Tag: Autismo

  • Menino autista não quer voltar para escola pública do DF após ter sido constrangido por professora

    Menino autista não quer voltar para escola pública do DF após ter sido constrangido por professora

    Estudante havia esquecido agenda em casa e professora escreveu bilhete em folha A4, com recado para mãe, e colou na parte de fora da mochila. Segundo família, colegas fizeram chacota da situação

    Uma criança, de 9 anos, com transtorno do espectro autista (TEA) passou por uma situação de constrangimento, causada pela professora, em uma escola pública do Distrito Federal e, há um mês, não quer mais voltar para o colégio. O estudante havia esquecido a agenda em casa e a professora escreveu um bilhete para a mãe, em folha A4 , e colou o recado na parte de fora da mochila do menino.

    Segundo a mãe – que não quer ser identificada para não expor o filho – o caso ocorreu há um mês e o menino foi motivo de chacota entre os colegas da Escola Classe Jardim Botânico.

    “A professora nem avisou meu filho do bilhete. Simplesmente colou na mochila dele e mandou ele de volta pra casa. Então, quem falou pra ele do bilhete foram os amigos, que ficaram rindo dele. Ele se sentiu envergonhado. Quando chegou em casa chorou e ainda disse ‘Viu mãe? Por isso eu não queria ir pra escola’”, conta a mãe.

    No bilhete, a professora diz que precisa da agenda para poder se comunicar com a mãe do menino. Ela ainda relata que ele machucou o dedo e que deverá fazer as atividades de matemática em casa porque não havia levado o livro.

    A Secretaria de Educação disse, nesta quinta-feira (28), que “todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive de apuração de responsabilidades quanto a conduta por parte dos envolvidos no episódio”. A pasta afirmou também que “repudia qualquer tipo de ação discriminatória que gere exposição e humilhação aos estudantes e suas famílias” (veja íntegra da nota ao final da reportagem).

    Escola reprovou o menino durante a pandemia de Covid

    O quebra-cabeça foi o símbolo escolhido para a conscientização em relação ao autismo — Foto: Getty Images

    A criança entrou para a Escola Classe Jardim Botânico em 2020 e foi colocada em uma turma reduzida, por conta de um distúrbio chamado “Erro Inato do Metabolismo” (EIM) – uma doença rara que pode ser causa ou consequência do autismo. Na época, o menino ainda não tinha o diagnóstico de TEA.

    “Durante o ano de 2020 deu tudo certo. Mas, em 2021, a escola reprovou meu filho no 3º ano do Ensino Fundamental, mesmo com a normativa da Secretaria de Educação do DF de não reprovar nenhuma criança por conta da pandemia de Covid-19. Nós não concordamos com a atitude da escola, a psicopedagoga dele disse que não deveríamos aceitar a retenção dele no 3º ano, mas a escola reprovou ele mesmo assim”, diz a mãe.

    Em 2022, o aluno mudou de turno e recomeçou o 3º ano. No entanto, em março, segundo a mãe, a professora começou a reclamar muito da criança, dizendo que o menino atrapalhava a aula.

    “Tiveram três episódios em que ele se machucou na escola. Em um deles, inclusive, a escola chegou a nos ligar, dizendo que ele havia caído e se machucado, mas que não precisávamos buscá-lo, que ele poderia voltar no transporte escolar. Quando ele chegou em casa, estava todo sujo de sangue, e com o nariz quebrado. E a professora mandando bilhetes dizendo que ele estava atrapalhando a aula”, diz a mãe.

    Segundo a mulher, no último dia que o filho foi para o colégio, um mês atrás, ele já estava reclamando que não queria ir à aula e, com a confusão na hora de sair de casa, acabou esquecendo a agenda e o livro de matemática.

    A mãe da criança encaminhou o caso para o Conselho Tutelar do Jardim Botânico, onde a família mora e onde fica a escola pública. Ela também foi recebida pela secretária de educação do DF, Hélvia Paranaguá, que, segundo a mãe, confirmou que a escola errou ao reprovar o aluno em 2021, e garantiu que a professora foi afastada da turma que está sendo conduzida por uma professora substituta.

    No entanto, o menino não quer mais estudar. “Ele contou para a família sobre algumas situações ocorridas na escola, como gritos da professora com ele. Agora ele quer ficar perto o tempo todo, e pergunta se vai ter uma professora que ama ele. Estamos em choque”, diz a mãe.

    O que diz a Secretaria de Educação do DF

    “A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal informa que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive de apuração de responsabilidades quanto a conduta por parte dos envolvidos no episódio. A SEEDF informa ainda que o aluno já deveria ter retornado a escola na turma do 3º ano do Ensino Fundamental desde a semana passada, mas segundo informações da direção da Regional de Ensino, a responsável ainda não retornou com o estudante para as atividades. Dessa forma, a escola já fez contato com a responsável e enfatizou a necessidade do retorno do aluno.
    A Pasta repudia qualquer tipo de ação discriminatória que gere exposição e humilhação aos estudantes e suas famílias. A comunicação entre família e escola deve sempre pautar-se no respeito e empatia.
    A Secretaria de Educação informa que, ainda nesse semestre, serão realizadas novas ações para orientação dos gestores das Coordenações Regionais de Ensino e unidades escolares quanto ao atendimento e acolhimento de estudantes com deficiência e Transtorno do Espectro Autista.”

    Fonte: G1

  • Casal é expulso de clube ao levar lanche para filho autista na Cidade Ocidental

    Casal é expulso de clube ao levar lanche para filho autista na Cidade Ocidental

    A criança, de 4 anos, tem seletividade alimentar e, por isso, os pais levaram alimentos específicos. Mas, enquanto estavam na piscina, foram convidados a se retirar do parque

    Um casal do Distrito Federal foi expulso do clube Águas Correntes Park, localizado na Cidade Ocidental (GO), após entrar com alguns alimentos restritos e destinados ao filho autista, de 4 anos. A situação ocorreu na quinta-feira (25/8) e, em entrevista, o pai e a mãe contaram que se sentiram constrangidos e injustiçados com o ocorrido. Nas redes sociais, a direção do parque aquático publicou uma nota de esclarecimento informando que vai apurar os fatos.

    Caroline Cavalcante, 41, e Bruno Augusto, 35, são moradores da Asa Norte. Eles buscavam por um clube atrativo e que pudesse atender as necessidades do filho Daniel. Por meio de boas indicações e pelas redes sociais, o casal decidiu ir ao Águas Correntes, distante cerca de 40km do Plano Piloto. Por ser autista, a criança tem seletividade alimentar e não come qualquer tipo de alimento.

    O site do parque informa que está proibida a entrada de alimentos e bebidas em geral, panelas, vasilhas e caixas térmicas. Mas, segundo a mãe, o clube havia sido comunicado da condição de Daniel com antecedência. Quando a família chegou ao local, apresentou o documento de identidade da criança com a informação de que ele era autista e mostrou o kit de lanche. “Ele come poucas coisas e aceita os alimentos de acordo com a embalagem. Por exemplo, suco de uva ou biscoito. Na portaria, tivemos que deixar vários itens. Tínhamos levado dois salgadinhos e só entramos com um. O suco, eu levei quatro, mas só entramos com um”, relatou a publicitária.

    Expulsão

    O casal e o filho chegaram por volta das 11h ao clube e ficaram por pouco menos de duas horas. Bruno Augusto, marido de Caroline, conta que foi abordado e repreendido por um segurança. “Ele disse que eu não poderia levar comida e eu expliquei a situação dizendo que havíamos comprovado tudo. Cheguei a ir na lanchonete do local, mas lá não tinha os alimentos que meu filho consome”, disse.

    Pela segunda vez, enquanto estavam na piscina com o filho, o funcionário do clube retornou e falou novamente que a entrada de alimentos não era permitida. De acordo com o casal, o segurança agiu de forma ríspida e grosseira. “Meu marido disse que não ia devolver as comidas e, de maneira humilhante, mandou a gente se retirar. Foi uma situação constrangedora. Buscamos a direção do clube, mas não tinha ninguém lá. Foi uma equipe totalmente despreparada e sem um gestor para mediar aquele conflito”, desabafou Caroline.

    Pelas redes sociais, o Águas Correntes Park veiculou que apura os fatos para adotar as medidas necessárias ao esclarecimento e correção das políticas internas. “Informamos ainda que repudiamos qualquer ato discriminatório e que estamos empenhados em corrigir possíveis falhas e prestar o melhor atendimento possível.” Por fim, a empresa pediu desculpas à cliente.

    Fonte: CB

  • Crianças autistas descobrem mundo dos quadrinhos em atividade gratuita em Brasília

    Crianças autistas descobrem mundo dos quadrinhos em atividade gratuita em Brasília

    Oficinas da Turma da Mônica vão até 31 de julho, no Brasília Shopping. Vagas são limitadas; agendamento deve ser feito presencialmente

    Um oficina interativa da Turma da Mônica, no Brasília Shopping, convida crianças autistas para que descubram o mundo dos quadrinhos e ainda criem seus próprios gibis. A atividade gratuita é indicada para meninos e meninas de 4 a 12 anos.

    Além da diversão, o trabalho propõe uma reflexão sobre diversidade e representatividade, por meio dos personagens com deficiência da Turma da Mônica. A equipe de monitores passou por uma capacitação conduzida por Carol Steinkopf, musicoterapeuta comportamental, especialista em autismo e fundadora do projeto Uma Sinfonia Diferente.

    “Uma equipe bem treinada irá de fato incluir a criança com autismo nas brincadeiras e atividades propostas. Hoje em dia vemos espaços separados para crianças com autismo ou outras deficiências, mas lutamos pela inclusão, ou seja, para que elas participem da mesma brincadeira que as outras crianças”, diz a especialista.

    As oficinas vão até 31 de julho, de domingo a sexta-feira, das 12h às 20h e, aos sábados, das 10h às 22h. A participação é feita por agendamento, realizado presencialmente no Balcão de Informações do shopping, por ordem de chegada. As vagas são limitadas.

    Apesar de a atividade ser gratuita, o público pode realizar um PIX Solidário de qualquer valor. As doações serão destinadas ao Instituto Vida Positiva, que atua na defesa e garantia dos direitos de pessoas que vivem com HIV.

    Sinais do autismo

    O quebra-cabeça foi o símbolo escolhido para a conscientização em relação ao autismo — Foto: Getty Images

    Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e ou interesses repetitivos ou restritos, conforme o Manual de Orientação Transtorno do Espectro do Autismo, elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Essa condição é permanente e não tem cura, mas a estimulação precoce pode contribuir para alterar o prognóstico e suavizar os sintomas.

    A SBP relata que os sinais do Transtorno do Espectro Autista podem surgir logo depois do nascimento, mas se tornam mais consistentes entre 12 e 24 meses de idade. Porém, o diagnóstico ocorre, em média, somente entre os 4 e 5 anos de idade.

    O diagnóstico tardio preocupa os especialistas, pois eles avaliam que a intervenção precoce possibilita melhoras significativas no funcionamento cognitivo e adaptativo da criança. Nesse sentido, é importante a identificação de marcadores já no primeiro ano de vida do bebê. Os sinais de alerta são:

    6 meses

    • Poucas expressões faciais
    • Baixo contato ocular
    • Ausência de sorriso social
    • Pouco engajamento sociocomunicativo

    9 meses

    • Não balbucia “mamã” e “papa”
    • Não olha quando é chamado
    • Não olha para onde o adulto aponta
    • Imitação pouca ou ausente

    12 meses

    • Ausência de balbucios
    • Não apresenta gestos convencionais (abanar para dar tchau, por exemplo)
    • Não fala “mamãe” e “papai”
    • Ausência de atenção compartilhada

    Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria