Autor: Repórter Independente

  • Uma ponte de R$ 709 milhões sobre um lago sem trapiches

    Uma ponte de R$ 709 milhões sobre um lago sem trapiches

    Sem estrutura náutica adequada para a navegação e com pontos turísticos às suas margens completamente abandonados, o GDF deixa o setor náutico de lado, mais uma vez.

    O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER), deu início a um dos maiores investimentos dos últimos anos. Em novembro, foi publicado o Edital de Concorrência Eletrônica nº 90028/2025, que trata da contratação de empresa especializada para a implantação da nova ponte da Barragem do Paranoá e do sistema viário associado sobre a Estrada Parque Contorno (DF-001).

    rata-se, sem dúvida, de uma obra relevante para a mobilidade da capital federal, especialmente diante da realidade crítica do trânsito naquela região, com potencial para melhorar significativamente a circulação dos ônibus do transporte público, que hoje levam horas para cumprir percursos relativamente curtos entre as cidades naquela região. É de conhecimento geral que o transporte público no Distrito Federal é deficiente e incapaz de atender, de forma satisfatória, uma população que já ultrapassa 3 milhões de habitantes, distribuídos em 35 regiões administrativas e com uma extensa zona rural. Em uma capital onde cerca de 80% dos deslocamentos dependem desse modal, o caminho adotado tem sido o investimento em vias, pontes e viadutos. Ainda assim, o projeto escancara um velho paradoxo brasiliense: o avanço do concreto e do asfalto sobre um lago que permanece abandonado, sem políticas efetivas de integração urbana, ambiental e turística.

    O turismo náutico no DF, transporta cerca de 20 mil passageiros por mês, entre passeios, festas e serviços de charter, conforme o presidente da Asbranaut, João Carlos Bertolucci (foto – Divulgação)

    A nova ponte representa mais um agregado viário sobre o Lago Paranoá, que há décadas sofre com a ausência de infraestrutura adequada para o uso turístico, recreativo e náutico. Embora o governador demonstre intenção de valorizar o potencial do lago — que abriga hoje a quarta maior frota náutica do Brasil — a inércia de secretarias diretamente ligadas ao turismo impede que projetos estruturantes avancem.

     

    Governador Ibaneis Rocha e o presidente da Asbranaut, João Carlos Bertolucci – crédito – Asbranaut

    Em 2022, a Secretaria de Projetos Especiais publicou o Edital PMI nº 003/2022 com o objetivo de viabilizar a construção de uma Marina Pública no Lago Paranoá. O projeto foi vencido pela Associação Náutica, Esportiva e do Turismo de Brasília (Asbranaut), mas, passados mais de três anos, o resultado oficial sequer foi publicado no Diário Oficial do DF. O travamento do processo levanta questionamentos sobre interesses internos e ajuda a explicar por que nada avança no setor náutico do lago.

    Hoje, o turismo náutico do Distrito Federal transporta cerca de 20 mil passageiros por mês, entre passeios, festas e serviços de charter. Ainda assim, não existe um único local tecnicamente adequado para embarque e desembarque de passageiros. O único ponto utilizado para essa finalidade é o muro de arrimo do Pontão do Lago Sul, estrutura improvisada, insegura e completamente inadequada para essa função.

    Projeto vitorioso da Marina Pública do DF, realizado pela Asbranaut em 2022, PMI 003. (Travado na Secretaria de Projetos Especiais)

    A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estabelece critérios claros para a construção de píeres e trapiches destinados ao embarque e desembarque de passageiros. As normas exigem segurança estrutural, guarda-corpos, corrimãos, pisos antiderrapantes, iluminação, sinalização e, sobretudo, acessibilidade plena, com rampas adequadas, plataformas niveladas e proteção para crianças, idosos e pessoas com deficiência.

    A Marinha do Brasil, por meio das Normas da Autoridade Marítima (NORMAM) e da fiscalização da Capitania Fluvial de Brasília, também define regras rigorosas para a implantação e operação dessas estruturas, incluindo aprovação prévia de projetos, balizamento náutico, luzes de navegação e condições seguras para o transporte coletivo de passageiros. Nada disso é observado atualmente no Lago Paranoá.

    Trapiches abandonados e estrutura precária nas margens do Lago Paranoá (foto – Asbranaut)

    O abandono se estende à Orla JK, na cabeceira norte da Ponte JK — hoje reconhecida como Monumento Turístico da Capital Federal. O local, de grande beleza cênica, apresenta um cenário de desordem, com dezenas de ambulantes sem padronização, ausência de fiscalização sanitária e manipulação precária de alimentos, expondo moradores e turistas a riscos.

    A segurança da navegação é outro ponto crítico. Com mais de 40 embarcações de transporte de passageiros em operação — algumas com capacidade superior a 200 pessoas — o tema deveria ser prioridade absoluta. Tragédias como o naufrágio do barco Imagination, em 2011, que deixou nove mortos, não podem ser tratadas como um capítulo encerrado da história.

    Em todo o espelho d’água do lago, inexiste sinalização adequada por boias de demarcação, essenciais para separar áreas de banhistas, esportes náuticos e navegação. Também faltam sinalização e luzes de navegação em trapiches de marinas e clubes, e muitas rampas, em desacordo com as normas da Marinha.

    Na região da Concha Acústica, os trapiches estão destruídos, a orla tomada por barracas improvisadas e o espaço passou a ser utilizado como doca informal para construção de embarcações. Soma-se a isso a ocupação irregular por motorhomes abandonados, formando um cenário que lembra um ferro-velho a céu aberto em um dos principais cartões-postais da cidade.

    Nesse contexto, ninguém ganha. O comerciante trabalha de forma precária, o usuário se expõe a riscos, o turista se decepciona e leva uma imagem negativa de Brasília para o Brasil e o mundo — um contrassenso para uma cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

    Enquanto isso, o governo se prepara para investir R$ 709 milhões em mais um agregado viário sobre o lago. Bastaria uma meros 10% desse valor para estruturar o setor náutico, com trapiches seguros, marinas públicas, sinalização adequada e ordenamento turístico. Resta saber se, além do concreto, o Lago Paranoá receberá o respeito e o planejamento que sua importância exige.

  • Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    Vende-se Bloco do Eu Sozinho

    A política deveria ser um pilar de representação popular e serviço público. No entanto, enfrenta uma grave crise de identidade. A linha entre o interesse coletivo e o negócio privado torna-se perigosamente tênue, como exemplificado pelo caso do senador Flavio Bolsonaro. Após anunciar uma pré-candidatura independente, ele declarou que essa candidatura “tem um preço”. Esse episódio não se resume a uma manobra política; é um doloroso testemunho da mercantilização da democracia.

    Colocar à venda e botar preço em uma “candidatura imaginária” — sem o apoio de qualquer partido político de direita — transformam um potencial mandato público em uma fonte de lucro pessoal, negociável no mercado de influência. Tal prática é eticamente catastrófica, pois mina a lógica da representação, sugerindo que as alavancas do poder não emanam do povo, mas podem ser adquiridas pelo maior lance, por aqueles que detêm capital financeiro ou político. Isso pode corroer a integridade do processo eleitoral, tratando a soberania popular como um item de leilão e o cargo público como um produto, não como uma responsabilidade.

    Se não fosse pela natureza absolutamente pessoal do negócio proposto no cenário nacional — que visa livrar seu pai de uma condenação em processo legal, com direito a ampla defesa, publicidade dos atos processuais e decisões fundamentadas —, poder-se-ia também questionar a moralidade de tentar vender um mandato que não lhe pertence, e que nem se sabe se será disputado por ele. Essa candidatura imaginária se assemelha aos meios utilizados para adquirir sua luxuosa residência.

    Uma vez que o pré-candidato se apresenta afirmando ter um preço para desistir da candidatura, uma conclusão se torna evidente: não há um programa de governo. Cuida-se, apenas, um negócio, com lucro pessoal como prioridade. Essa ação cínica corrói a confiança do público e despreza os princípios democráticos. Independentemente do que ocorra, nada é mais urgente do que uma reflexão coletiva sobre os limites morais na política, para que a representação popular não seja entregue a quem a enxerga, apenas, como mais uma mercadoria, uma ferramenta para auferir vantagens

  • A pergunta de sempre

    A pergunta de sempre

    O caso do banco Master vem povoar a história de maus feitos de gente graúda. Desde o último ano do século 20, com o Banco Marka, passando pela maquiagem de balanços do Banco Panamericano, as fraudes no Opportunity de Daniel Dantas e de Naji Nahas, os escândalos do Mensalão, da Lava Jato, o grupo X de Eike Batista, o time de vôlei de ex-governadores do RJ presos por corrupção, os muitos casos de desvios no INSS, todos eles têm muita coisa em comum. As operações da Polícia Federal que revelam fraudes e golpes contra o Erário, e, em última análise, contra a própria sociedade civil tem mais semelhanças que suas denominações engraçadas – ou, no mínimo, curiosas (Papel Furado, Roleta Russa, Papa Léguas, Sem Desconto, Deus Tá Vendo, Psicose e muitas outras). Expedem-se mandados de prisão, os responsáveis ficam presos (uns por mais tempo, outros por menos), mas ao fim e ao cabo, as prisões são confortáveis e nenhum dos envolvidos cumpre a pena integralmente. Isso quando chegam a julgamento. Advogados hábeis descobrem falhas no processo investigativo e terminam por conseguir a anulação dos processos graças àquilo que muitos chamam de filigranas jurídicas.

    Ibaneis Rocha, Governador do Distrito Federal, assegura que os 17 deputados que votaram a favor da venda do BRB para o Master, que são seus aliados na CLDF, votaram por convicção – crédito ilustração

    Mas, voltando ao que interessa mais do que uma prisão dos bandidos por vingança, a pergunta que nunca cala é: Quem vai reparar o s danos causados pela gestão temerária no Master e pelas apostas duvidosas das autoridades que jogaram dinheiro público nessa ciranda financeira? É pouquíssimo provável que os responsáveis pelos bilhões jogados na pirâmide pelo governo do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e de dezenas de prefeituras não soubessem que estavam fazendo um investimento de altíssimo risco. De que maneira será garantida a aposentadoria de milhões de pensionistas? Até aqui, tudo indica que será mais uma fatura espetada nas costas de todos nós. Todos, não, porque os banqueiros devem manter seus patrimônios acumulados com seus esquemas bilionários.

  • Capital Moto Week 2025 encerra edição histórica

    Capital Moto Week 2025 encerra edição histórica

     Detonautas, com 27 anos de estrada, entregaram ao público um show carregado de memória, peso e emoção. A turnê “Elétrico” – crédito: divulgação CMW)

    O Capital Moto Week 2025 (CMW), o maior festival de motos e rock da América Latina, chegou ao fim em Brasília deixando marcas positivas e um legado de experiências inesquecíveis para motociclistas, visitantes e amantes da cultura sobre duas rodas. Durante os 10 dias de evento, realizados entre 24 de julho e 2 de agosto no Parque de Exposições da Granja do Torto, a chamada Cidade da Moto pulsou com mais de 800 mil visitantes, 300 mil motocicletas e quase 1,8 mil motoclubes de todo o Brasil e do mundo – números que reforçam a dimensão do encontro e consolidam o festival como um dos mais importantes do calendário cultural e turístico nacional. A atmosfera que se viu nos quatro dias em que nossa equipe de reportagem esteve presente foi de intensa vitalidade: milhares de motociclistas circulando entre lojas de produtos temáticos, espaços gastronômicos, ativações de marcas nacionais e internacionais, além de atrações radicais como roda gigante, tirolesa, booste e cinema ao ar livre – aspectos que reforçam a diversidade de experiências pensadas para o público do festival.

    Os números falam por si: 856 mil pessoas, 300 mil motos e 1,8 mil motoclubes cruzaram a Cidade da Moto edição 2025 (crédito: CMW)

    No centro da programação, mais de 100 shows completaram a ambientação musical, com grandes nomes do rock nacional e internacional, provas de que o CMW não é apenas um encontro de motos, mas um verdadeiro festival cultural. Bandas consagradas como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Samuel Rosa, Angra, Cidade Negra, Magic!, além de performances marcantes de artistas como Detonautas e Marcão Britto & Thiago Castanho – Charlie Brown Jr., embalaram noites de emoção e celebração, unindo diferentes gerações de fãs.

    Além do entretenimento, o evento consolidou-se como um importante vetor econômico para a capital federal. Segundo a Secretaria de Turismo do Distrito Federal, o CMW injetou cerca de R$ 60 milhões na economia local, gerou milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, além de atrair turistas de diversos estados e países e impulsionar a hotelaria, o comércio e o setor de serviços da região.

    Entretanto, a magnitude e a grandiosidade do festival também trouxeram à tona algumas questões operacionais que podem ser aperfeiçoadas já na próxima edição, agendada para 23 de julho a 1º de agosto de 2026. Um dos principais pontos refere-se à mobilidade dos pedestres no interior do evento. Com milhares de visitantes e, principalmente motos, é claro! transitando pela Cidade da Moto, ficou evidente a necessidade de corredores amplos, sinalizados e seguros para caminhada, especialmente para pessoas com dificuldade de locomoção (PDF), idosos e famílias com carrinhos de bebê. Essas adequações podem garantir maior conforto e fluidez nos deslocamentos entre os palcos, áreas comerciais, praças de alimentação e estacionamentos, promovendo assim uma experiência ainda mais acolhedora e inclusiva para todos os públicos.

    Outro aspecto que merece atenção diz respeito à estrutura da sala de imprensa. Jornalistas e equipes de cobertura que passam horas caminhando pelo vasto complexo enfrentaram limitações estruturais, como a falta de computadores disponíveis para redação de reportagens in loco, exigindo que repórteres carregassem notebooks em mochilas enquanto faziam a cobertura. A oferta de pelo menos uma estação de trabalho com computador, bem como vouchers de alimentação para a imprensa credenciada, representaria um avanço significativo no apoio aos profissionais que contribuem para ampliar a visibilidade do evento – um investimento que certamente retornaria em maior qualidade e agilidade nas mídias produzidas.

    Em meio às sugestões e desafios, o balanço geral do CMW 2025 é marcadamente positivo: trata-se de uma edição que reafirmou a força cultural do motociclismo, promoveu encontros memoráveis, impulsionou a economia local e consolidou Brasília como referência internacional em eventos de life style e música, reforçando o papel do Capital Moto Week como um dos grandes festivais do Brasil e do mundo.

  • GDF autoriza a construção de uma UBS em Arniqueira ao custo de R$ 12 milhões

    GDF autoriza a construção de uma UBS em Arniqueira ao custo de R$ 12 milhões

    A comunidade de Arniqueira está prestes a receber um dos equipamentos públicos mais esperados desde a criação da 33ª Região Administrativa: a sua primeira Unidade Básica de Saúde (UBS). O Governo do Distrito Federal anunciou oficialmente a construção da UBS Tipo II, um modelo mais completo e estruturado, capaz de ampliar o atendimento à população e fortalecer a atenção primária em saúde.

    UBS de Arniqueira terá recursos da Terracap para sua construção (foto:Ilustrativa)

    A obra será executada pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), com investimento de aproximadamente R$ 12 milhões, valor disponibilizado por meio de recursos da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). O convênio que autoriza o início das etapas de contratação foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal nesta segunda-feira (1º de dezembro), selando o compromisso do GDF com a expansão dos serviços públicos em Arniqueira.
    A UBS terá 1,4 mil m² de área construída e será implantada em um terreno de 5,8 mil m², localizado na área da Administração Regional de Arniqueira.

    Telma Rufino, administradora regional da cidade, destacou que a construção da UBS representa uma das maiores conquistas de sua gestão. “O Papai Noel chegou mais cedo este ano e trouxe um presente gigantesco para toda a nossa comunidade. Esta unidade básica de saúde vai atender a todos, sem distinção, e melhorar profundamente a vida das famílias de Arniqueira. Investir em saúde é investir no dia a dia do cidadão. Iniciamos o mês natalino com um presente de grandeza ímpar. Agradeço imensamente ao governador Ibaneis Rocha por tornar esse sonho possível”, ressaltou Telma.

    UBS Tipo II: mais estrutura, mais profissionais, mais serviços

    A futura UBS de Arniqueira será do tipo II, considerada uma categoria intermediária e adequada a regiões com grande densidade populacional. Essa tipologia oferece estrutura mais ampla, permitindo abrigar duas ou mais equipes de Saúde da Família, além de equipes multiprofissionais com atuação nas áreas de enfermagem, assistência social, odontologia, nutrição, psicologia, farmácia e outras especialidades ligadas à atenção primária.
    Veja no link alguns serviços oferecidos pelas UBS no Distrito Federal : link

    O presidente da Novacap, Fernando Leite, destacou a importância da nova unidade de saúde para Arniqueira e o valor histórico dessa entrega para a cidade.
    “A implantação da UBS Tipo II em Arniqueira representa um avanço significativo para a região e conta com a participação da Novacap, em convênio com a Terracap e a Secretaria de Saúde. Por ser uma unidade de porte Tipo II, poderá operar com duas equipes de Atenção Básica, ampliando a capacidade de atendimento à população. Ficamos muito felizes em contribuir com esse projeto, que aproxima os serviços de saúde da comunidade e fortalece uma rede mais eficiente e humanizada no Distrito Federal “ ressalta Fernando Leite.

    A nova unidade contará com dezenas de consultórios, salas de procedimentos, sala de observação, farmácia, espaços administrativos, área de acolhimento e salas destinadas ao atendimento continuado. Trata-se de uma estrutura pensada para atender de maneira integral as necessidades dos moradores, garantindo qualidade, resolutividade e prevenção.

    Localização e início das obras

    A UBS terá cerca 1,4 mil m² de área coberta e ficará instalada em parte do terreno onde funcionava a antiga sede da Administração Regional de Arniqueira com área total de 5,8 mil m2. A escolha do local se deu pela sua acessibilidade e pela capacidade de atender, com eficiência, a população distribuída entre o Areal, ADE, SHA e condomínios adjacentes.
    A Novacap é a empresa do GDF responsável por conduzir a licitação para a construção da UBS de Arniqueira (Projeto Novacap)

    O próximo passo será a abertura do processo licitatório conduzido pela Novacap, que definirá a empresa responsável pela construção. A previsão é que as obras tenham início já no primeiro semestre de 2026. O prazo estimado para conclusão é de 24 meses, permitindo que a unidade seja inaugurada no início de 2028, caso não haja imprevistos.

    Um avanço histórico para a região

    A construção da UBS representa um marco histórico para Arniqueira, que há anos demanda uma estrutura pública de saúde adequada ao seu crescimento populacional. Atualmente, grande parte dos moradores precisa se deslocar para outras regiões administrativas para receber atendimento básico, o que sobrecarrega outras unidades e aumenta o tempo de espera por serviços essenciais.

    Com a chegada da UBS Tipo II, Arniqueira passará a contar com um equipamento moderno, confortável e acessível – oferecendo condições dignas para atendimento de crianças, adultos, idosos e famílias que dependem diretamente da rede pública. A nova unidade também será fundamental para ações preventivas, vacinação, acompanhamento de gestantes e vários tipos de programas, além de cuidados continuados e atividades de promoção da saúde.

    A iniciativa reforça o compromisso do Governo do Distrito Federal com o fortalecimento da atenção primária e com a melhoria contínua da infraestrutura pública, garantindo que Arniqueira avance em qualidade de vida com saúde, proteção social e mais dignidade e conforte para seus moradores.

     

     

     

  • 35 contêineres públicos no combate ao lixo urbano em Arniqueira

    35 contêineres públicos no combate ao lixo urbano em Arniqueira

              A Administração Regional de Arniqueira recebeu, no mês de novembro 35 contêineres de 500 litros cada, entregues pelo Governo do Distrito Federal por meio do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Esses equipamentos serão instalados em pontos estratégicos da cidade, especialmente nos locais onde há maior incidência de descarte irregular de resíduos.

    Telma Rufino, administradora regional de Arniqueira e Everaldo Araújo, diretor operacional do SLU, em visita às ruas da região (crédito: JcBertolucci).

    A iniciativa integra uma campanha de combate ao descarte inadequado do lixo, prática que, ao longo dos anos, tem contribuído para a degradação visual da região e para o agravamento de problemas sanitários. Os pontos que receberão os contêineres foram identificados pela Administração Regional, levando em conta áreas onde os veículos de coleta do SLU têm dificuldade de manobrar devido à configuração urbana, marcada por vias estreitas — muitas delas resultantes do processo histórico de ocupação da região.

    Lixo descartado irregularmente é um dos principais desafios da RA33 (Crédito: JcBertolucci)

    A administradora regional solicitou à Diretoria de Meio Ambiente um estudo detalhado para mapear os locais que apresentam maior volume de descarte irregular. Segundo ela, alguns desses pontos receberão atenção especial do SLU, com ações intensificadas de limpeza e campanhas de conscientização sobre o descarte adequado dos resíduos.

    Telma Rufino, ao centro, “defende um macro projeto de conscientização sobre o descarte do lixo em Arniqueira” (crédito: JcBertolucci).

    “Arniqueira é uma cidade em processo de regularização fundiária; surgiu sem
    planejamento urbano e, por consequência, possui muitas vias extremamente
    estreitas, quase vielas, o que dificulta a circulação dos caminhões de coleta.
    Em alguns desses locais, a instalação dos contêineres será fundamental para
    mitigar esse grave problema do descarte irregular”, destaca a administradora.

    A implantação dos equipamentos seguirá um modelo de parceria: cada contêiner será “apadrinhado” por uma empresa ou condomínio da região, que ficará responsável pelo monitoramento e bom uso, em articulação com a Administração Regional. O objetivo é somar esforços entre poder público e comunidade para criar uma rede de corresponsabilidade na monitoramento do contêiner.

    Equipamentos serão disponibilizados em locais com alto volume de descarte irregular do lixo, onde os veículos do SLU não tem acesso (crédito: JcBertolucci)

    O diretor operacional do SLU, Everaldo Araújo, afirma que o órgão está estudando uma nova estratégia de coleta para Arniqueira, incluindo a adoção de veículos menores, capazes de acessar áreas onde os caminhões tradicionais não conseguem entrar. “Estamos em constante diálogo com a Administração Regional para buscar alternativas que tornem a coleta mais capilar e eficiente. Isso requer novos equipamentos e um modelo de operação alinhado às características urbanas peculiares da cidade”, explica.

    As consequências do descarte irregular do lixo em Arniqueira

    O descarte irregular de resíduos sólidos é um dos principais fatores que comprometem a qualidade de vida em Arniqueira. Embora a sujeira espalhada por ruas, becos, áreas verdes e margens de córregos seja o aspecto mais visível, seus impactos vão muito além da estética urbana. Trata-se de um problema que atinge a saúde pública, o meio ambiente e a própria percepção de organização e cuidado com a cidade.

    A primeira consequência evidente é a proliferação de vetores de doenças. O lixo descartado em locais inadequados cria ambientes ideais para o acúmulo de água parada e para a reprodução de insetos e animais peçonhentos. Entre esses vetores, destaca-se o Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. Seu ciclo reprodutivo é diretamente favorecido pela presença de recipientes expostos às chuvas, como baldes, restos de móveis, plásticos e sucatas abandonadas. Ratos, baratas e escorpiões também encontram nesses pontos condições ideais de abrigo e alimentação, ampliando riscos sanitários, especialmente para crianças e idosos. Telma Rufino reforça, em suas apresentações públicas, a importância do descarte consciente do lixo, enfatizando a necessidade de maior responsabilidade e colaboração por parte da população. “Estamos trabalhando incansavelmente para deixar a cidade mais limpa. Mas, se a população não colaborar, não vamos avançar. A prática do descarte irregular traz enormes problemas para todos nós. Cada um deve fazer a sua parte. Estou sempre pedindo o apoio de todos; só assim conseguiremos manter nossa cidade mais limpa e evitar graves problemas de saúde”, destaca a administradora regional de Arniqueira.

    O impacto ambiental é igualmente severo. Resíduos depositados inadequadamente em áreas verdes ou próximos a corpos d’água podem causar contaminação do solo, obstrução de bocas de lobo e enchentes durante o período chuvoso. Materiais como plásticos e metais se degradam lentamente e permanecem no ambiente por décadas, prejudicando a fauna local e deteriorando a paisagem da cidade. Em uma região com características residenciais e áreas de preservação ambiental, como Arniqueira, esses danos são ainda mais sensíveis.

    No âmbito social, o descarte irregular gera sensação de abandono e desordem. Ambientes limpos e organizados estimulam o cuidado coletivo, enquanto espaços degradados tendem a reforçar comportamentos inadequados. A ausência de consciência ambiental e a falta de práticas corretas de separação e destinação dos resíduos alimentam um ciclo contínuo de deterioração urbana.

    Combater o descarte irregular do lixo em Arniqueira é, portanto, muito mais do que uma tarefa de limpeza: é uma ação integrada de saúde pública, preservação ambiental e fortalecimento do senso comunitário. A junção de medidas estruturais, como a chegada dos contêineres, com ações educativas, fiscalização eficaz e participação da população, é o caminho essencial para transformar essa realidade e construir uma cidade mais limpa, saudável e acolhedora.

    SLU lançou o aplicativo SLU Coleta DF, disponível para Android e iOS, que permite aos cidadãos acompanhar a rota dos caminhões de lixo em tempo real, consultar dias e horários da coleta (convencional e seletiva) e receber alertas sobre a chegada do caminhão. O app também oferece informações sobre como separar o lixo, os locais de descarte de resíduos especiais e conteúdos educativos sobre gestão de resíduos.

  • A queda do master e o perigo de atingir o GDF

    A queda do master e o perigo de atingir o GDF

    *Paulo César Timm – economista, professor aposentado Universidade de Brasília (UNB) servidor aposentado do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA)

    Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal (crédito: Agência Brasília)

    Há muita confusão conceitual sobre a origem e natureza do sistema capitalista. Para mim, o capitalismo nasce nos primeiros bancos da Itália, século XV, quando o dinheiro se converte, de meio de troca em meio de vida – e enriquecimento – aos que o controlam. No começo, dadas as restrições morais da Igreja à usura, foram os judeus que, paulatinamente foram expandindo as redes bancárias mundo afora. Oportuno lembrar que tais restrições têm raízes muito antes de Cristo, como no Código de Hamurabi. Mas os tempos mudaram, a introdução do papel moeda flexibilizou as restrições à usura e os bancos se multiplicaram. Cresceram tanto que, já ao final do século passado, e sobretudo, depois da liberação à movimentação eletrônica dos capitais no mercado mundial, suas transações ultrapassaram os valores do comércio mundial e da própria produção. Hoje vivemos sob a bolha do Capitalismo Financeiro. Quer ficar rico? Entre para alguma empresa do ramo financeiro, aprenda as regras do “mercado”, mesmo como empregado aí encontrará os mais altos salários e, se for esperto, comece abrindo uma Financeira, depois uma Fintech, e depois, um Banco. Foi o que fez um latino-americano, “sem dinheiro no bolso”, mas muita ambição e poucos escrúpulos,  Daniel Vorcaro, ao criar o Banco Master.

    Moço bem apessoado, educado, frequentador de salões sociais e políticos, ligado aos evangélicos Vorcaro  correu, primeiro, atrás de clientes privados e, em seguida, percebeu que os clientes “públicos”, a saber agentes do Estado, davam muito mais resultado. Bastava, para isso, chegar-se a influentes figuras dos Poderes Federais, inclusive Judiciário, com atrativos contratos de consultoria a ex ministros – e juízes aposentados -, aí despontando o deputado Ciro Nogueira, Presidente do PP, ex Chefe da Casa Civil de Bolsonaro, amigo de governadores importantes do Rio de Janeiro e Distrito Federal. Como registra o jornalista investigativo Andrei Meirelles:

    “Vamos começar puxando penas para achar as galinhas e as raposas. (….) Ciro Nogueira e o governador de Brasília Ibaneis Rocha, além de piauienses, têm, entre outras coisas em comum, a escolha de Paulo Henrique Costa, o PH, para presidir o BRB, o banco público de Brasília. (…) A versão mais corrente em Brasília é de que Flávia Arruda ( hoje Flávia Peres, casada com Augusto Ferreira Lima), procurou Ciro Nogueira ( com quem dividiu a articulação política no governo Bolsonaro e o governador Ibaneis Rocha para usarem a influência sobre PH para ajudar o Banco Master a escapar da falência. Pelo comportamento, durante e até o estouro do escândalo, essa versão tem início, meio e fim coerentes com os comportamentos de Ibaneis e Ciro Nogueira.

    Ibaneis foi à luta em defesa da mega mutreta. Conseguiu apoio da Câmara Distrital, em que tem ampla maioria, e atacou quem questionava a compra pelo BRB dos títulos podres do Banco Master, inclusive o Banco Central, de serem adversários de Brasília.”

    Semana passado tudo ruiu. O Banco Central “acordou” para o fechamento do Banco Master,  Vorcari foi preso, já prestes a fugir do país num dos seus jatinhos executivos, Brasília entrou em pânico. Só o tempo dirá sobre o tamanho do rombo, provavelmente na ordem de R$ 20 bilhões, e da responsabilização de todos os que contribuíram para o festim. Certamente apresentarão Atestados Médicos para garantir cumprimento das penas em casa e seus respectivos patrimônios já terão sido pulverizados. Aqui no D.F. , entretanto, dificilmente o Governador Ibaneis, que escapou do 8 de janeiro, prosseguirá sua meteórica carreira.

    Paulo César Timm – Economista, professor aposentado da Universidade de Brasília, servidor aposentado do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea)

  • Por que o BRB não foi liquidado junto com o Banco Master

    Por que o BRB não foi liquidado junto com o Banco Master

    Por João Carlos Bertolucci

    A crise desencadeada pela operação “Compliance Zero” – conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal – atingiu de modo profundo não apenas o Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC), mas também o Banco de Brasília (BRB), implicado na compra de carteiras de crédito de aproximadamente R$ 12,2 bilhões. Segundo as investigações, o Master teria vendido créditos inexistentes e apresentado documentos falsos para justificar as transações junto ao regulador, configurando risco sistêmico e falhas graves de governança. O BC, ao identificar tais práticas, optou pela liquidação do Master para proteger terceiros e preservar a integridade do sistema financeiro. Em contraste, o BRB, embora envolvido diretamente nos negócios questionados, não foi liquidado. Em vez disso, passou por medidas prudenciais, sob avaliação intensificada das autoridades supervisoras.

    A justificativa para o BRB continuar em funcionamento reside em fatores operacionais e institucionais significativos. Como banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal, o BRB possui receitas estáveis advindas do processamento da folha de pagamento do funcionalismo local. Esse fluxo recorrente contribui para manter liquidez e previsibilidade financeira, o que reduz a propensão de saques em massa e fortalece sua capacidade operacional. Tal característica confere ao regulador uma margem de manobra para aplicar medidas corretivas menos drásticas do que a liquidação, apostando na reestruturação administrativa e financeira da instituição.

    Governador do Distrito Federal troca comando do BRB envolvido em operação de R$ 12,2 bilhões com o banco Master (foto divulgação)

    Entretanto, a situação do BRB se agravou politicamente. Em reação à repercussão da operação, o governador do Distrito Federal já afastou o presidente do banco e parte da diretoria, assumindo compromisso público, e indicou um novo nome para a chefia da instituição. Essa mudança de liderança sinaliza não apenas uma tentativa de recompor a governança interna, mas também uma estratégia para restaurar a credibilidade junto à sociedade, aos mercados e às autoridades regulatórias. Ao trocar a diretoria, o governo busca demonstrar proatividade frente à crise, sinalizando que não tolerará práticas irregulares e que está disposto a assumir responsabilidade institucional, em sintonia com as exigências do BC e dos investigadores.

    Ainda assim, a base de servidores públicos como clientes do BRB — referenciada em sua folha de pagamento —, embora seja um pilar de segurança financeira, não elimina todos os riscos. Se for comprovado que ativos adquiridos eram fraudulentos ou de qualidade duvidosa, esse passivo pode corroer reservas e capital regulatório, exigindo provisões elevadas para perdas, o que impactaria a solvência. A substituição da diretoria é um passo importante, mas depende de ações concretas para reestruturação do balanço: o BRB precisará desfazer operações danosas, recompor capital social e reforçar controles internos.

    Banco de Brasília continua a operar mesmo após varredura da Polícia Federal no caso do banco Master (crédito: divulgação)

    Sob esse “efeito sombra” regulatório, o BC pode impor novas restrições — como limitações a dividendos, exigência de reorganização de carteiras de crédito, bloqueio de ativos e possíveis aportes. Se a situação se deteriorar, intervenção ou até liquidação podem ser consideradas, embora, até o momento, autoridades reguladoras optem por manter a operação do banco, dado seu papel social e institucional. Para os clientes (servidores e demais depositantes), não há risco imediato de perda de depósitos, mas é recomendável manter atenção às comunicações do BRB e do BC.

    Em suma, a exoneração da diretoria do BRB pelo governador do DF e a indicação de nova liderança constituem parte de uma estratégia institucional para demonstrar compromisso com a governança e a transparência. A base de clientes estável e previsível — composta em grande parte por servidores públicos — oferece um amortecedor financeiro importante, mas não substitui a necessidade de uma reestruturação profunda. O BRB, no momento, vive uma fase delicada: sob fiscalização reforçada e com risco elevado de sanções, mas ainda operando com base em seus pontos fortes. Cabe acompanhar os desdobramentos regulatórios, judiciais e financeiros para avaliar se a recomposição será bem-sucedida ou se medidas mais drásticas serão necessárias.

    Deputados da distritais querem CPI do BRB/Master

    Comissão na Câmara Legislativa do Distrito Federal pretende apurar tentativa de compra de R$ 2 bilhões, suspeitas de gestão fraudulenta, uso indevido de recursos públicos, além de irregularidades apontadas na Operação Compliance Zero. A CPI deve analisar todo o processo, desde a aprovação da compra pelo conselho do banco público até o veto do negócio pelo BC (Banco Central) e a liquidação extrajudicial do Master.

    O documento cita possíveis práticas de gestão fraudulenta e temerária, mencionadas pela PF (Polícia Federal) na Operação Compliance Zero, que levou à prisão do controlador do Master, Daniel Vorcaro, e ao afastamento judicial da diretoria do BRB.

    O texto ainda pontua que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), defendeu publicamente a operação, justificando que iria “salvar” as operações do Master e que “fortaleceria o BRB, ampliaria sua competitividade e geraria dividendos revertidos em obras e políticas”.

    Por que só o Master foi liquidado?

    Segundo os especialistas, a principal diferença reside na condição financeira. O BC concluiu que o Master não tinha mais condições seguras de operar, enquanto o BRB — que é um banco público — segue apresentando resultados positivos.

    “O Banco Central aplica soluções diferentes para cada situação. A liquidação ocorre quando o problema é considerado irrecuperável. Já medidas corretivas e sancionatórias graduais são adotadas quando ainda é possível preservar a instituição”, afirma Vanderlei Garcia Jr., doutor em Direito Civil pela USP, especialista em Direito Contratual e Societário e sócio do Ferreira & Garcia Advogados.

    Segundo ele, o BC já havia identificado no Master uma grave crise de liquidez, forte deterioração econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O BRB, contudo, não apresenta quadro equivalente de insolvência ou risco sistêmico — “ao menos com as informações públicas disponíveis até agora”.

  • Governo do DF nega prejuízo aos cofres públicos após liquidação do Master

    Governo do DF nega prejuízo aos cofres públicos após liquidação do Master

    Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025  • WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

    A Secretaria de Economia do Governo do Distrito Federal informou à CNN Brasil que a Operação Compliance Zero não vai afetar os cofres públicos do DF. O Governo é acionista majoritário do BRB (Banco de Brasília), que foi alvo de investigação. A operação foi deflagrada pela Polícia Federal para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional). Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.

    “Não há impacto sobre o Tesouro do GDF. A relação findou-se entre dois entes privados: BRB e Banco Master”, diz o Executivo distrital em nota enviada à CNN Brasil.

    Em março, o BRB anunciou a intenção de comprar 58% das ações do Master pelo valor de R$ 2 bilhões. O processo de aquisição foi negado pelo Banco Central.

    Nesta terça-feira (18), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master menos de um dia após o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição financeira.

    Após a Operação Compliance Zero, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o então diretor executivo financeiro da instituição, Dario Oswaldo Garcia Junior, foram afastados do cargo por 60 dias. Celso Eloi de Souza foi indicado pelo GDF à presidência do banco depois do caso.

    Em nota, o GDF informou que o BRB mantém sua capacidade plena de operação, com total segurança administrativa e financeira, sem qualquer impacto estrutural na liquidez, na solvência ou na continuidade operacional da instituição.
    Segundo o governo, todas as rotinas bancárias, sistemas internos, serviços aos clientes, contratos vigentes, operações de crédito e compromissos institucionais seguem em funcionamento regular.

    “O Governo do Distrito Federal informa, ainda, que medidas internas adicionais serão adotadas para reforçar os mecanismos de governança, compliance e controle interno. A administração pública distrital acompanhará de forma permanente as apurações e colaborará com todas as instâncias regulatórias e fiscalizatórias”, disse o GDF em nota. 

    Deputados distritais protocolaram o pedido de criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

    O requerimento, assinado por Fábio Felix (PSOL) e Chico Vigilante (PT), mira as negociações que previam a compra de 58% do Master pelo BRB por cerca de R$ 2 bilhões.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • Após operação do Banco Master, oposição a Ibaneis tenta criar CPI do BRB na Câmara do DF

    Após operação do Banco Master, oposição a Ibaneis tenta criar CPI do BRB na Câmara do DF

    Presidente do Banco Master

    Parlamentares de oposição no Distrito Federal se movimentam para que seja instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa para investigar a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

    A comissão teria prazo de 180 dias e seria composta por cinco distritais. O objetivo é investigar a transação que foi barrada pelo Banco Central em setembro.

    O pedido pela CPI ocorre após operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (18) mirar dirigentes das duas instituições financeiras.

    Plenário da Câmara Legislativa do DF durante sessão ordinária. — Foto: Carolina Curi/Agência CLDF

    Um dos requerimentos é assinado pela deputada Paula Belmonte (Cidadania) e endereçado ao presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB).

    Outro documento é assinado pelo bloco PSOL-PT na Casa. Seis parlamentares assinam o documento também endereçado a Wellington Luiz. São eles:

    • Chico Vigilante (PT)
    • Fábio Felix (PSOL)
    • Dayse Amarílio (PSB)
    • Gabriel Magno (PT)
    • Max Maciel (PSOL)
    • Ricardo do Vale (PT)

    Os requerimentos precisam recolher ao menos oito assinaturas, número equivalente a um terço da Casa, para que sejam apresentados formalmente à Mesa Diretora da CLDF.

    O presidente da CLDF, deputado Weillington Luiz (MDB) — Foto: Divulgação/Weillington Luiz

    Operação da PF

    Operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira (18) mirou dirigentes dos bancos BRB e Master. A chamada Operação Compliance Zero, mira a venda de títulos de crédito falsos.

    Até a manhã desta terça:

    • Foram cumpridos seis mandados de prisão (quatro preventivas e duas temporárias);
    • Bloqueio de R$ 12,2 bilhões em contas dos investigados;
    • Apreensão de carros de luxoobras de arte e relógios;
    • Apreensão de R$ 1,6 milhões em espécie.

    O Banco Master emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. Esse retorno, contudo, era irreal. Segundo a PF, o esquema pode ter movimentado R$ 12 bilhões.

    Presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, comenta planejamento para migração de serviços do Detran — Foto: Carolina Cruz/G1

    A operação prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros quatro diretores da instituição.

    Já o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo após decisão judicial. O diretor-executivo de finanças e controladoria do banco, Dario Oswaldo Garcia Junior, também foi afastado do posto.

    Banco BRB

    Banco BRB — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

    O Banco de Brasília S.A. (BRB) foi criado em dezembro de 1964 com o objetivo de ser um agente financeiro para captar os recursos necessários para o desenvolvimento do Distrito Federal.
    Em 1991, passou a ser um banco com as carteiras: comercial, câmbio, desenvolvimento e imobiliária.
    A empresa é uma sociedade de economia mista, de capital aberto, e o acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal (71,92%).
    O BRB é uma instituição financeira com atuação no Distrito Federal e com agências no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraíba.