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CLDF debate enfrentamento ao feminicídio em audiência pública

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Foto: Silvio Abdon – CLDF

O viúvo de advogada Letícia Curado, Kaio Fonseca Curado de Melo, participou da audiência pública de enfrentamento ao feminicídio na manhã desta terça-feira (10) no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal. No caso que mobilizou o DF no mês passado, a servidora pública Letícia Curado foi assassinada pelo cozinheiro Marinésio Olinto, que confessou ter matado a jovem porque ela se recusou a manter relações sexuais. “Hoje não tenho projetos, não tenho sonhos, não tenho Letícia”, disse Kaio Melo, bastante emocionado.

Viúvo de advogada Letícia Curado, Kaio Fonseca Curado de Melo, participou da audiência pública – Foto: Silvio Abdon – CLDF

“Quantas vezes uma mãe vai chorar, um pai, um filho?”, indagou a mãe da assistente social Pedrolina Silva, morta a facadas neste mês em um matagal perto do Lago Paranoá. Neste ano, dezenove mulheres morreram vítimas de feminicídio no DF. Os deputados Fábio Felix (PSOL) e Arlete Sampaio (PT), mediadores da audiência, querem a instalação de uma CPI na Casa para tratar sobre o tema.

“Ou nos articulamos e adotamos políticas de prevenção ou perderemos mais mulheres”, alertou o juiz de Violência Doméstica do Núcleo Bandeirante e coordenador do Núcleo Judiciário da Mulher, Bem-Hur Viza. Segundo o magistrado, o trabalho nas varas especializadas implica o aprofundamento da matéria. “Precisamos desconstruir os estereótipos de gêneros”, considerou Viza. Do mesmo modo, a coordenadora dos núcleos de direitos humanos do Ministério Público do DF, Mariana Távora, citou a raiz brasileira do patriarcado e defendeu a prevenção primária nas escolas por meio do conceito de igualdade de gêneros e divulgação da Lei Maria da Penha.

Também o deputado Leandro Grass (Rede) argumentou pela ampla mobilização e educação no enfrentamento ao feminicídio, principalmente nas escolas. Nesse sentido, a procuradora da Mulher da CLDF, deputada Júlia Lucy (Novo), anunciou a realização da Semana da Lei Maria da Penha nas escolas do DF, com palestras de conscientização, distribuição de cartilha e vídeos no youtube. O evento acontecerá na última semana de novembro. Ainda em apoio à questão, o presidente da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF), deputado Agaciel Maia (PR), comprometeu-se a acatar as sugestões de fortalecimento das políticas públicas de mulheres. Já a secretária de Mulheres do DF, Ericka Filippelli, anunciou um acordo junto aos bancos para reativar a Casa da Mulher Brasileira.

Foto: Silvio Abdon – CLDF

Ato – Várias representantes de movimentos, comissões e coletivos de mulheres se manifestaram contra os índices crescentes de violência e feminicídio no DF, como a coordenadora do CFEMEA, Joluzia Batista. Ela protestou contra o discurso machista que se refere a esses casos como “mimimi de mulher”. Para Batista, o monitoramento contra a violência precisa ser constante. Com o pleito “Pela vida das mulheres exigimos segurança já!”, o Fórum em Defesa dos Direitos das Mulheres do DF e Entorno fará ato em frente ao Palácio do Buriti hoje à tarde.

Foto: Silvio Abdon – CLDF

Ainda durante a audiência, sob os gritos de “fora daqui”, o fundador do Instituto Homem, Luiz Gonzaga de Lira, foi expulso do plenário. A associação apoia homens enquadrados na Lei Maria da Penha.

Fonte: CLDF

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