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Com verba de apenas R$ 140 mil, Galinho de Brasília cancela desfile no carnaval

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Foto: Oswaldo Reis

Organizadores afirmam que verba concedida pelo governo seria insuficiente. ‘Blocos habilitados concordaram com as regras do edital’, diz GDF

O tradicional bloco de carnaval Galinho de Brasília, que resgata a cultura de Pernambuco, anunciou nesta terça-feira (26) que não desfilará pelas ruas da capital em 2019. Esta é a primeira vez em 27 anos de existência que o bloco cancela a participação na folia.

O motivo é financeiro. Segundo os organizadores, a falta de caixa impossibilitou a contratação da estrutura necessária para garantir acomodação, segurança e diversão dos foliões. A festa infantil promovida pelo grupo, o Pintinho de Brasília, também foi cancelada.

O Galinho foi contemplado no edital da Secretaria de Cultura que previa R$ 140 mil para blocos de carnaval que reunissem mais de 40 milfoliões. A concessão, porém, previa gastos obrigatórios com os quais o bloco não estava contando.

Os organizadores deveriam custear todos os itens obrigatórios para a retirada do alvará, como serviços de segurança e brigada, extintores e banheiros químicos.

“Nós listamos todas as despesas e, quando somamos, vimos que não ia ter dinheiro pra pagar as atrações”, disse o fundador do bloco, Romildo de Carvalho Júnior.

“Com esse dinheiro e essas despesas, a gente teria um excelente palco, mas não teria artista.”

Segundo o fundador do bloco, o Galinho pretendia manter o costume de trazer passistas de Recife – o que implicaria em gastos com passagem, hospedagem e cachê – e de convidar uma orquestra com cerca 30 músicos, além de contratar um trio elétrico.

“O Galinho é um bloco que trabalha com o frevo, que é patrimônio cultural e imaterial da humanidade. A gente não se preocupa com o tamanho do bloco, mas em manter qualidade e mostrar a cultura nordestina.”

Essa preocupação acabou deixando o bloco no negativo. De acordo com Romildo, o Galinho tem uma dívida de R$ 17 mil do carnaval de 2017 e outra de R$ 85 mil de 2018.

“É complicado botar o bloco na rua por Brasília e para Brasília, mas arcar com o prejuízo sozinho.”

Foto: Oswaldo Reis

Ainda de acordo com o edital, pelo menos R$ 7 mil deveriam ser investidos em campanhas de segurança e respeito. Os gastos com serviços administrativos, encargos sociais, água, luz, contabilidade, materiais de consumo e expediente não poderiam ultrapassar R$ 21 mil.

A questão territorial também foi um fator que contribuiu para o cancelamento do Galinho de Brasília. O bloco não aderiu aos Setores Carnavalescos – cinco grandes áreas equipadas com infraestrutura fornecida pela Secretaria de Cultura.

“Imagina o Galo da Madrugada [em Recife] sair em um lugar que não fosse no bairro de São José”, explicou Romildo. “O Galinho nasceu na 203 Sul, onde eu morava com minha mãe e onde ela e minha família ainda moram.”

Desde a criação, o bloquinho percorria as entrequadras residenciais até chegar ao Setor Bancário Sul – sempre no sábado de carnaval e, depois, na segunda.

Segundo Romildo, ele e os demais organizadores tentaram dialogar com a Secretaria de Cultura para encontrar outras formas de viabilizar a saída do bloco, mas não foram recepcionados como imaginavam.

“A gente esperava que, pela força cultura do Galinho, fosse receber um apoio maior, mas nem tivemos muita chance de conversar com o governo.”

Em nota, a Secretaria de Cultura informou que, desde dezembro, tem dialogado com representantes dos blocos para viabilizar “um modelo de carnaval seguro, tranquilo e confortável para foliões”.

Para isso, a pasta disse que montou três estruturas na região central do Plano Piloto com capacidade para abrigar esses blocos e viabilizar as festas.

No comunicado, a secretaria apontou ainda que “cumpre integralmente o edital 19 lançado em 2018. Os 55 blocos habilitados concordaram com as regras do certame que previu o aporte de R$140 mil reais para os blocos de mega porte, como é o caso do Galinho de Brasília”.

Fonte: G1

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