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Empresário de Samambaia comandará Águas Claras

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Ex-presidente da Federação das Associações Comerciais do DF- FACIDF, Francisco de Assis Silva - Foto: Divulgação

Ex-presidente da Associação Comercial de Samambaia será o novo administrador da cidade

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, cedeu às pressões do aliado político na Câmara Legislativa, deputado Agaciel Maia e vai nomear o empresário e ex-presidente da Federação das Associações Comerciais do DF- FACIDF, Francisco de Assis Silva, para comandar a Administração Regional de Águas Claras. A nomeação deverá ser publicada no Diário Oficial até a próxima segunda-feira (27/01).

Chicão como é conhecido foi, há cerca de seis meses, indicado administrador de Taguatinga pelo também deputado distrital. No entanto, a posse não aconteceu, deixando Agaciel Maia enfurecido com o governador Ibaneis, ao ponto de ameaçar a deixar a base do governo.

Desde então, o político vem pressionando Ibaneis para que Chicão ganhasse uma vaga no governo.

Sem ter condições de colocar o apadrinhado político de Agaciel em outro órgão ou administração regional, o governador decidiu nomea-lo Administrador de Águas Claras, mesmo sendo morador de Samambaia.

Empresário e ex-presidente da Associação Comercial daquela RA, Chicão vai substituir o administrador Ney Robsnthon. Que também não morava na cidade e foi nomeado em 2018 para administrar Águas Claras.

“Sai um administrador que era morador do Sudoeste e entra um que é morador de Samambaia” – João Carlos Bertolucci, Coordenador do Movimento O Parque é Nosso – Foto: Oswaldo Reis

Entidades civis organizadas da cidade se manifestaram com ceticismo em relação à indicação de Francisco de Assis para ser o novo administrador de Águas Claras. Uma delas foi o Movimento o Parque é nosso, que através do seu coordenador, João Carlos Bertolucci afirmou que o novo administrador não tem o perfil que a maioria dos moradores da cidade esperavam.
“Vivemos, nos últimos anos, com a prática de ter administradores que moram em outra RA. Isto fere grosseiramente o respeito ao estabelecido pelo próprio governador no início do seu governo, quando ele afirmou que os administradores regionais tinham que ser moradores das respectivas RAs”, afirma Bertolucci.
“Sai um administrador que era morador do Sudoeste e entra um que é morador de Samambaia”, pondera.
Para Bertolucci as eleições para a escolhas dos administradores regionais são as únicas alternativas para evitar este tipo de distorção e agressão aos princípios democráticos.

Conforme o presidente da Associação dos Moradores Amigos de Águas Claras, Roman Dario Quatrin, desde o dia 8 de janeiro a AMAAC já articulava a nomeação do escolhido Chicão ao cargo. Na página oficial da entidade no Facebook a maioria dos moradores de Águas Claras se manifestaram contrários à indicação. Muitos questionaram o fato do novo administrador ser morador de outra RA, enquanto a entidade sempre defendeu ter um nome para o cargo, que fosse morador da cidade.

A Lei Orgânica do DF estabelece no Artigo 10 que se faça eleições para a escolha dos administradores regionais.

A participação popular no processo de escolha dos administradores regionais, também está garantida na lei 6.260 de 2019, publicada em 5 de janeiro do mesmo ano no Diário Oficial do Distrito Federal. De acordo com a lei o governador Ibaneis Rocha deveria selecionar um nome entre os mais votados pela comunidade em 90 dias após sua posse como chefe do Executivo local. No entanto, ele decidiu encaminhar outra proposta para ser debatida na CLDF, que até o momento, não se posicionou sobre o assunto.

O instrumento, conforme o governo, seria uma aposta para evitar o esquema usual de troca de cargos nos órgãos para barganha política e finalmente obedeceria ao previsto na Lei Orgânica da capital.

Especialista analisa o fato

Especialista em Administração Pública, Rui Magalhães defende que os administradores regionais “em hipótese alguma poderiam ser cargos em comissão do governo”. Para ele, é preciso que os gestores precisam estar diretamente vinculados à sociedade. “Muitas vezes, os escolhidos são meramente políticos que visam se eleger futuramente e sequer conhecem a cidade. Passando por um crivo eleitoral, esse juízo será feito e a população saberá quais as pretensões do sujeito”.

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