dos capitais no mercado mundial, suas transações ultrapassaram os valores do comércio mundial e da própria produção. Hoje vivemos sob a bolha do Capitalismo Financeiro. Quer ficar rico? Entre para alguma empresa do ramo financeiro, aprenda as regras do “mercado”, mesmo como empregado aí encontrará os mais altos salários e, se for esperto, comece abrindo uma Financeira, depois uma Fintech, e depois, um Banco. Foi o que fez um latino-americano, “sem dinheiro no bolso”, mas muita ambição e poucos escrúpulos,  Daniel Vorcaro, ao criar o Banco Master.

    Moço bem apessoado, educado, frequentador de salões sociais e políticos, ligado aos evangélicos Vorcaro  correu, primeiro, atrás de clientes privados e, em seguida, percebeu que os clientes “públicos”, a saber agentes do Estado, davam muito mais resultado. Bastava, para isso, chegar-se a influentes figuras dos Poderes Federais, inclusive Judiciário, com atrativos contratos de consultoria a ex ministros – e juízes aposentados -, aí despontando o deputado Ciro Nogueira, Presidente do PP, ex Chefe da Casa Civil de Bolsonaro, amigo de governadores importantes do Rio de Janeiro e Distrito Federal. Como registra o jornalista investigativo Andrei Meirelles:

    “Vamos começar puxando penas para achar as galinhas e as raposas. (….) Ciro Nogueira e o governador de Brasília Ibaneis Rocha, além de piauienses, têm, entre outras coisas em comum, a escolha de Paulo Henrique Costa, o PH, para presidir o BRB, o banco público de Brasília. (…) A versão mais corrente em Brasília é de que Flávia Arruda ( hoje Flávia Peres, casada com Augusto Ferreira Lima), procurou Ciro Nogueira ( com quem dividiu a articulação política no governo Bolsonaro e o governador Ibaneis Rocha para usarem a influência sobre PH para ajudar o Banco Master a escapar da falência. Pelo comportamento, durante e até o estouro do escândalo, essa versão tem início, meio e fim coerentes com os comportamentos de Ibaneis e Ciro Nogueira.

    Ibaneis foi à luta em defesa da mega mutreta. Conseguiu apoio da Câmara Distrital, em que tem ampla maioria, e atacou quem questionava a compra pelo BRB dos títulos podres do Banco Master, inclusive o Banco Central, de serem adversários de Brasília.”

    Semana passado tudo ruiu. O Banco Central “acordou” para o fechamento do Banco Master,  Vorcari foi preso, já prestes a fugir do país num dos seus jatinhos executivos, Brasília entrou em pânico. Só o tempo dirá sobre o tamanho do rombo, provavelmente na ordem de R$ 20 bilhões, e da responsabilização de todos os que contribuíram para o festim. Certamente apresentarão Atestados Médicos para garantir cumprimento das penas em casa e seus respectivos patrimônios já terão sido pulverizados. Aqui no D.F. , entretanto, dificilmente o Governador Ibaneis, que escapou do 8 de janeiro, prosseguirá sua meteórica carreira.

    Paulo César Timm – Economista, professor aposentado da Universidade de Brasília, servidor aposentado do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea)

  • Por que o BRB não foi liquidado junto com o Banco Master

    Por que o BRB não foi liquidado junto com o Banco Master

    Por João Carlos Bertolucci

    A crise desencadeada pela operação “Compliance Zero” – conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal – atingiu de modo profundo não apenas o Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC), mas também o Banco de Brasília (BRB), implicado na compra de carteiras de crédito de aproximadamente R$ 12,2 bilhões. Segundo as investigações, o Master teria vendido créditos inexistentes e apresentado documentos falsos para justificar as transações junto ao regulador, configurando risco sistêmico e falhas graves de governança. O BC, ao identificar tais práticas, optou pela liquidação do Master para proteger terceiros e preservar a integridade do sistema financeiro. Em contraste, o BRB, embora envolvido diretamente nos negócios questionados, não foi liquidado. Em vez disso, passou por medidas prudenciais, sob avaliação intensificada das autoridades supervisoras.

    A justificativa para o BRB continuar em funcionamento reside em fatores operacionais e institucionais significativos. Como banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal, o BRB possui receitas estáveis advindas do processamento da folha de pagamento do funcionalismo local. Esse fluxo recorrente contribui para manter liquidez e previsibilidade financeira, o que reduz a propensão de saques em massa e fortalece sua capacidade operacional. Tal característica confere ao regulador uma margem de manobra para aplicar medidas corretivas menos drásticas do que a liquidação, apostando na reestruturação administrativa e financeira da instituição.

    Governador do Distrito Federal troca comando do BRB envolvido em operação de R$ 12,2 bilhões com o banco Master (foto divulgação)

    Entretanto, a situação do BRB se agravou politicamente. Em reação à repercussão da operação, o governador do Distrito Federal já afastou o presidente do banco e parte da diretoria, assumindo compromisso público, e indicou um novo nome para a chefia da instituição. Essa mudança de liderança sinaliza não apenas uma tentativa de recompor a governança interna, mas também uma estratégia para restaurar a credibilidade junto à sociedade, aos mercados e às autoridades regulatórias. Ao trocar a diretoria, o governo busca demonstrar proatividade frente à crise, sinalizando que não tolerará práticas irregulares e que está disposto a assumir responsabilidade institucional, em sintonia com as exigências do BC e dos investigadores.

    Ainda assim, a base de servidores públicos como clientes do BRB — referenciada em sua folha de pagamento —, embora seja um pilar de segurança financeira, não elimina todos os riscos. Se for comprovado que ativos adquiridos eram fraudulentos ou de qualidade duvidosa, esse passivo pode corroer reservas e capital regulatório, exigindo provisões elevadas para perdas, o que impactaria a solvência. A substituição da diretoria é um passo importante, mas depende de ações concretas para reestruturação do balanço: o BRB precisará desfazer operações danosas, recompor capital social e reforçar controles internos.

    Banco de Brasília continua a operar mesmo após varredura da Polícia Federal no caso do banco Master (crédito: divulgação)

    Sob esse “efeito sombra” regulatório, o BC pode impor novas restrições — como limitações a dividendos, exigência de reorganização de carteiras de crédito, bloqueio de ativos e possíveis aportes. Se a situação se deteriorar, intervenção ou até liquidação podem ser consideradas, embora, até o momento, autoridades reguladoras optem por manter a operação do banco, dado seu papel social e institucional. Para os clientes (servidores e demais depositantes), não há risco imediato de perda de depósitos, mas é recomendável manter atenção às comunicações do BRB e do BC.

    Em suma, a exoneração da diretoria do BRB pelo governador do DF e a indicação de nova liderança constituem parte de uma estratégia institucional para demonstrar compromisso com a governança e a transparência. A base de clientes estável e previsível — composta em grande parte por servidores públicos — oferece um amortecedor financeiro importante, mas não substitui a necessidade de uma reestruturação profunda. O BRB, no momento, vive uma fase delicada: sob fiscalização reforçada e com risco elevado de sanções, mas ainda operando com base em seus pontos fortes. Cabe acompanhar os desdobramentos regulatórios, judiciais e financeiros para avaliar se a recomposição será bem-sucedida ou se medidas mais drásticas serão necessárias.

    Deputados da distritais querem CPI do BRB/Master

    Comissão na Câmara Legislativa do Distrito Federal pretende apurar tentativa de compra de R$ 2 bilhões, suspeitas de gestão fraudulenta, uso indevido de recursos públicos, além de irregularidades apontadas na Operação Compliance Zero. A CPI deve analisar todo o processo, desde a aprovação da compra pelo conselho do banco público até o veto do negócio pelo BC (Banco Central) e a liquidação extrajudicial do Master.

    O documento cita possíveis práticas de gestão fraudulenta e temerária, mencionadas pela PF (Polícia Federal) na Operação Compliance Zero, que levou à prisão do controlador do Master, Daniel Vorcaro, e ao afastamento judicial da diretoria do BRB.

    O texto ainda pontua que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), defendeu publicamente a operação, justificando que iria “salvar” as operações do Master e que “fortaleceria o BRB, ampliaria sua competitividade e geraria dividendos revertidos em obras e políticas”.

    Por que só o Master foi liquidado?

    Segundo os especialistas, a principal diferença reside na condição financeira. O BC concluiu que o Master não tinha mais condições seguras de operar, enquanto o BRB — que é um banco público — segue apresentando resultados positivos.

    “O Banco Central aplica soluções diferentes para cada situação. A liquidação ocorre quando o problema é considerado irrecuperável. Já medidas corretivas e sancionatórias graduais são adotadas quando ainda é possível preservar a instituição”, afirma Vanderlei Garcia Jr., doutor em Direito Civil pela USP, especialista em Direito Contratual e Societário e sócio do Ferreira & Garcia Advogados.

    Segundo ele, o BC já havia identificado no Master uma grave crise de liquidez, forte deterioração econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O BRB, contudo, não apresenta quadro equivalente de insolvência ou risco sistêmico — “ao menos com as informações públicas disponíveis até agora”.

  • Cras de Arniqueira recebe ação social

    Cras de Arniqueira recebe ação social

    O domingo (16) foi marcado por uma intensa programação sociocultural e de saúde no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Arniqueira, que recebeu uma grande ação realizada pela Administração Regional em parceria com o próprio CRAS. O muro da unidade transformou-se em uma imensa galeria a céu aberto, ocupada pelos artistas do Coletivo Grafitti Capital, que comemorou seus 10 anos de atividades com a presença de grafiteiros de todo o Distrito Federal e de outros estados.

    O evento reuniu ainda uma série de serviços voltados ao Novembro Azul, mês dedicado à conscientização masculina sobre os cuidados com o câncer de próstata. Houve corte de cabelo, apresentações culturais, uma mesa farta de café da manhã e acolhimento especial às pessoas em situação de rua que participaram da iniciativa. A Escola de Trânsito do DETRAN-DF reforçou a programação com uma apresentação educativa sobre a importância do cuidado integral — da saúde masculina aos comportamentos seguros no trânsito.
    A administradora regional de Arniqueira, Telma Rufino, enfatizou a relevância da ação.
    “Assim como valorizamos o Outubro Rosa, é fundamental lembrar que os homens também precisam olhar para sua saúde. A prevenção salva vidas, e nossa gestão está comprometida em levar informação e cuidado para toda a comunidade, tanto na orientação sobre a prevenção do câncer que atinge as mulheres, quanto dos que atingem os homens.”

    Representando o Coletivo Grafitti Capital, o presidente Thiago Ranuki destacou a simbologia da escolha de Arniqueira como palco da celebração.
    “Foram 10 anos de história, e nada mais importante do que comemorar em um local que acolhe, de forma social, pessoas de todo o DF. Recebemos aqui artistas do país inteiro e do entorno, e contar com o apoio da Administração Regional de Arniqueira fez toda a diferença. A arte urbana é isso: união de esforços.” Na jornada artística, foram ilustrados quatro painéis: um de 214 metros e outros de 60, 40 e 30 metros, respectivamente. Ao todo, 102 grafiteiros participaram de forma inteiramente voluntária, arcando com todas as despesas envolvidas — incluindo a aquisição das tintas. Cada artista utilizou, em média, cerca de cinco sprays de tinta para compor as obras, demonstrando não apenas técnica e criatividade, mas também compromisso e generosidade ao contribuir para a transformação visual e cultural do espaço público.
    O secretário de Governo, José Humberto, também ressaltou o impacto social da iniciativa. “Eventos como este mostram que políticas públicas, quando somadas à cultura e ao cuidado com as pessoas, alcançam um horizonte que transborda. É gratificante ver Arniqueira promovendo arte, saúde e cidadania em um único espaço.”


     Para Cecília Mayumi, analista de atividade de trânsito do DETRAN-DF, conscientização também é parte fundamental da saúde masculina.
    “Os homens têm grande presença no trânsito, e falar sobre prevenção, responsabilidade e autocuidado é essencial. Trazer essa orientação dentro do Novembro Azul amplia nosso alcance e reforça a importância de dirigir com consciência.”
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    Uma reflexão sobre o grafite como arte
    Quase 400 metros lineares de muro ganharam cores, formas e assinaturas dos artistas. Das mãos minuciosas do realista Visão – que veio de São Paulo especialmente para deixar sua marca  – ao talento singular e especial  de Mudof, do Distrito Federal, a avenida Águas Claras, que margeia o imenso “mural”, tornou-se vitrine de expressão criativa e de identidade cultural.
    E aqui cabe uma pausa reflexiva: o grafite, tantas vezes confundido por leigos com a pichação, é, na verdade, um dos mais potentes movimentos artísticos urbanos da contemporaneidade. Enquanto a pichação surge frequentemente como um grito silencioso, uma marca de ruptura ou protesto, o grafite se apresenta como linguagem estética, técnica, estudada e profundamente simbólica. São artistas, e não transgressores, que carregam nas mãos a habilidade rara de transformar superfícies brutas em paisagens narrativas.

    Esses grafiteiros não apenas coloriram um muro: eles ressignificaram um espaço público. Jogaram luz sobre a cidade, substituindo o estigma pela expressão; a marginalização pela criação; o preconceito pela sensibilidade artística. Suas obras dialogam com quem passa, convidando à reflexão, à empatia e ao entendimento de que a arte urbana não é ruído — é voz.
    A cada traço, eles reafirmam que pertencem a um cenário maior: o da cultura que se faz nas ruas, onde o talento se impõe como forma legítima de manifestação humana. E, ao estamparem suas identidades naquele muro, não apenas celebraram 10 anos de trajetória: elevaram Arniqueira ao circuito artístico do DF, deixando como legado um mural que é, acima de tudo, um gesto de gratidão e de esperança por uma sociedade mais aberta, sensível e menos preconceituosa.

     

  • GDF Construíra a Quarta Ponte no Lago Paranoá

    GDF Construíra a Quarta Ponte no Lago Paranoá

    A obra contemplará um tráfego estimado em aproximadamente 60 mil veículos

    O Governo do Distrito Federal (GDF) deu um passo crucial para melhorar a mobilidade na capital. O Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) publicou o Edital de Concorrência Eletrônica nº 90028/2025, dando início ao processo de licitação para a contratação de uma empresa especializada na implantação da nova ponte da Barragem do Paranoá e do sistema viário associado sobre a Estrada Parque Contorno (DF-001).

    Detalhes da grande obra

    Com um investimento programado de R$ 709 milhões, a obra é financiada com recursos da Fonte 135 e está prevista para contemplar um tráfego diário estimado em aproximadamente 60 mil veículos, aliviando um gargalo histórico na região.

    O projeto é ambicioso e engloba uma série de melhorias estruturais:

    • Ponte Principal: Será construída com o método de balanços sucessivos, garantindo uma execução por partes que se equilibram.
    • Dimensões: A ponte terá 855 metros de extensão e 35 metros de largura.
    • Mobilidade: Incluirá passagem para pedestres e ciclovia, além das vias de tráfego veicular.
    • Obras Complementares: O sistema viário associado prevê a construção de três viadutos, obras de drenagem, sinalização, ações ambientais e dispositivos de mobilidade e acessibilidade.

    📅 Cronograma da Licitação

    A sessão de disputa de preços está marcada para o dia 9 de março de 2026, às 10h.

    Após a disputa, o processo seguirá as seguintes fases:

    1. Divulgação das empresas habilitadas.
    2. Declaração da empresa vencedora do certame.
    3. Assinatura do contrato.
    4. Assinatura da ordem de serviço, que autoriza o início imediato dos trabalhos.

    A estimativa é que todo o trâmite licitatório, do início da sessão de disputa até a ordem de serviço, leve aproximadamente 60 dias. Após o começo efetivo, a empresa contratada terá 48 meses consecutivos para a execução integral do serviço.

    Fim de um “problema provisório”

    O presidente do DER-DF, Fauzi Nacfur Júnior, celebrou a iniciativa, destacando a importância histórica da obra.

    “Desde a inauguração de Brasília e, consequentemente, do lago e da Barragem do Paranoá, o trecho da rodovia DF-001 atravessa sobre a barragem. Inicialmente, isso deveria acontecer de forma provisória até que fosse construída uma ponte definitiva, e esse problema está chegando ao fim. [A ponte] trará muito mais segurança para a barragem, além de se tornar um novo ponto turístico para nossa capital federal.”

    A nova ponte visa beneficiar milhares de moradores do Distrito Federal, trazendo mais segurança viária e funcional para a infraestrutura da capital, além de potencial para se tornar um novo cartão-postal.

  • Construção de galeria pluvial na descida do Mirante

    Construção de galeria pluvial na descida do Mirante

    A construção da galeria de águas pluviais na descida do Mirante, no Setor Habitacional Arniqueira (SHA), Conjunto 5, próximo à Chácara 134, atingiu 60% de execução nesta quinta-feira (25). Com 600 metros de extensão, a obra foi iniciada em agosto e vai direcionar as águas das chuvas para um córrego próximo, garantindo escoamento contínuo e seguro. A entrega está prevista para o fim de outubro, com investimento de R$ 2,5 milhões. A execução é da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap).O Mirante, por estar em uma das áreas mais altas de Arniqueira, sofre historicamente com graves problemas durante o período chuvoso. Em 2024, fortes tempestades arrancaram o asfalto, abriram crateras nas ruas e invadiram condomínios, causando pânico, prejuízos materiais e transtornos à mobilidade.

    Rede de águas pluviais – descida do Mirante com 60% concluída (Foto: Repórter Independente)

    Na ocasião, a vice-governadora Celina Leão, que estava como governadora em exercício, visitou a região acompanhada da administradora regional, Telma Rufino. Além de prestar solidariedade aos moradores, assinou no dia seguinte um decreto emergencial que mobilizou diversos órgãos do GDF em uma força-tarefa para recuperar a área e anunciou investimentos em drenagem pluvial.

    Projeto com os pontos emergenciais – circulo em rosa (Imagem – Coex)

    Levantamento e prioridades

    Após meses de estudos, a Novacap, em parceria com a Secretaria de Obras, identificou oito pontos críticos no SHA que necessitam de intervenções emergenciais até a implantação do macroprojeto de drenagem. A descida do Mirante foi priorizada por seu maior impacto. O investimento inicial estimado para os oito pontos é de R$ 34 milhões.

    Operários trabalham na construção da galeria pluvial (Foto:Repórter Independente )

    A administradora regional Telma Rufino acompanha a execução desde o início e destacou a relevância da intervenção:
    “Tenho lutado diuturnamente por essa obra. Talvez seja uma das mais importantes entre tantas outras conquistas. Ter uma rede de captação de águas pluviais não é apenas uma questão de infraestrutura básica, mas também de respeito pelos moradores. Quando as ruas ficam alagadas e as casas são invadidas pelas águas, milhares de pessoas são prejudicadas.”

    O secretário de Obras e Infraestrutura do DF, Valter Casimiro, também ressaltou a importância:
    “Arniqueira sofre historicamente com alagamentos pela ausência de galerias pluviais. Essa é uma demanda antiga da comunidade e prioridade do GDF. Nosso objetivo é garantir mais segurança, tranquilidade e qualidade de vida para os moradores, resolvendo de forma definitiva um problema que se arrasta há muitos anos.”

    O presidente da Novacap, Fernando Leite, classificou a obra como uma das maiores entregas em infraestrutura da região:
    “Intensificamos o trabalho para concluir a primeira etapa até o fim do período da seca. Certamente, trará muito conforto e segurança para a população.”

    Investimentos e retorno à comunidade

    Para Telma Rufino, a obra no Mirante representa um retorno direto aos moradores que vêm investindo na regularização de seus lotes junto à Terracap:
    “Essa intervenção é uma conquista coletiva. Estamos devolvendo aos moradores, na forma de infraestrutura e equipamentos públicos, os recursos que eles têm investido na regularização. É um marco na história de Arniqueira.”

    Voz da comunidade

    Moradores que convivem há décadas com os impactos da falta de drenagem celebram o avanço da obra.

    Wilza Maria de Brito e Silva: “A gente vê o governo cuidando e sente que tem alguém lembrando da gente”

    Moradora de Arniqueira há 21 anos, a professora aposentada Wilza Maria de Brito e Silva lembra que o local era tomado pelo barro e por lixo acumulado antes das intervenções. “Aqui virava um rio quando chovia. A água descia com força, era assustador. Agora a gente vê o governo cuidando e sente que tem alguém lembrando da gente”, conta.

    O motorista Valdinar Gama da Silva passa diariamente pela via. “Quando chovia, moto não passava, carro perdia placa, o asfalto era arrancado. Essa obra era esperada há muito tempo. Agora vai dar pra passar ônibus, moto e carro de aplicativo sem medo”, relata.

    Sebastião Ribeiro dos Santos, residente há mais de 20 anos no SHA 05, afirmou:
    “Estou pagando à Terracap pelo lote onde construí minha casa, e essa obra mostra que o governo está reinvestindo o nosso dinheiro em melhorias para nós. É uma conquista enorme.”

    Outro morador, Bruno Ribeiro, também comemorou:
    “Já perdi pneus e quebrei a suspensão do carro por causa dos buracos provocados pelas chuvas. Agora é esperar que esse trabalho chegue a todos os conjuntos do SHA.”

    📌 Nota de Serviço – Pontos emergenciais de drenagem em Arniqueira

    De acordo com levantamento da Novacap e da Secretaria de Obras, oito locais no Setor Habitacional Arniqueira (SHA) foram identificados como prioritários para receber obras emergenciais de drenagem pluvial:

    1. Chácara 35 – Conjunto 5
    2. Descida do Mirante – SHA 05 (próximo à Chácara 134)
    3. Mansão Imperial – SHA 5/6
    4. Chácara 3 – Conjunto 6
    5. Avenida Vereda da Cruz
    6. Chácara 37/38 – Caliandra (descida do Snoop)
    7. Chácara 43
    8. Chácara 41 – Conjunto 3

    🔹 Todas as intervenções fazem parte do plano emergencial do GDF, com investimento estimado em R$ 34 milhões, até a implantação do macroprojeto de drenagem pluvial da região.

     

  • Neoenergia leva o projeto Energia com Cidadania a Arniqueira

    Neoenergia leva o projeto Energia com Cidadania a Arniqueira

    Ação oferece troca de lâmpadas e orientações sobre uso eficiente da energia

    Atenção, moradores de Arniqueira! A Neoenergia está na cidade com o projeto Energia com Cidadania, uma iniciativa de responsabilidade social que tem como objetivo regularizar o fornecimento de energia elétrica, promover a eficiência energética e oferecer benefícios à população de baixa renda.
    Até a próxima sexta-feira (24 de outubro), um veículo tipo van da Neoenergia percorrerá a Região Administrativa de Arniqueira realizando a troca gratuita de lâmpadas incandescentes ou fluorescentes por lâmpadas de LED, mais econômicas e duráveis.

    Veículo da Neoenergia estará nos condomínios do SHA e nas ruas do Areal  e da Área de Desnvolvimento Econômico (ADE).

    Para participar, o morador deve apresentar:

    • Uma conta de luz emitida pela Neoenergia, em seu nome;
    • Até cinco lâmpadas incandescentes ou fluorescentes para serem trocadas por lâmpadas de LED.
      O veículo do projeto visitará condomínios do Setor Habitacional Arniqueira (SHA) e circulará também pelas ruas do Areal e da Área de Desenvolvimento Econômico (ADE) até o dia 24 de outubro (sexta-feira).

    Economia e eficiência energética
    Além da substituição das lâmpadas, a ação também promove orientações sobre o uso seguro e eficiente da energia elétrica. O projeto é viabilizado com recursos do Programa de Eficiência Energética (PEE), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Participe dessa campanha e contribua para o consumo consciente de energia em Arniqueira.

     

    Pequenas atitudes fazem grande diferença para o meio ambiente e para o bolso de todos os consumidores.