Categoria: Fernando Kerr

  • Inovação e criatividade apontam caminhos para EaD e para a universalização da Educação

    Inovação e criatividade apontam caminhos para EaD e para a universalização da Educação

    Num espaço patrocinado pela PETROBRAS, um painel apresentou experiências na área da Educação
    que vêm apresentando resultados bastante consideráveis. Carlos Souza, diretor geral da Udacity no
    Brasil registrou um momento de retração no negócio, consequência de ajustes promovidos pela
    matriz, visando adequar os custos. A partir de julho deste ano, os cursos oferecidos na plataforma
    em Português serão descontinuados. A Udacity começou com o conceito de nanocursos, que são
    cursos de curta duração. Todos os programas versam sobre tecnologias de ponta, preparando os
    trabalhadores do amanhã. Já desde o início, quando percebeu a carência de mão de obra na área da
    alta tecnologia.

    Na verdade, a empresa começou após a constatação da demanda pelo professor da
    Universidade de Stanford Sebastian Thrun, que também está inserido nos projetos do Google Glass e
    dos carros autônomos da Google. Thrun decidiu oferecer gratuitamente para seus alunos na
    universidade um curso de Introdução à Inteligência Artificial em 2011. A notícia correu e o curso
    granjeou 160 mil inscrições, vindas de mais de 190 países. Vendo a oportunidade latente, o
    acadêmico buscou parcerias de mão dupla com grandes desenvolvedores de alta tecnologia. Não
    apenas na formatação e montagem dos cursos, mas também visando o aproveitamento profissional
    dos “nanograduados”. Entre essas empresas, a própria Google, a Amazon, Mercedes Benz, NVIDIA,
    IBM, AT&T e muitas outras. Dos 160 mil inscritos inicialmente, cerca de 40 mil conseguiram terminar
    o curso. Isso apontou o primeiro grande desafio da EaD. O abandono e/ou a evasão de alunos. Bruno
    Sanovicz, Diretor Executivo, DNA Conteúdo Digital destacou que não é o caso na Udacity, mas que
    ele tem assistido com frequência a mera transposição de cursos presenciais para plataformas
    digitais. Segundo ele, a utilização da abordagem clássica e industrial da educação presencial em
    iniciativas a distância são a principal causa da desistência de alunos. Mesmo depois do advento dos
    ambientes de MOOCs (Massive Open Online Courses), alguns educadores não entenderam a
    necessidade de desenvolver conteúdos especificamente para transmissão a distância online.

    Carla Uller, Gerente Executiva de Educação, Inovação Social e Comunicação, Oi Futuro – Foto: Divulgação

    A montagem do programa educacional também pode fomentar a permanência do aluno no curso. Em
    uma experiência que é desenvolvida em Recife e no Rio de Janeiro, a Oi Futuro implantou o
    programa Nave – Núcleo Avançado de Educação. Esse programa de Ensino Médio abandonou o
    modelo industrial de educação utilitarista e apontou sua bússola para novas tecnologias. Em um país
    com quase 50 milhões de alunos, mais de 2 milhões de professores, o desafio é não permitir que
    existam, hoje, mais de 1 milhão de alunos fora do Ensino Médio. Quase 50% dos que estão
    matriculados não terminarão seus estudos. E, entre os que permanecem, 93% saem da escola sem
    um nível satisfatório em Matemática. Quase metade apresenta a mesma deficiência em Língua
    Portuguesa. E somente 10% recebem alguma formação técnica durante o Ensino Médio. O NAVE, em
    suas duas escolas, adotou um novo modelo, com a integração do aprendizado de novas tecnologias
    e a integração de conteúdos, sem seguir a sequência linear das escolas tradicionais.

    A incorporação do ensino de habilidades das novas economias, como programação, design, audiovisual e robótica
    favorece a não dissociação desses novos conteúdos das disciplinas tradicionais, como a Matemática,
    a História e a Língua Portuguesa, por exemplo. As oportunidades são infinitas. Um aluno pode
    empregar seus conhecimentos de Biologia para construir seu próprio modelo de corpo humano
    impresso em 3D. Outro pode estudar História Medieval em um processo gamificado, em um
    tabuleiro ou área de trabalho criado por ele próprio. Esses alunos também dispõem é o
    aproveitamento desses formandos por empresas. A própria Oi tem programa de aquisição desses
    talentos. Outra instituição que favorece a integração do aluno ao mercado profissional é a Fábrica de
    Startups do Rio de Janeiro, associada à Ecole 42, instituição criada em Paris, França. Essas duas
    iniciativas têm sede no Novo Porto do Rio de Janeiro. Ocupando uma área de 3200 m 2 , ela oferece a
    comunidades carentes (em especial a do Morro da Providência, considerada a primeira favela.
    brasileira) 450 posições de cocriação que podem atender até 1350 jovens que querem aprender e aprender a empreender.

    HECTOR GUSMÃO, Presidente e Cofundador, Fábrica de Startups Brasil e
    da École 42, revelou que o Fábrica abriga um auditório aberto para exposição de conteúdos
    inovadores. A novidade principal é que a ponte construída com a comunidade, permitiu trazer para a
    Fábrica membros dessa comunidade, com um ensino colaborativo, sem cobrar dos alunos, e vão
    permitindo aos estudantes começarem a levar dinheiro para casa em 6 meses. ”Não é preciso
    esperar 4, 5 anos para começar a ganhar dinheiro por meio de seu trabalho”. PHP, HTML, e outros
    novos conhecimentos vão permitindo aos alunos ingressarem em uma galáxia de atividades para
    livre escolha. Seja cibersegurança ou desenvolvimento de aplicativos Android. Essas iniciativas
    mostram como é possível discutir as relações entre o saber e a dominação. Com inovação e
    criatividade, é totalmente viável oferecer à sociedade condições de aprendizado de um
    conhecimento que não só lhe vai ser útil durante toda a vida, mas também lhe permitirá atuação
    livre, de acordo com a ideia do destino completo da humanidade.

  • A Netflix e a opção brasileira

    A Netflix e a opção brasileira

    O segundo dia do RIO2C reservou uma experiência única para quem acordou cedo e chegou à
    Cidade das Artes antes de 8h30. Uma conversa com Ted Sarandos, Chief Content Officer (CCO)
    da Netflix, moderada pelo Wagner Moura, ator, diretor e produtor brasileiro, pioneiro na
    investida da Netflix sobre o mercado brasileiro. Sarandos destacou a qualidade do trabalho de
    Moura em Narcos, uma história que teve grande aceitação em outros países – inclusive nos
    Estados Unidos, mesmo com a barreira do espanhol falado em toda a série, legendado em
    inglês, coisa a que os americanos não estão acostumados. Sobre isso, Ted Sarandos destacou
    que levou quase duas décadas para que a Netflix percebesse que uma história bem contada
    pode ter apelo global. Obviamente, essa percepção passou pela necessidade de a empresa
    realizar suas próprias produções. Depois de migrar de um serviço de entrega de DVDs pelos
    correios para o modelo atual de streaming de entretenimento em diversos formatos, seus
    primeiros fornecedores (grandes estúdios norte americanos) perceberam o papel de
    concorrente diferenciado dos “novatos” e pararam de oferecer seus títulos para a nova
    distribuidora. A solução foi começar a produzir suas próprias obras. Desde o lançamento de
    House of Cards até Black Mirror, o sucesso atual, o caminho foi de aprendizado. Tanto que a
    Netflix decidiu apostar fortemente no mercado brasileiro, não apenas como consumidor, mas
    também como fornecedor privilegiado de histórias universais para inserção em outros
    mercados. Essa é, inclusive, tática para enfrentar a antiga concorrência, que agora entra
    também no mercado de streaming, o que é o caso da Disney, da Amazon, da Crackle, dos
    streamings da HBO, Google e do iTunes e, no Brasil, da própria Rede Globo, com a plataforma
    GloboPlay.

    Wagner Moura e Ted Sarandos no RIO2C – Foto: Divulgação

    A excelente notícia é que essa iniciativa tende a fortalecer cada vez mais nosso mercado
    audiovisual. De cara, Ted Sarandos anunciou que há 30 produções programadas de histórias
    brasileiras, entre longa metragens e minisséries. Isso não inclui o filme já rodado, em fase de
    lançamento, em que Wagner Moura interpreta o papel principal de SÉRGIO. Não, não é uma
    película sobre o Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. O longa conta a história do diplomata
    brasileiro no Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2002 e 2003.
    Sérgio Vieira de Mello foi morto em uma ataque a bomba à sede da Onu em Bagdá, no Iraque
    em 2003.

    A plateia lotada para ouvir Wagner Moura e Ted Sarandos – Foto: Divulgação

    Wagner Moura falou também sobre a mudança de paradigma na análise da questão da
    produção cinematográfica brasileira após sua estreia na direção do filme Marighella. Para ele,
    esse olhar de direção, do lado de dentro da produção, permite ver as dificuldades que os
    realizadores enfrentam em nosso país, especialmente nesse momento em que o Governo
    ameaça interromper a liberação de recursos já aprovados para novas produções.

  • Rio2C 2019 primeiro dia

    Rio2C 2019 primeiro dia

    Começou em pleno feriado carioca de São Jorge a edição 2019 do Rio2C, versão ampliadíssima do
    Rio Content Market, que começou em 2010. A ampliação se deveu à intensa participação, já desde o
    ano passado, de players da área de games, de música e da indústria da propaganda, por meio de
    seus atores no branded content. Esse crescimento transformou o mix de conferência, exposição e
    festival no maior evento da indústria do audiovisual, da inovação e da comunicação da América
    Latina. O nome acabou surgindo a partir de um trocadilho em inglês. A Rio Creative Conference
    acabou virando RIO2C (em inglês pronuncia-se como Rio to see, que tem entre suas traduções
    possíveis, “O que se ver no Rio”).

    Contrariando a falsa impressão de que carioca leva a vida na praia, o evento começou
    concorridíssimo, sem dar bola para o feriado que levou milhões às igrejas e aos terreiros para
    festejar São Jorge. Claro que a organização sofreu com a fila enorme de participantes que
    resolveram chegar meio em cima da hora das primeiras palestras. Isso acabou causando grande
    atraso na entrega de passes e credenciais. Quem se preveniu e chegou mais cedo não teve
    problemas. Também é óbvio que alguns espaços, como o Brain Space, da área de inovação, são mais
    disputados, e quem não entrar em fila corre o risco de não conseguir lugar.

    MARCIUS MELHEM – Foto: Divulgação

    Uma das atrações do primeiro dia foi uma conversa aberta com Marcius Melhem, do elenco da Rede
    Globo, onde também atua como roteirista e idealizador de programas e atrações. Uma grande
    oportunidade para troca de experiências com um dos inovadores do mercado de comunicação.
    Mostrando sua ousadia, marcante desde o início de sua carreira, Marcius recomendou aos jovens
    presentes que nunca tenham medo de enfrentar os executivos. “Eles descobrem e apontam
    problemas, mas cabe a vocês apresentar a solução”, disse Melhem.

    ADAM MUNIZ, assessor internacional da ANCINE – Foto: Divulgação

    Em espaço que leva o nome Brazilian Content, o representante da Ancine Adam Muniz deu boas
    vindas às delegações internacionais que vieram para o RIO2C. O Brazilian Content é fruto de uma
    parceria entre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), a Agência Brasileira de Promoção de
    Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura
    (SAv/MinC). Entre suas metas, está a promoção de novas oportunidades de coprodução e
    exportação de conteúdo audiovisual para produtores brasileiros independentes. Em sua exposição,
    o Assessor Internacional Adam Muniz apresentou para uma plateia multinacional números
    impressionantes sobre os resultados obtidos com os mecanismos de fomento à produção no Brasil.

    Os fundos administrados pela ANCINE e pelo Fundo Setorial do Audiovisual – FSA somaram, em
    2018, mais de US$ 250 milhões, e a indústria já emprega 300 mil brasileiros e vem crescendo em
    ritmo acelerado. A ANCINE tem registradas mais de 34 mil empresas em toda a cadeia do
    audiovisual, sendo 7 mil produtoras de conteúdo audiovisual. De 2008 a 2014, um crescimento no
    número de obras audiovisuais de 150% refletiu-se em mais de 3.400 obras brasileiras certificadas
    por ano. O faturamento por setor vem notando uma migração para o Vídeo sob Demanda (Video On
    Demand, ou VOD), a exemplo do que acontece no resto do mundo. Muito significativo é o
    crescimento do número de filmes. De apenas 14 lançamentos em 1995, no ano passado,
    ultrapassou-se a marca de 170 filmes. Outro número impressionante é o número de acordos de
    coprodução que a Agência conseguiu estabelecer. São 23 países, sendo que alguns acordos bilaterais
    e multilaterais ainda precisam ser ratificados.